quarta-feira, 27 de setembro de 2023

RESISTÊNCIA

 Por Ricky Nobre

Numa época de cinema feio que estamos vivendo, principalmente no âmbito das grandes produções, o novo filme de Gareth Edwards sucede de forma digna o recente fenômeno Barbieheimer, onde duas obras de apurado esmero visual tomaram as bilheterias de assalto. Resistência mostra um mundo onde as inteligências artificiais começaram a ser desenvolvidas ainda nos anos 1950, chegando a um desenvolvimento tal de tornarem-se indivíduos. Porém, uma bomba nuclear destrói Los Angeles a as IA são apontadas como responsáveis. Tendo a Ásia como refúgio, elas tentam se proteger da campanha militar internacional dos EUA para erradicar as inteligências artificiais do planeta. Isso é apresentado em um prólogo rápido e engenhoso que em uns dois minutos já estabelece tudo o que o público precisa saber. 

 

A partir daí conhecemos a história de Joshua, um militar americano infiltrado na resistência das IAs com o objetivo de localizar e eliminar seu criador, que é referenciado como um deus por elas. Uma falha na operação custa seu disfarce e a vida de sua esposa grávida, e ele volta para os EUA e desiste do exército. Anos depois, os militares o procuram afirmando que sua esposa está viva e pedindo que volte para concluir a missão. A partir daí o filme segue com excelentes sequências de ação que levam o protagonista a proteger uma IA em forma de criança, cuja origem é um mistério. Na jornada, o público vai tomando conhecimento de como a comunidade de IAs se integra à população asiática, tanto rural quanto urbana, onde Edwards estabelece claros paralelos entre a presença militar norte americana ali e sua forma brutal de lidar com a população humana local que protege os androides, com o padrão já conhecido das campanhas do país pelo mundo através da História, e o diretor não poupa ecos visuais com a guerra do Vietnam. 

 

Com boas interpretações e personagens bem delineados e ótimos diálogos, é fácil o espectador se deixar levar pela história e pela jornada torturada do protagonista, que vive o dilema do agente infiltrado, sempre entre o dever e a ética. O que vai incomodando crescentemente e vai se acumulando ao longo da projeção é que o filme sugere um grande número de ideias e sugestões de abordagens e discussões de forte teor político, que enriqueceriam imensamente a obra. De forma quase inacreditável, Edwards consegue a proeza de não desenvolver rigorosamente nenhuma dessas ideias que, muitas vezes, são citadas por poucos segundos e abandonadas. Só a título de exemplo, a região onde as IAs buscam refúgio é chamada de Nova Ásia. Por que é nova e qual a relevância dessa configuração geopolítica aparentemente não interessa, parece ser apenas uma sacadinha com a situação atual onde a China se contrapõe fortemente aos EUA na esfera econômica. Uma revelação sobre o que realmente teria acontecido no bombardeio de Los Angeles se resume a uma única frase de um personagem para ser imediatamente abandonada. A ideologia “oficial” que sustenta o ódio dos humanos às IAs é resumida a dois ou três momentos muito rápidos, como a frase recorrente “eles não são vivos” e um comentário como “vi um vídeo que diz que eles querem nossos empregos”. 

 

É quase como se Edwards achasse que a premissa essencialmente política do filme fosse um estorvo ao seu espetáculo de ação e à jornada individual do protagonista. Mas simplesmente não dá para criar um mundo dividido por uma guerra de cunho xenófobo e evitar se aprofundar na questão em todas as oportunidades que tem. Essa superficialidade acaba dando espaço para um maniqueísmo simplista que, embora se sustente no princípio razoável dos EUA como vilões e as IAs como vítimas, mantém tudo num desenvolvimento muito raso.

 

 Infelizmente, mesmo no âmbito estrito da aventura de ação, o terceiro ato deixa a desejar, sendo a missão final um pouco confusa e com um grande momento final que acaba não sendo tão emocionante quanto Edwards parece ter pretendido, com algumas situações um pouco forçadas para chegar até determinado ponto. Resistência tem claras pretensões de se tornar uma franquia e caso consiga seria uma ótima oportunidade de explorar tudo o que aqui foi evitado. O filme não deixa de empolgar por sua história, ritmo e bela concepção visual, até bastante impressionantes pelo orçamento de 80 milhões, bem abaixo das grandes produções recentes (incrível como a câmera usada foi a baratíssima FX3 da Sony), e vários de seus problemas podem passar despercebidos num primeiro momento. Mas é um desperdício ver justamente na ficção científica, um gênero com longa reputação em discutir questões humanitárias, políticas e sociais, um filme com tanto potencial entregar algo tão raso. Mesmo assim, é uma experiência válida, nem que seja para refletir sobre tudo o que o filme evita e admirar uma produção refinada feita com um orçamento realista para o cinema de hoje.

COTAÇÃO:

 


RESISTÊNCIA (The Creator, EUA – 2023)

Com: John David Washington, Madeleine Yuna Voyles, Gemma Chan, Allison Janney e Ken Watanabe

Direção: Gareth Edwards             

Roteiro: Gareth Edwards e Chris Weitz

Direção de fotografia: Greig Fraser e Oren Soffer

Montagem: Hank Corwin, Scott Morris e Joe Walker

Música: Hans Zimmer

Design de produção: James Clyne

 

quinta-feira, 21 de setembro de 2023

RETRATOS FANTASMAS


Por Ricky Nobre

Dizer que Retratos Fantasmas é o filme mais pessoal de Kleber Mendonça é até um eufemismo. O filme é concebido e estruturado como uma coleção de memórias resgatadas e definidas a partir dos lugares, sendo a primeira parte na casa onde ele viveu a maior parte de sua vida e rodou seus primeiros filmes experimentais e seu primeiro longa-metragem (O Som ao Redor), das ruas e prédios de sua vizinhança e do centro de Recife e de seus cinemas. 

 

A narração feita pelo próprio Kleber pode ao mesmo tempo passar uma sensação de frieza, principalmente por ser claramente lida, mas também uma intimidade única, onde uma certa insegurança do diretor no papel de narrador dá uma impressão de timidez e de alguém que está, num tom baixo de voz, contando coisas muito íntimas. E esse tom de quase confissão torna a jornada que Kleber nos apresenta uma experiência para o espectador, às vezes doce, às vezes angustiante, às vezes amarga.

 

A conexão entre a mãe historiadora e a reconstrução do passado feita pelo diretor dão o tom do filme desde o início, principalmente a partir do trecho de entrevista onde ela fala da História a partir da tradição oral. Sua impressionante coleção de imagens, boa parte feita pelo próprio Kleber quando jovem, é um amálgama de uma História documentada e uma História narrada a partir de uma perspectiva muito pessoal. Toda essa tapeçaria muito bem montada cria uma ressonância clara, lúcida, mas também poética, onde a constante mudança de sua casa e seus entornos ecoam nas mudanças no centro de Recife e nos cinemas que foram desaparecendo. É muito curiosa a forma como Kleber costura cenas de diversas épocas de Recife, seus prédios e seus cinemas com trilhas sonoras bem antigas, que dão um tom que vai do épico ao sinistro, como algo grandioso que vai se deteriorando, em sua decadência nas sombras.

 

Essas duas partes muito ricas são seguidas de uma terceira bem mais curta e menos interessante, onde se fala especificamente (e superficialmente) de quantos cinemas viraram igrejas e sobre o grande sobrevivente de Recife, o cinema São Luiz. A conclusão no único segmento ficcional do filme meio que tenta criar uma simbologia de tudo que estava já absolutamente claro durante todo o filme, e termina num tom de estranheza, não no bom sentido. A recriação ficcional do "homem do povo" chega a ser constrangedora diante, por exemplo, da doce e emocionante realidade das imagens do projecionista do cinema Art Palácio, Seu Alexandre. 

 

Indo agora para uma abordagem muito mais pessoal, acredito que o documentário ressoe de forma diferente entre cinéfilos de diversas idades. Pelo fato de eu regular de idade com Kleber, muita coisa ressoou muito forte em mim. Essa identificação de quem cresceu nos cinemas de rua intensifica muito a experiência de Retratos Fantasmas e sua relação com o tempo, a memória, os lugares e a arte. 

 

Apesar de ser do Rio de Janeiro, muitas das experiências narradas e das percepções compartilhadas me pareceram as mesmas, não só os filmes vistos, mas as experiências, as descobertas, como quando ele diz que começou a prestar atenção ao som dos filmes no cinema Veneza, ou que o longo muro de cartazes e fotos era como uma exposição de arte a céu aberto e também o primeiro contato com a existência de novos filmes, e também a amargura em ver essas salas fechando uma a uma. Quando ele cita que muitos falam de seus cinemas favoritos como "templos", lembro que eu chamava o Metro Boavista na Cinelândia de "catedral", sendo o cinema com a melhor e mais majestosa projeção do Rio de Janeiro. Lembro que fui me despedir dele em seus últimos dias, com o filme O Inferno de Dante, já largado, imagem escura e som fraco. Foi desolador. Ao final, lembro de beijar a cadeira à frente de mim e sair. Como Seu Alexandre, era como se eu também tivesse fechado aquele cinema com uma "chave de lágrimas".

 COTAÇÃO:


 


RETRATOS FANTASMAS (Brasil, 2023)

Direção, roteiro e narração: Kleber Mendonça Filho

Montagem: Matheus Farias

Música original: Tomaz Alves Souza

 

terça-feira, 29 de agosto de 2023

Uma reflexão sobre a dublagem no cinema

 Por Ricky Nobre

A treta da semana no Twitter cinéfilo foi um post da crítica de cinema Fabiana Lima sobre sua dificuldade em conseguir sessões legendadas nos cinemas da cidade onde mora, que é São Luís, no Maranhão. Abaixo, reproduzo os prints:

Da perspectiva de um cinéfilo mais velho (faço 52 essa semana): esse é um movimento bastante inesperado pra mim. Na minha época (que frase de velho...) se não fosse filme infantil, cinema era legendado. Já a TV era sempre dublada. Eu, e todos que conheci, convivemos perfeitamente bem com esse arranjo. Gravei muito filme dublado em VHS da TV no início da adolescência, para rever muitas vezes. Quando surgiu a febre das locadoras, os filmes em VHS eram invariavelmente legendados, fora os infantis. A TV a cabo surgiu no início dos anos 90, e com ela uma avalanche de opções legendadas. Com o DVD no final da década, a possibilidade de dublado e legendado na mesma mídia inaugurou uma nova era com opções para todos. Mas os cinemas permaneciam legendados, embora seja nessa época que começaram as opções de legenda em filmes considerados infantis, sendo Alladin (1992) o primeiro a ser exibido assim no cinema. Com o tempo, esse segmento de animações e filmes infanto-juvenis passaram a ter cerca de 70% dublado e 30% legendado.

Mas algo mudou recentemente. Nos últimos 10 anos começaram as opções de filmes não infantis dublados no cinema. Nada mais justo. Mas em pouco tempo, cinemas de determinadas regiões da cidade (só posso falar pelo Rio de Janeiro, onde moro) passaram a abolir sessões legendadas. Da periferia do Rio, os dublados rumaram para a Tijuca, Barra e zona Sul. Atualmente, nessas regiões predomina um equilíbrio, geralmente 50/50%, podendo ser 60/40% pra um lado ou pra outro. No caso das animações, o legendado tornou-se uma raridade em qualquer lugar. O Gato de Botas 2 simplesmente não teve distribuição de cópias legendadas. Recentemente, pela postagem da Fabiana Lima e as respostas que recebeu, percebo que fora do eixo Rio/São Paulo os legendados estão desaparecendo, relegados a sessões tarde da noite, muitas vezes em caras salas VIP, que no Rio chegam a custar quase 90 reais por cabeça no fim de semana.

 

Minha surpresa é que eu sempre imaginei que essa tendência viria de uma maior popularização da sala de cinema. O público acostumado com dublagem na TV não iria querer saber de legendas ao ter mais aceso às salas, através de um processo de barateamento dos ingressos. Mas os ingressos continuam caros e, mesmo assim, o dublado se expande nas salas. Na verdade, quando os preços dos cinemas saíram de controle no final da década de 2000, vínhamos de uma longa tradição de cinema ser uma diversão popular, barata. Minha avó materna vivia no cinema, veio com 12 anos sozinha do interior de Minas pra trabalhar em casa de família. Gostava de Mazzaropi e das chanchadas da Atlântida. Minha avó paterna veio adolescente de Juazeiro do Norte, vendia doce na rua, conjuntos de cama e mesa na favela. Ela amava Hollywood, especialmente Tyrone Powell, Gregory Peck, Janet Gaynor e as operetas com Nelson Eddy e Janet McDonald. Meu pai largou os estudos pra poder trabalhar. Tinha um caderno onde anotava cada filme que viu, em qual cinema e qual sua nota pro filme. Eu me acostumei a ir ao cinema de uma ou duas vezes por semana, às vezes três, com dinheiro de mesada! Ia muito com meus pais também. Hoje os preços dos ingressos tornam isso impossível. Mas mesmo com esses preços o dublado domina as salas. 

É sobre classe, já que nas periferias o legendado praticamente inexiste, mas também não é. É algo mais que eu sinceramente não sei. Talvez as pessoas antigamente compartimentalizavam mais: TV é dublado, cinema é legendado. Funcionava assim e as pessoas meio que aceitavam. Talvez com as opções dubladas do DVD e a TV por assinatura que passou também a ter as duas opções, e o streaming, o dublado passou a ser mais assistido, ao ponto de muita gente simplesmente não assistir mais legendado. E querem a mesma coisa no cinema. A irônica consequência é que está deixando de ser uma opção justamente nas salas de cinema que passaram décadas oferecendo só legendado. Assistir filme com som original no cinema está cada vez mais difícil. Na maioria das cidades do país, já é algo impossível. 

Para mim, a experiência do cinema envolve assistir a um filme nas condições ideais: a melhor imagem, o melhor som, as condições mais próximas da exibição imaginada pelos artistas que criaram os filmes. Obviamente, as interpretações dos atores originais e como elas compõem o som do filme é parte essencial disso. A forma como o post da Fabi foi recebido por muitos resume bem essa rede social. "Precisamos de mais sessões legendadas em horários acessíveis" foi entendido como "dublagem não deveria existir". Nada de novo no Twitter. 


Investir numa boa tela e num bom som doméstico parece ser cada vez mais a solução. Mas tem dois problemas:  

1. É algo ainda mais elitista, para poucos.  

2. Não é a mesma coisa, mesmo com um bom sistema. 

O que me preocupa é que a experiência de ver filmes em salas de cinema esteve ameaçada por um bom tempo pelos altíssimos preços. Depois pelo choque pós pandemia. Agora pelo desaparecimento do som original em filmes estrangeiros. Não só para quem gosta, mas para quem escreve sobre cinema, perder as salas é uma espécie de tragédia. Não vejo mudanças positivas adiante. A não ser, é claro, o fortalecimento do cinema nacional, que é em português por natureza. Mas isso é pra outro texto...

ADENDO: Tenho lido histórias de terror de pessoas falando alto, usando o celular durante o filme inteiro, e outras coisas que eu não tenho visto nada parecido quando tenho ido ao cinema sem ser cabine de imprensa. Depois descobri que eram geralmente em sessões dubladas. Minha hipótese é a de que as pessoas estão levando a experiência doméstica completa para o cinema, não apenas a dublagem, mas o comportamento de quem está na sala de casa, e não num ambiente coletivo. E temo que isso também seja irreversível.

 

quarta-feira, 23 de agosto de 2023

A CHAMADA

Por Ricky Nobre

É muito curioso como Liam Neeson saiu de dramas como A Lista de Schindler, Rob Roy e Nell para herói de ação, a partir do grande sucesso de Busca Implacável. Basta observar em sua filmografia recente a quantidade de cartazes onde ele aparece empunhando uma arma, do 38 ao fuzil. A Chamada chega com uma proposta que poderia ser uma quebra interessante desse padrão. Ao voltar à figura do pai que faz tudo para proteger a família, que tanto sucesso fez na trilogia já mencionada, o novo filme de Nimród Antal muda o perfil do protagonista. Apesar da primeira cena onde ele aparece treinando box em casa, sugerindo de antemão um preparo dele para luta corporal, o personagem de Neeson aqui é um corretor de ações sem aptidão alguma para violência. Com seu casal de filhos no carro, ele sofre uma espécie de sequestro remoto, onde uma bomba sob o assento seria acionada caso ele saísse do veículo, sendo obrigado, a partir daí, a seguir as ordens de uma voz misteriosa ao telefone. 

 

A Chamada já é o terceiro remake do filme espanhol El Desconocido (2015), seguido do alemão Direção Explosiva (2018) e do sul coreano Ligação Explosiva (2021). Nesta versão, Antal recicla situações de filmes como Por Um Fio e Celular dentro dos limites de um suspense de confinamento. O protagonista é apresentado como um homem que mente ou omite a verdade com naturalidade, seja no trabalho ou na vida pessoal, e isso é apresentado como um tema que permeia o filme. Essas ideias abrem espaço para que o roteiro desenvolva situações de suspense e de drama familiar bastante interessantes. Infelizmente, o filme perde todas as oportunidades de fazê-lo. O argumento, ou seja, história básica e sequência de acontecimentos, é razoavelmente interessante. Porém, a forma como o roteiro as desenvolve, seja nos diálogos ou no detalhamento da história, é, nos melhores momentos, medíocre. 

 

Antal filma tudo de forma apenas correta, quase nada além do burocrático, e quando precisa elaborar uma cena tensa e essencial, ela não resiste ao ser reelaborada mais adiante (quando, perto do fim, um personagem explica como fez uma coisa parecer outra é quase impossível segurar o riso). Nisso, Neeson contribui enormemente no esforço em manter a atenção do público ao arrancar cada fiapo de substância de seu personagem que se esboça no roteiro. A forma como o protagonista mente não apenas em proveito próprio, mas também para atenuar o máximo possível qualquer situação desagradável, se funde com sua angústia em ter que realizar tarefas ordenadas pelo sequestrador, angústia esta que, estampada constantemente na expressão do ator, é a única conexão sólida que o espectador consegue ter com o filme.

 

Acaba residindo mesmo no elenco a responsabilidade de manter a atenção e a conexão do público com o filme. Mas a inabilidade do roteiro em tornar algumas situações críveis e a incapacidade da direção em elaborar essas situações de forma cinematograficamente empolgante, onde a construção das cenas torne a emoção do momento mais interessante do que a lógica, selam o destino do filme, tornando-o apenas mais um suspense corriqueiro, burocrático e esquecível. Nada além de mais uma máquina pagadora de boletos do Liam Neeson.


 COTAÇÃO:

 


A CHAMADA (Retribution, EUA/França/Alemanha/Espanha – 2023)

Com: Liam Neeson, Noma Dumezweni, Jack Champion, Embeth Davidtz, Lilly Aspell e Matthew Modine

Direção: Nimród Antal

Roteiro: Alberto Marini, baseado no roteiro de El Desconocido" de Christopher Salmanpour

Direção de fotografia: Flavio Martínez Labiano

Montagem: Steve Mirkovich

Música: Harry Gregson-Williams

Design de produção: David Scheunemann