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O Jedaísmo é
uma religião. Fato. Guerra nas Estrelas dividiu águas no cinema
estadunidense, depois dela tudo virou entretenimento. Ainda que à
época um possivelmente extinto crítico de um conhecido diário
carioca tivesse intitulado sua crítica de: “Guerra nas Estrelas
– Pirueta Visual com Brinquedos Infantis”, o tempo adaptou o
nome ao inglês – Star Wars – e transmutou uma série que teria
nove capítulos no cinema que compreenderiam o período de 1977 a
2001, numa franquia eterna na TV, nos games (tem cenas
propositalmente videogame neste atual); brinquedos e eticéteras
elevados ao infinito e além.
George Lucas vai
entrar para a história do cinema como o homem que ficou
arqui-bilhardário com uma obra só. Indiana Jones tem Spielberg, não
conta.
Esta nova produção
que dá início a uma série de desenhos animados a estrear no canal
a cabo Cartoon Network situa-se entre Episódio II – O Ataque dos
Clones e Episódio III – A Vingança dos Sith e traz toda aquela
galera a qual estamos acostumados: Obi-Wan, Anakin, uma rapaz simpático
quando esquecemos que ele se tornará um dos maiores vilões de
todas as galáxias; Yoda, Jedis, Princesa Amídala, R2-D2, C3-PO e o
Conde Dooku, honradamente dublado pelo próprio Christopher Lee (não
sei porque sempre que penso neste personagem penso no Mestre
Zyphodias). Além de uma jedi do Lado Neg... Ahn, Sombrio bastante
carismática, porém pouco aproveitada: Asajj Ventress. O enredo é
dividido em duas partes: na primeira, há a referida guerra onde
Anakin e uma padawan Twi’Lek meio rebelde têm de se unir para que
o exército dos clones saia vitorioso. Bacana a malandragem de
Mestre Kenobi. A segunda parte se ocupa do seqüestro do filho de
Jabba, The Hutt. Uma bolinha fofinha cujas falas limitam-se a gugu-dadá
ou expressões similares o tempo todo, ora nas costas de Anakin, ora
no colo de Ahsoka Tano, a charmosa padawan renitente. O duelo entre
Dooku e o jovem Skywalker no deserto é bem bacana, mas podia durar
um pouquinho mais. O resto é o que se pode chamar de preparação
de terreno para o seriado da TV. Os 98 minutos do filme passam rápido
sim e creio que propositalmente.

George Lucas sabe
muito bem o que faz e vem adaptando sua saga de acordo com as gerações
mais “atuais”. Tanto é que o filme começa com uma narrativa
semelhante à de um locutor de FM explicando em que pé está a história.
Eu que sou velho, quando comecei a entender, a ação propriamente
dita começou. Mas onde foi parar aquele prólogo escrito que ia
subindo na tela, onde a gente tinha de ter agilidade para
leitura????
Pois é, a galera
atual, jedi ou não, gosta é de ir direto ao assunto, que leitura
que nada. Isso eles fazem por obrigação nos livros da escola.
Quando muito. E Titio Lucas sabe disso.
A animação é
3-D, porém bastante estilizada e condizente com a telona. O sistema
THX que a rapaziada de Lucas bolou, só ajuda ao clima. Quem curte a
saga vai ficar doido pra ver a série. Eu prefiro os capítulos econômicos
de Genndy Tartakowsky ou a prometida série live-action do
ano que vem. Afinal, não sou jedaísta. Quando muito um
simpatizante. Guerra nas Estrelas pra mim é nos tempos do
“Eu sou seu pai, Luke”. Depois disso eu me perdi.
Mas os jedis e seus padawans têm mais um capítulo da interminável
epopéia numa galáxia muito... muito distante e que parece mais...
mais distante ainda de terminar.
Antero
“Paduana” Leivas
FICHA
TÉCNICA - Star Wars - The
Clone Wars
EUA, 2008 - 98
min
Ficção científica / Animação 3-D
Direção:Dave
Filoni
Roteiro:Henry
Gilroy, George Lucas, Scott Murphy, Steven Melching
Elenco:Ian
Abercrombie, Dee Bradley Baker, Corey Burton, Anthony,
Daniels,
Ashley Eckstein, Nika Futterman, Samuel L. Jackson,
Tom
Kane, Matt Lanter, Christopher Lee, Catherine
Taber, James Arnold Taylor
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