sexta-feira, 23 de junho de 2017

Chá das Cinco #115 - Dicas de seriado

Duas séries da NETFLIX vacilona ("Dirk Gently's Holistic Detective Agency"  e  "Cara gente branca") estão em nossas dicas de seriado para o fim de semana.

Com Ricky Nobre e Eddie Van Feu

quinta-feira, 22 de junho de 2017

O CÍRCULO: ENTRE O PROMISSOR E O ASSUSTADOR

Eddie Van Feu

O Círculo não é um filme de terror. Mas assusta. É uma alegoria sobre o momento em que vivemos, com câmeras por toda parte e uma necessidade quase patológica de comunicar cada passo do seu dia nas redes sociais. Mais do que isso, é uma espiada no futuro.

Baseado no livro de Dave Eggers, a história nos apresenta uma funcionária de uma grande corporação interpretada por Ema Watson. Tom Hanks enche a tela com a imagem do cara legal, do chefe que todo mundo quer ter. E então temos O Círculo, uma companhia que detém a rede social mais ampla do planeta, que unifica todas as suas contas, que facilita compras e pagamentos! Lembra alguma coisa? E é a mesma companhia que cria câmeras que podem estar em qualquer lugar, incentivando um olhar atento, constante e perpétuo em cima de TODO MUNDO O TEMPO TODO.




Então, nós começamos a acompanhar o entusiasmo de quem acha isso ótimo, já que poderemos salvar vidas, e os questionamentos de quem simplesmente quer ter direito à privacidade.

O filme poderia ter ido mais longe. A personagem da funcionária Mae é um tanto apática e não chegamos a conhecê-la de verdade. Ela parece uma folha ao vento, e quando toma decisões, elas parecem meio forçadas em alguém que só queria pagar suas contas e ajudar a família. O personagem de John Boyega cai de paraquedas e não diz a que veio, enquanto o relacionamento de Mae com a própria família e amigos não se aprofunda. Há momentos no filme que poderiam ser infinitamente mais emocionantes, mas não são. Faltou construção de personagem para a mais importante do filme e Mae acaba sendo uma heroína que se apoia no carisma de Ema Watson.


Não há grandes inovações no conceito visual, talvez para evitar distrações do tema. O quanto estamos dispostos a mergulhar nessa era de total transparência? Isso seria realmente uma solução para todos os problemas do mundo? Ou seria apenas um problema para quem não estiver no topo da cadeia alimentar?

O fim é meio estranho, parece Super Cine (que ficou conhecido por filmes que terminavam de repente). Mas ainda vale a pena, especialmente pelo questionamento que provoca.



Chá das Cinco #114 - Qual ator você já malhou e depois se arrependeu?

Sabe quando indicaram um ator/atriz para um papel e você xingou muito no twitter? Daí quando viu no cinema quebrou a a cara? Vamos confessar nossos pecados passados mostrando que não entendemos nada de nada nessa vida!

Equivocados de hoje: Renato Rodrigues, Eddie Van Feu, Ricky Nobre, Patricia Balan e JM

PODIA SER UM FILME MAU QUE NEM PICA-PAU... MAS...

por Renato Rodrigues
O Pica-pau é um dos melhores desenhos que existem? Lógico! E pode render um bom filme longa? Hummm... talvez...

Vamos ver o trailer?




É... bom.... Pelo trailer vai ser um filme pra molecada mesmo! São só piadas físicas manjadas para crianças. E aqui no Brasil nem se deram ao trabalho de chamar o recente dublador dos desenhos (Marco Antonio Costa).

Podiam investir em mais piadas citando os desenhos (Muitas até já viraram memes). Pelo trailer o filme parece tão sem conteúdo que a promoção está toda sendo feita em cima da participação de uma atriz brasileira no elenco (Tainá, Thailá, Talula, não seu o nome e não me interessa também)

Acho que os pais (que cresceram com o desenho) ficarão entediados, então espero que os filhos pequenos ainda assistam Pica-Pau na Record para poder curtir o filme.

Se o vilão não terminar o filme descendo as cataras num barril eu peço meu dinheiro de volta! Mas não tenho muita esperança disso acontecer, no fundo os produtores só pensam mesmo é nisso:

quarta-feira, 21 de junho de 2017

FRANTZ: as feridas abertas da guerra.


Por Ricky Nobre


O filme de guerra é um gênero que existiu desde que existe cinema. O óbvio cenário na imensa maioria deles é, evidentemente, o campo de batalha, seja ele alguns milênios antes de Cristo ou em algum conflito ainda existente nos nossos dias. Poucos, entretanto, se concentraram na guerra depois da guerra, na vida das pessoas depois que cessa o fogo, sendo Os Melhores Anos de Nossas Vidas (1946) e Amargo Regresso (1978) dois dos mais famosos exemplos. O mais recente filme de François Ozon, o mais popular cineasta francês dos últimos anos, retrata justamente esse drama da dolorosa adaptação de um povo após a guerra, seja dos combatentes, seja dos familiares que perderam filhos, maridos e pais. 

 

Em 1919, após a Primeira Guerra Mundial, a jovem alemã Anna (Paula Beer) vive enlutada pela morte de seu noivo Frantz no conflito, enquanto mora com seus sogros, que a acolhem como filha. Uma dia, numa das rotineiras visitas ao túmulo do noivo, Anna vê um estranho que traz flores e presta homenagens a Frantz. Após alguns dias, o rapaz entra em contato com a família e se apresenta como Adrien (Pierre Niney), jovem francês que foi amigo de Frantz em Paris. Inicialmente, o pai de Frantz repele violentamente o rapaz por causa da rivalidade entre a Alemanha e a França na Guerra. A mãe e Anna, porém, acolhem o rapaz, atraídas pela forte ligação que ele parece ter com o saudoso filho e noivo, o que acaba levando o próprio velho pai a aceita-lo também como amigo da família. Em meio ao preconceito dos moradores da pequena cidade com a presença de um francês entre eles, a relação entre Adrien e a família de Frantz, especialmente Anna, se estreita e intensifica, enquanto a real natureza da ligação entre Adrien e Frantz permanece nebulosa, e esta revelação pode trazer consequências irreversíveis para todos. 

 

O principal desafio de Ozon em Frantz (na realidade, uma refilmagem não creditada de Não Matarás, de 1932) parece ser o de celebrar a vida numa obra com a sutil mas constante presença da morte. Anna vive um luto sem fim pelo noivo e sua alegria e desejo de viver desapareceram. Adrien é um jovem de aparência extremamente frágil, tanto física quanto emocionalmente, e seu desejo por uma conexão com a família de Frantz parece ser sua única razão de viver. Na mesma medida, a alegria e o riso voltam à casa de Anna e seus sogros com a presença do jovem francês que conta histórias dos dois amigos em Paris. Conforme os fatos se desenrolam e informações se revelam, Ozon expõe a tragédia e a insanidade da guerra à medida em que o ódio e a morte se estendem e cristalizam até anos depois da violência brutal das batalhas. Uma insanidade desumana capaz de trazer desejo de morte até para os que sobreviveram. 

 

A fotografia em preto e branco simboliza essa ausência de vida e ganha força justamente nas poucas cenas em cores que, inicialmente, parecem representar a alegria que a memória de Frantz traz mas, na realidade, simboliza o próprio personagem e sua presença na vida dos que ficaram. O grande desafio dos personagens não é apenas viverem após a perda e a tragédia, mas também com as próprias escolhas que fizeram. No restaurante em que o pai de Frantz (que vive atormentado pela culpa de ter insistido para que o filho se alistasse) se reúne com os amigos, ele repele os comentários rudes dos companheiros em relação a Adrien e a acolhida que o velho deu a um francês, que para eles é, obviamente, algoz de jovens soldados alemães. O pai repreende os amigos dizendo: “Quando nossos filhos matam mil franceses, nós comemoramos bebendo cerveja. Quando jovens franceses matam mil alemães, os pais deles comemoram bebendo vinho. Somos uma geração de pais que bebe à morte dos filhos”. Ano que vem, completará 100 anos do fim da Primeira Guerra Mundial e Ozon nos desafia a encontrar as diferenças entre o drama de seus personagens e a forma como se lida hoje na guerra com a morte dos nossos e do outro. 

 


FRANTZ, 2016.
Com: Pierre Niney, Paula Beer, Ernst Stötzner, Marie Gruber e Cyrielle Clair.
Direção: François Ozon
Roteiro: François Ozon e Philippe Piazzo (baseado no filme de Ernest Lubitsch “Não Matarás”, 1932)
Fotografia: Pascal Marti
Montagem: Laure Gardette
Música: Philippe Rombi

COTAÇÃO: 

Chá das Cinco #113 - Relembrando Akira (O mangá e o longa)

A editora JBC está trazendo de volta os mangá Akira e aproveitamos para relembrar a febre que foi o longa animado e os quadrinhos lançados pela Ed. Globo na época.
Será que ele passou no teste do tempo?

Presentes: Eddie Van Feu, Ricky Nobre, Patricia Balan, JM e Renato Rodrigues

terça-feira, 20 de junho de 2017

A GAROTA OCIDENTAL - ENTRE O CORAÇÃO E A TRADIÇÃO: sobre o que é ser mulher no islamismo e no mundo.


Por Ricky Nobre


Falar sobre islamismo no mundo atual já é um ninho de vespas. Quando é colocada a questão da mulher islâmica na equação, isso se eleva a uma complexidade que não cabe nas simplistas discussões de internet repletas da achismos. O que há de brilhante e indispensável em Garota Ocidental - Entre O Coração e A Tradição (como é infeliz esse subtítulo brasileiro...) é a forma como o roteirista e diretor Stephan Streker constrói um painel complexo e preciso da realidade da vida de famílias de religião muçulmana na Europa, em especial a realidade feminina nesse contexto. E isso de forma simples, fluida, sem arroubos de pretensão, porém, não menos dramática.

 

Zahra é uma jovem de 18 anos, de família paquistanesa que mora na França. Grávida do namorado, pretende fazer um aborto, sob a aprovação da família, que se coloca como muito mais flexível nos costumes do que seus compatriotas. Zahra, porém, tem sérias dúvidas sobre se deve ou não ir adiante, ainda que o namorado não queira de forma alguma assumir o filho caso ela o tenha. Zahra vai a clínica, mas desiste na última hora, não avisando, contudo, a família. Logo em seguida, os pais decidem que ela precisa se casar com um jovem paquistanês, e apresenta três pretendentes a ela, deixando claro que estão sendo muito “modernos” por permitirem que ela escolha. Totalmente avessa à ideia de casamento, a jovem entra em colisão com a família e as reais diferenças entre a cultura paquistanesa e os valores e anseios da moça, criada inserida na cultura e realidade francesas, vêm à tona.

 

Garota Ocidental é repleto de pequenos detalhes que compõem um mosaico da realidade islâmica na Europa. A escolha de uma família de costumes mais “abertos” é essencial não só para desconstruir certos clichês e preconceitos, quanto para evidenciar choques culturais, que se intensificam, mesmo numa família de costumes menos rígidos. Os pais e o irmão compreendem Zahra quanto à perda da virgindade e a apoiam na questão do aborto. Mas, para eles, ter uma filha que permaneça solteira após os 18 anos é inconcebível. Talvez a decisão mais importantes de Streker ao escrever foi colocar todas as discussões e conflitos como questões culturais, sem que a questão religiosa assuma qualquer protagonismo. De fato, a própria Zahra é vista rezando constantemente e seus conflitos com o aborto têm muito a ver com sua preocupação com a alma do feto, e acabamos tento a impressão de que ela é a pessoa mais religiosa do filme, ao mesmo tempo que é a que mais deseja ser livre. Parece ser a intenção de Streker propor que o grande choque entre o mundo islâmico com o ocidente não é de natureza religiosa, mas cultural, afastando o conceito de que o islamismo é uma religião que se impõe aos costumes de maneira uniforme. 


É muito enriquecedora para o filme a forma como os personagens são construídos e se apresentam. O sofrimento profundo e real dos pais de Zahra com sua recusa ao casamento entra em colisão com prováveis preconceitos do público. Todos os envolvidos sofrem. Ainda assim, o filme faz questão de deixar claro que é nas mulheres que recai o peso das injustiças. 

 

No fim, a indignação com a injustiça é o principal ponto de ligação do drama de Zahra com o público ocidental. Em determinada cena, conversando com a irmã mais velha, Zahra se lamenta com tudo o que ela passa “não é justo”. “É claro que não é justo”, responde ela. “Somos mulheres. O que você esperava?”. O destino de Zahra sugere que, talvez, o drama, não apenas nas muçulmanas, mas de todas as mulheres do mundo não é assim tão diferente. 

 

NOCES, 2016

Direção e roteiro: Stephan Streker

Com: Lina El Arabi, Sébastien Houbani, Babak Karimi, Nina Kulkarni, Olivier Gourmet e Alice de Lencquesaing.

Fotografia: Grimm Vandekerckhove

Montagem: Jerome Guiot e Mathilde Muyard

COTAÇÃO: 

Chá das Cinco #112 - A eterna luta contra a pirataria

Papo sobre dois assuntos que se mesclam: A Netflix aumentou seu preço e várias empresas se uniram para combater a pirataria.
É? Boa sorte!

Presentes Patricia Balan, Ricky Nobre, Eddie Van Feu e Renato Rodrigues