quinta-feira, 21 de setembro de 2017

QUEM DESENHOU C@R$&%INHOS VOADORES NA NETFLIX?

por Renato Rodrigues
A Netflix tirou do ar o episódio 35 de uma série animada infantil (Maya the Bee) por um motivo muito curioso. Veja essa imagem:


Cara, QUEM VIU ISSO? E pior, QUEM desenhou isso?????

Os pais ficaram enlouquecidos e foram em cima da Netflix exigir satisfação. Imagina o atendente da Netflix recebendo as ligações: " A senhora achou no desenho O QUE?!?!?"

Aposto que isso foi obra de algum animador escravo coreano que ganhava uma merreca e decidiu se vingar do contratante, kkkkk

MAS A PERGUNTA CONTINUA:

 

quarta-feira, 20 de setembro de 2017

MÃE! PERTURBADOR, APAVORANTE E BRILHANTE!

Por Eddie Van Feu 


De tempos em tempos, surge um filme que dá uma mexida na gente. Quanto mais tempo passa, mais difícil é encontrar um desses filmes porque você já está preparado para as surpresas que outros filmes já mostraram. Na segunda-feira, Ricky Nobre e eu fomos na cabine de imprensa do filme Mãe! Nós saímos do cinema totalmente desnorteados e só não paramos e sentamos em algum lugar porque nossas obrigações nos chamavam.



Mãe! é um filme de terror. Não espere um terror tradicional, com sustos apoiados em truques de som e clichês como gatos pulando de dentro do armário. Mãe! é um terror visceral, apavorante e que gera uma angústia tão profunda que tive vontade de levantar e sair do cinema várias vezes. Mas não sair andando, com classe, mas sair dali gritando e correndo como uma mulherzinha!



No início, somos apresentados a um simpático casal (Javier Bardem e Jennifer Lawrence) que mora sozinho em uma casa que sofreu um recente incêndio. Enquanto ele, um escritor que tenta vencer uma crise criativa de inspiração, ela se dedica a reformar a casa. Um dia, um estranho chega e muda a rotina do casal. Depois dele, chega a esposa. E depois, seus filhos. E então nunca mais para de chegar gente naquela casa!



Nós vamos acompanhando tudo pelos olhos dela e, como ela, ficamos confusos, chocados e, finalmente, irados com a falta de noção das pessoas. Durante todo o filme eu procurei explicações para o que estava acontecendo, mas não encontrei.



Depois que saímos do cinema, perdidos e meio trôpegos, trocamos algumas palavras no metrô, ainda muito confusos. Horas depois, quando eu tinha me desligado completamente do filme e já estava envolvida com as tarefas da cozinha, eu entendi! E foi como se duas paredes tivessem caído e me revelado parte de um cenário completamente novo. Eu falei com Ricky e ele ficou chocado. Mais tarde, eu estava na academia e uma terceira parede caiu quando eu não estava mais pensando nisso e eu percebi mais uma informação. E então Ricky me ligou e derrubou a quarta parede! E foi quando desvendamos por completo o filme e sua mensagem. Foi como se ele precisasse de um tempo dentro de nós para atingir o ponto, como um bolo.


Infelizmente, eu não posso falar nada sobre nossas descobertas, porque não seria justo com você. Eu realmente acho que você deva ver esse filme, mesmo que não goste de filmes de terror. E deve se desafiar a sobreviver às cenas de tensão e angústia e se abrir para o que ele realmente quer dizer. Muita gente vai sair do cinema reclamando porque não vai entender, outros vão fingir que entenderam, mas eu acredito naqueles que vão entender de verdade permitindo que a história penetre em si mesmos como água na terra.



Eu também indico que você não procure saber muito sobre esse filme, já que nem todo mundo vai ter a cortesia de deixar que você mastigue sozinho sua própria comida. Vá sabendo o mínimo possível. Vá de coração aberto. Vá.



O diretor Daren Aronofsky escreveu boa parte do roteiro em apenas cinco dias em um tipo de surto febril que eu conheço bem, pois também já escrevi livros inteiros em poucas semanas. Michele Pfeifer não entendeu nada, mas gostou da personagem e quis fazê-la. E Jennifer Lawrence desistiu de outro projeto para se dedicar a esse de tão empolgada que ficou. Desnecessário dizer que o elenco dá um show. A fotografia é crua e bela e não é um filme que você vê e se dá ao luxo de esquecer.



Não... Esquecer esse filme não é uma opção. Não se esquece uma obra de arte, mesmo que ela seja extremamente perturbadora.








O ASSASSINO - O PRIMEIRO ALVO: UMA CATARSE BELA DE SE VER

Eddie Van Feu


Eu me lembro dos filmes de ação que meu pai adora até hoje, com o típico herói que atira, bate, dá pernada, explode tudo e no final saía andando, depois de ter salvo o mundo mais uma vez. Mas não é só meu pai que gosta de um bom filme de catarse. Eu era fã de Máquina Mortífera, via filmes do Charles Bronson e até do Chuck Norris, embora sentisse falta de um colírio e um pouco mais de roteiro.



O Assassino - O Primeiro Alvo chega para corrigir isso e deixar todas as Eddies e pais de Eddies felizes! É um filme de ação que não negligencia a história, surpreende com bons pontos de virada e encontrou um colírio ideal para prender a atenção das moçoilas.

Mas vamos ao plot! Jovem apaixonado com uma vida inteira pela frente perde a noiva de maneira bruta e covarde em um ataque terrorista, e passa, a partir de então, a se dedicar a um ambicioso projeto de vingança.



Vendo o potencial do rapaz, a CIA o coloca em um projeto com um mentor durão que treina assassinos no meio do mato. E então temos o encontro do rebelde Mitch Rapp (Dylan O’Brien) com o relutante e carne de pescoço Stan Hurley (Michael Keaton).

O filme é baseado no primeiro livro de uma série do escritor Vince Flynn e chega aos cinemas nessa quinta-feira, dia 21 de setembro.



Então, vamos ao que eu achei. As lutas são excelentes, a fotografia é bonita e os efeitos são ótimos. A história é batida, mas nem por isso não deveria ser vista. Inovar a velha história de aprendiz rebelde com mentor durão é difícil, porque se inovar demais, perde a graça. Os atores emprestam um carisma importante aos personagens, que talvez fossem ralos sem o peso de um Michael Keaton e o carisma natural de Dylan O’Brien. Essas duas escolhas foram muito importantes.




A atualização para a triste realidade de um mundo em que pessoas numa praia são metralhadas por um bando de psicopatas que se escondem atrás de uma religião é interessante, mas certamente vai incitar a fúria de pessoas que acham que os pobres terroristas estão apenas defendendo sua religião contra o Ocidente mau. Mitch fala claramente que essa gente tem que ter uma morte horrível e dolorosa e a maioria vai concordar com ele, porque terrorista é igual a nazista e zumbi, pode matar a vontade que ninguém liga.



Para quem espera um filme inovador que abale todas as estruturas estabelecidas, sugiro ir ver outra coisa. Esse é o filme para você ver numa sexta-feira, depois do trabalho, com os amigos ou com a família, e vibre quando as coisas começam a explodir. É um filme para quem gosta de torcer pelos mocinhos e quer ver os bandidos se explodirem ao menos na tela do cinema.



 

E essa temporada de Game of Thrones, heim? (spoilers) - Chá das Cinco #167

ALERTA SPOILERS!!!! Os atrasildos aqui comentam hoje sobre essa 7 temporada de GoT. Foi mesmo maneira ou virou novela? 

 presentes Eddie Van Feu, Renato Rodrigues, JM, Ricky Nobre e Patricia "know nothing" Balan

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segunda-feira, 18 de setembro de 2017

GIRO DA SEMANA - Chá das Cinco #166


VOLTAMOS!!! Hoje tem mudança na direção de Star War, Bozo no Oscar, comédia baseada em Jornada nas Estrelas, tributo aos falecidos e "Estranhos no Paraíso" no Cinema.
Presentes os sumidos: Renato Rodrigues, Eddie Van Feu, Ricky nobre, JM e Patrícia Balan

quarta-feira, 13 de setembro de 2017

AMITYVILLE: O DESPERTAR - VERSÃO ADOLESCENTE QUE ASSUSTA

por Eddie Van Feu

Como rata de filme de terror desde criancinha (gosto herdado da minha mãe), eu achei que tinha visto todos os filmes de Amityville, até descobrir que não. São 12 filmes inspirados na casa onde ocorreu uma escabrosa história de homicídio em um subúrbio americano. O filho mais velho da família Defoe matou a tiros de carabina toda a sua família em 1974. Ele já tinha envolvimento com drogas antes, mas há vários detalhes estranhos nesse crime terrível. A casa na Avenida Ocean, número 112, ganhou fama de esquisita e, vamos combinar, com razão. Até o casal Warren (de Invocação do Mal #1 e #2) chegou a investigá-la, assim como uma série de outros médiuns e caça-fantasmas.




E eis que chega aos cinemas o 13º filme sobre a casa mais famosa do mundo. Amityville: O Despertar estava previsto para chegar em junho aos cinemas, mas acabou sofrendo atrasos e estreando nas telas em setembro. E o que esperar de mais esse filme de Amityville?



Vamos lá, a primeira coisa que vou lhe dizer é que o filme é bem interessante, com um alto nível de tensão e bons sustos, o que se espera de um bom filme de terror. Não é uma prequela, nem um reboot, mas uma história completamente nova nos dias de hoje. Uma nova família se muda para a fatídica casa. Uma mãe obcecada em manter um filho com morte cerebral em estado vegetativo consigo e suas duas filhas negligenciadas por esse amor doentio passam a viver momentos de pesadelo alternados com confusão mental e esperança, pois o irmão com morte cerebral começa a exibir melhoras. O filme é mais centrado na filha mais velha que acaba dando o tom de filme adolescente para a trama.




O filme é bom, com uma história intrigante e momentos de tensão genuína. Chegam a fazer menções aos filmes anteriores e um dos raros momentos de humor. O roteiro é bem legal e fiel ao que conheço do mundo místico/espiritual. Sempre que uma história se baseia em algo estudado ela ganha mais credibilidade. Os efeitos são perturbadores em alguns momentos e o fato de ter uma pessoa em estado vegetativo definhando em uma cama acaba sendo mais aterrorizante do que qualquer demônio.

Mas podia ser melhor. Falta humor e personalidade em quase todos os personagens. O melhor é Terrence, interpretado por Thoman Mann, personagem muito parecido com o Noah de John Karna da série Scream. Jennifer Jason Leigh está ótima como a mãe maluca obcecada, mas temos vontade de dar um soco nela. Já Bella Thorne está chatinha que só ela como a adolescente problemática. No fim das contas, o elenco não tem muito o que fazer sem texto. O filme não escapa de alguns clichês, mas é perdoável. O final é meio corrido e a explicação é narrada de forma pouco criativa, parecendo que foi feito às pressas.



O saldo é positivo! É um bom filme de terror que teria ganho muito com um texto melhor e personagens mais carismáticos. Fugir da velha história que todo mundo já conhece do maluco possuído que mata a família foi o maior acerto dessa versão 2017. Ah, sim! A versão dublada está muito boa e não aconselho a ver o trailer. Além de cenas que não existem no filme, ele fala demais. Vá na surpresa!

terça-feira, 5 de setembro de 2017

BAT-papo com o dublador MARCIO SEIXAS - VLOG Alcateia #111

Por conta da Bienal essa semana não tem CHÁ DAS CINCO. Mas eis que surge um VLOG ALCATEIA pré-feriado para vocês não esquecerem que a gente existe!

No início do ano 2000 entrevistamos vários dubladores para nossa revista "Séries TV e Cinema". Vamos aos poucos retomar essas conversas com pessoas tão queridas cujas vozes estão em nossas TVs e memórias afetivas. Logo, para começar, chamamos o primeiro entrevistado na época da revista, o dublador/locutor MARCIO SEIXAS. Bom divertimento!

PS: Nossa, que emblemático: "Há exatamente 25 anos, em 5 de setembro de 1992, Batman: The Animated Series estreava nos EUA."


sexta-feira, 1 de setembro de 2017

Nossos Micos e Histórias da Bienal - Chá das Cinco #165

Vamos dar uma paradinha no Chá das Cinco por conta da Bienal mas em meados de Setembro a gente volta. Para despedida fizemos um especial relembrando nossos micos e trapalhadas em todos esses anos nesta indústria vital que é a Bienal de Livros! Até breve! 

 com Eddie Van Feu, Renato Rodrigues, Ricky Nobre e Patricia Balan

 

quinta-feira, 31 de agosto de 2017

Sobre mudanças e adaptações polêmicas - Chá das Cinco #164


Também temos direito a um Vlog de MIMIMI uma vez por ano. Como vocês encaram certas mudanças em nome da representatividade? Você tem um limite para aceitar uma mudança radical num personagem que gosta?

presentes Ricky Nobre, Eddie Van Feu, Renato Rodrigues, Carlos Tavares, JM e Patrícia Balan

quarta-feira, 30 de agosto de 2017

Histórias da Bienal com a escritora Tatiane Durães - Chá das Cinco #163

Mais um bate-papo legal sobre os micos e as desventuras de se estar na Bienal de Livros. Hoje com a convidada Tatiane Durães, autora de três livros.

 

ESTAMOS ESCREVENDO

Estamos escrevendo para melhor servi-los! Com isso, vlogs e encomendas podem atrasar. Perdoem-nos o inconveniente, mas depois da Bienal tudo será regularizado. Aproveita e vai lá nos ver!

EDDIE VAN FEU E RENATO RODRIGUES
Relançando Lua das Fadas e Os Dragões de Titânia - A Batalha de Argos, agora pela Linhas Tortas.
Brindes, fotos, abraços e matança de saudades! Venha nos encontrar!
Estande da Distribuidora Loyola - Pavilhão Azul
Dias 2, 3, 7, 9 e 10 de setembro!





HORA DE REENCONTRAR OS AMIGOS DE BATALHA!


Incontáveis autores te esperam na Bienal do Livro Rio

E Eddie Van Feu e Renato Rodrigues estarão nos dois fins de semana e no feriado do dia 7, sempre a tarde, com as novas edições de Os Dragões de Titânia e Lua das Fadas além dos demais livros de fantasia da Editora Linhas Tortas!

Onde? Estande da Loyola, pavilhão AZUL (F05/G14). Passa lá para ver as novidades, ganhar os brindes, dar um alô e tirar uma foto com eles!

Bienal do Livro RIOCENTRO
Rua Salvador Allende 6.555
Barra

terça-feira, 29 de agosto de 2017

O que achamos de "Os Defensores" (SPOILERS) - Chá das Cinco #162

Demorou mas saiu nosso bate papo sobre os Defensores da Marvel/Netflix.  

presentes: Renato Cage, Ricky Murdock, Eddie Punho de Feu-rro,  Patricia Jones e Carlos Justiceiro

segunda-feira, 28 de agosto de 2017

Os 100 anos de Jack Kirby - Chá das Cinco #161

28 de agosto de 1917 nascia Jack Kirby, um dos mais importantes ilustradores americanos, co-criador junto a Stan Lee dos clássicos personagens Marvel e na DC dos Novos Deuses e do vilão Darkseid entre outros. Vamos prosear um pouco sobre o legado de Kirby no centenário do "REI".

presentes JM, Patricia Balan, Carlos Tavares, Renato Rodrigues e Ricky Nobre.

sexta-feira, 25 de agosto de 2017

DICAS DE SÉRIES - Chá das Cinco #160

Duas dicas para você assistir no fim de semana: "Breakout Kings" (tem na Netflix) e "O homem do castelo alto" (tem na Amazon Prime)

Com Eddie Van Feu, Carlos Tavares, Renato Rodrigues e Patricia Balan

quinta-feira, 24 de agosto de 2017

Álvaro de Moya - O cara dos quadrinhos - Chá das Cinco #159

JM conta como conheceu o jornalista Álvaro de Moya, falecido neste último 14 de agosto de 2017. Escritor, produtor, ilustrador e diretor de cinema e TV, Ávaro era antes de tudo, também um apaixonado especialista em histórias em quadrinhos.

quarta-feira, 23 de agosto de 2017

Escritora Mirella Ferraz e as tretas da Bienal de Livros - Chá das Cinco #158

A escritora-sereia Mirella apareceu para trocar histórias da Bienal de Livros com a gente. Intrigas? Conspirações? Micos? Tudo isso, hoje nesse vlog submarino

Com Eddie Van Feu e Renato Rodrigues

terça-feira, 22 de agosto de 2017

Obrigado, Jerry Lewis - Chá das Cinco #157

Vamos abrir o baú da Sessão da Tarde para contar um pouco dos nossos filmes favoritos do Jerry Lewis, comediante que fez parte da vida de toda a nossa geração

com a turma da saudade: Renato Rodrigues, Patricia Balan, Ricky Nobre, Eddie Van Feu e JM

segunda-feira, 21 de agosto de 2017

GIRO DA SEMANA - Chá das Cinco #156

Zoando o Punho de Ferro, Super Máquina, as conquistas da Mulher Maravilha, um escritor que virou diretor e duas perdas para o humor no DOSSIÊ SECRETO pra todo mundo.

com Renato Rodrigues, Eddie Van Feu, JM, Patricia Balan e Ricky Nobre

domingo, 20 de agosto de 2017

Não quero risadas ro-ro, quero risadas re-re!


MEU DEUS! ELES ESTÃO JUNTOS!
By Nanael Soubaim

    Quem foi Jerry? Bem, a biographia dele pode ser pesquisada à vontade pela internet, então falarei de minhas impressões deste ícone do gênero! Este ratinho malandro, que sempre fez o gato Tom de bobo... Hein? Não é esse Jerry? Tem outro? Ah, sim, me desculpem!

    Joseph Levitch, o judeu sério e irascivelmente perfeccionista detrás de Jerry Lewis, era o tipo de paciente que um psicanalista diagnosticaria facilmente como tendo dupla personalidade. Ele não fazia questão de esconder seu humor de urso faminto, na verdade o praticava com religiosa assiduidade. Durante os estudos para cada trabalho era de um tecnicismo que fazia qualquer um duvidar que aquele homem chato pra Corinthians, era o mesmo que fazia os colegas se molharem de rir durante as gravações.

    Há quem diga que quando juntos Jerry, Dean Martin e Audrey Hepburn, ninguém suportava o trio. Aqui, aliás, há um gancho para corrigir algumas injustiças de aprendizes de fofoqueiros. Jerry tinha um luto íntimo e coletivo, por conta do holocausto, que a Alemanha CONFIRMA OFICIAL E
CATEGORICAMENTE QUE ACONTECEU; ninguém puxa briga com a Alemanha e sai andando em linha reta. Audrey, já contei aqui, fazia parte da resistência à ocupação nazista na Bélgica, levando mensagens em suas sapatilhas. Ela não gostava de pessoas falsas, logo aquele aloprado arrumadinho das telas, tinha sim algum reflexo na vida real, só que o mau humorado típico e verdadeiro nunca dá o braço a torcer, não em público e não a qualquer um; leia-se: imprensa.

    A fidalga gostava de pessoas que a fizessem rir, mas não simplesmente gargalhar em um encontro social e depois virar a cara. Se eles se davam minimamente bem, meus caros, então o sacripantas não era tão má pessoa assim, pelo contrário. Se ela às vezes queria torcer seu pescoço? Com absoluta certeza, ela sempre foi assim com quem gostava, de quem não gostava ela preferia manter uma distância fria e civilizada.

   Dean não era uma muleta e tampouco um sub-Sinatra. Ele tinha personalidade própria, era um conquistador canastrão com cantadas surradas que, justamente por isso, funcionavam. Ninguém se previne contra o que parece ser inofensivo, por isso tanta gente pega gripe todos os anos. Ele foi o parceiro perfeito e contraparte ideal para os tipos ingênuos e desengonçados de Jerry. Os dois eram as caricaturas perfeitas do americano médio da época e, acreditem, eram o cidadão se reconhecia nos dois. Um era o que o americano acreditava ser, o outro o que no fundo realmente era e não admitia nem para o espelho. Até hoje é assim, e o brasileiro não é tão diferente dele para fazer pilhérias.

    Apesar de ter se desligado cedo demais, acredito para mim, dos grandes estúdios, ele continua a ser lucrativo para a Paramount, porque seus trabalhos vendem bem até hoje; e muito mais a partir de hoje, Elvis Presley e Michael Jackson que o digam! Os filmes dele sempre foram sucesso garantido na televisão. Os petizes, quando vêem seus filmes pela primeira vez, estranham e se assustam com o cenário da época, mas no fim se assustam mesmo é percebendo que as pessoas eram felizes sem esse monte de coisinhas cibernéticas de hoje. Ele é quase unânime, só desagradando mesmo à geração "mimimi olhar torto me ofende". Até quem o odeia gostava dele!

    Não é todo super astro lendário da era de ouro de Hollywood, que aceita fazer uma participação em um filme brasileiro, convidado por um maluco sem noção que faz o protagonista da trama. Ele fez mil exigências, mas todas elas foram irrisórias diante do resultado, e praticamente inexistentes para quem aproveitou a experiência única de ver a dupla personalidade emergir cada vez que contracenavam. Hassum, seu rabudo!

    Quanto às declarações polêmicas, provas de que ele tinha sim dupla personalidade, Lewis as assumiu, se desculpou e não tocou mais no assunto, embora a imprensa especializada até hoje esmiúce cada uma delas em todas as possibilidades inimagináveis, até que parem de dar audiência e patrocínio. O que mais queriam que ele fizesse? Que "desdissesse"? Quando indignado, não tinha jeito, o humorista sem noção emergia e evitava que ele soltasse algo bem mais grave do que o "politicamente incorrecto". Hoje, até dizer que não gosta de indie alternativo acústico folclórico milenar, pode ser ofensivo para alguém. Ele realmente estava coberto de razão, ontem, quando decidiu que não queria mais viver neste mundo insuportável.

    Algo que o alter ego mostrava bem, quase que em forma de parábola humorística, é o que hoje muita gente me reclama: se você é bom, então você é só um amigo, para romance as pessoas preferem quem as faz sofrer. É só uma das mazelas da sociedade que ele mostrava de forma escancarada. Podem ver isso em todos os filmes dele, em especial em "O Professor Aloprado", que tem as duas situações em um só personagem. Desculpe, Murph, seu trabalho é óptimo, mas o verdadeiro e legítimo nerd primordial, foi Lewis quem revelou ao mundo e interpretou como ninguém.


    A última polêmica é seu filme proibido "O Dia Em Que O Palhaço Chorou" de 1972, onde ele narra a tragédia de um palhaço judeu em um campo de concentração, que era obrigado a alegrar as crianças que esperavam para entrar na câmara de gás. Embora tenha financiado a obra e se divertido muito, fazendo palhaçadas e tirando o director do sério muitas vezes, ele a odiava. A considerou um lixo. Na verdade o que se acredita é que ele fez tão bem o papel, que se odiou por tê-lo feito. A boa notícia é que provavelmente estará nos cinemas até 2022, segundo especulam. Se é bom mesmo, só a estréia com acento agudo dirá, mas é certeza de que quem não gostar, ainda assim vai ver três ou quatro vezes só para apontar detalhe por detalhe e provar que não gostou; mesmo que tenha gostado.

    Ah, tá, eu não falei que ele fez parte da minha infância, que era o rei da Sessão da Tarde, que a Globo perdeu a graça depois que parou de exibir seus filmes, que ele era o verdadeiro e legítimo comediante... Talicoisers! Todo mundo já disse isso! E eu não sou todo mundo!

    Triste? Sim, estou, mas isso passa. A obra do mestre fica. Uma salva de gargalhadas para JERRY LEWIS!

sexta-feira, 18 de agosto de 2017

Sobre o filme "Annabelle 2" - Chá das Cinco #155

Esse tava com tanta uruca que até atrasou. Atrasou, mas saiu, veja aí o papo da Eddie Van Feu e da Patrícia Balan sobre o filme "Annabelle II"

quinta-feira, 17 de agosto de 2017

TOP 5 Filmes de Fim do Mundo - Chá das Cinco #154

O FIM ESTÁ PRÓXIMO... Então melhor fazer logo o nosso TOP 5 com os filmes de Fim de Mundo que mais nos marcaram. Deixe aí o seu nos comentários.

com Ricky Nobre, Eddie Van Feu, Patricia Balan e Renato Rodrigues



ANABELLE 2: A CRIAÇÃO DO MAL

Por Eddie Van Feu



Invocação do Mal revitalizou os filmes de terror ao contar uma boa história e fugir dos clichês óbvios do gênero. Criando uma legião de fãs que se apaixonaram por uma história envolvente e coerente, baseada em fatos reais, o filme teve uma sequência e um spin off. A sequência manteve a qualidade do primeiro, mas sua spin off, baseada em um dos elementos mais aterrorizantes do filme, a boneca Anabelle, não empolgou tanto, embora tivesse ótimos momentos. Anabelle 2: A Criação do Mal, chega para redimir seu predecessor e já diz a que veio no primeiro final de semana quando ficou em primeiro lugar na bilheteria nos Estados Unidos (arrecadando mais de 35 milhões de dólares). Então, o que você deve esperar de Anabelle 2?



Pra começar, é uma prequela, começando bem antes da história contada em Invocação do Mal. Uma freira e algumas meninas vão morar em uma casa afastada com um casal que perdeu a única filha. Coisas estranhas começam a acontecer e a boneca mais esquisita do mundo, Anabelle, está bem no meio de tudo, ao mesmo tempo que o fantasma da menina morta também parece perambular pelo lugar.
Os personagens do filme precisam urgentemente aprender a importância da comunicação. 

Então, vamos lá! Se você está no time de pessoas que achou o primeiro filme de Anabelle fraco, pode respirar aliviado. O segundo é melhor. Mas não quer dizer que não tenha alguns problemas.

Entre os pontos positivos, temos uma fotografia belíssima, um elenco simpático e cenas realmente assustadoras que fogem dos sustos de gato pulando do armário. Quando algo dá medo, acredite, é pra ter medo. A direção de David F. Sandberg, responsável pelo terror Quando as Luzes se Apagam, fez um bom trabalho e admito que em alguns momentos me flagrei com uma taquicardia. Na sessão a que fui, uma mulher que parecia ter entrado na sala errada, ria alto em todas as cenas de tensão, me desconcentrando um pouco. E mesmo assim eu fui envolvida pelo filme e sua atmosfera assustadora. Quando nem uma pessoa sem noção consegue te tirar do clima do filme, é porque ele tem algum mérito. Outro ponto positivo é como ele se liga a referências do universo que os fãs vão reconhecer facilmente.

Olha a Anabelle olhando pra ver se você vai deixar um comentário ou se ela vai ter que ir aí puxar teu pé...

O ponto negativo está no roteiro. Em vários momentos, os personagens não agem como uma pessoa (ou criança, ou freira, ou homem) normal. Quando você entra em um quarto assombrado e coisas muito estranhas começam a acontecer, você corre. Quando uma boneca amaldiçoada te persegue, você grita. E quando você esbarrar com a primeira pessoa que encontrar, você conta o que aconteceu! E quando uma menina assustada está confessando seus pecados e começa a contar uma experiência macabra, você como padre ou freira não interrompe a confissão e deixa a miserável contar até o fim. A falta de comunicação generalizada simplesmente não fazia sentido.

Dormir num quarto cheio de pedaços de bonecas pendurados no teto não parece ser uma boa escolha para criança nenhuma. 
Há também uma descontinuidade sem explicação em várias cenas que enfraqueceram muito o roteiro. Há uma sequência, por exemplo, em que uma personagem é levada gritando em uma cadeira de rodas através de uma área aberta e jogada dentro de um galpão. A poucos metros, cinco meninas brincavam e conversavam. Elas não ouviram nem viram nada por vários minutos, até o roteiro achar que elas já podiam voltar para a própria dimensão e correm para ver por que uma das órfãs está gritando dentro do galpão. Esse tipo de erro onde personagens perdem poder de ação para permitir uma cena de terror a poucos metros se repete algumas vezes e tira um pouco do senso de realidade, que é o grande barato desse universo de Invocação do Mal.
Bons momentos de suspense e susto genuínos garantem a diversão. 

Anabelle 2 é um bom filme de terror, como disse a Loba Patrícia Balan que assistiu comigo, ao invés de ser um ótimo filme que por acaso é de terror, como Invocação do Mal 1 e 2. Mas cumpre o que promete. Faz saltar da cadeira e acelera o coração.
Assistimos no Cinema 4DX do UCI do New York que ampliou a experiência com suas super cadeiras da Nasa cheias de efeitos e eu super indico, pois elas assustam, mas não distraem e você realmente se sente dentro do filme. Talvez nem todo mundo queria estar dentro de um filme com a Anabelle, mas nós adoramos!








Gênero: Terror
Direção: David F. Sandberg
Roteiro: Gary Dauberman
Elenco: Adam Bartley, Alicia Vela-Bailey, Anthony LaPaglia, Brad Greenquist, Brian Howe, Grace Fulton, Joseph Bishara, Karalee Austin, Kerry O'Malley, Liam James Ramos, Lotta Losten, Lou Lou Safran, Lulu Wilson, Mark Bramhall, Miranda Otto, Philippa Coulthard, Samara Lee, Stephanie Sigman, Talitha Bateman, Tayler Buck, Tyler A. Johnson
Produção: James Wan, Peter Safran
Fotografia: Maxime Alexandre
Montador: Michel Aller
Trilha Sonora: Benjamin Wallfisch
Duração: 109 min.
Ano: 2017
País: Estados Unidos
Estreia: 17/08/2017 (Brasil)
Distribuidora: Warner Bros
Estúdio: Atomic Monster / New Line Cinema

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Os "julgamentos" na Internet - Chá das Cinco #153

Gravamos esse semana um vídeo que trata de um desses típicos julgamento pela Internet. Depois da gravação nós continuamos conversando em OFF e eu gostaria de compartilhar parte desse papo com vocês

com JM, Patricia Balan, Ricky Nobre, Eddie Van Feu e Renato Rodrigues

terça-feira, 15 de agosto de 2017

Sobre o infame "Dossiê Marcio Seixas" - Chá das Cinco #152

Quem acompanha notícias sobre dublagem foi surpreendido com as acusações desleais contra o dublador Marcio Seixas em diversos videos. Ouvimos quase todos e gostaríamos de falar em defesa de Seixas e também sobre a falta de "interpretação de texto" de quem frequenta Internet.

Com Renato Rodrigues, Eddie Van Feu, Patricia Balan, Ricky Nobre e JM

segunda-feira, 14 de agosto de 2017

GIRO DA SEMANA - Chá das Cinco #151

Remake de "Os Monstros", a foto do Cable, as dívidas da Netflix, a possível volta de Constantine e outras coisinhas estão no resumão das notícias da semana que passou com Eddie Van Feu, Patricia Balan e Renato Rodrigues!

 

sexta-feira, 11 de agosto de 2017

Você tem alguma mania meio... maluca? - Chá das cinco #150

De perto ninguém é normal! Então vamos confessar algumas de nossas manias do dia-a-dia. Coloque aí nos comentários as suas!

presentes os loucos: Patricia Balan, Renato Rodrigues, Eddie Van Feu e Ricky Nobre

 

quinta-feira, 10 de agosto de 2017

GIOVANNA: O MUSICAL - UMA SURPRESA APLAUDIDA DE PÉ


por Eddie Van Feu
O musical Giovanna, sucesso em São Paulo, chega ao Rio em curta temporada com um show de talento em uma história simples, mas comovente. Baseado no romance espírita de Leon Denis, a peça foi adaptada por Paulo Afonso de Lima e Bel Bianchi, que também dirigiu. Nas cercanias de Milão, em uma cidadezinha chamada Lombardia, um nobre francês e desiludido chega procurando por amigos de seus pais. É recebido pelo animado casal de ciganos Lucia e Genaro e acaba por conhecer um anjo em terra, a bela e boa Giovanna. Considerando que os dois são as pessoas mais bonitas da Itália, é claro que se apaixonam, enquanto Lucia persegue implacavelmente Genaro, que não é fã de casamento.



A peça, que não conta com patrocínio, alterna momentos delicados e doces, cheios daquele romantismo exacerbado do primeiro amor, com cenas de humor e alegria. Ao mesmo tempo, joga na plateia questionamentos que todos temos sobre a vida, a morte, Deus e a dor.



Renato e eu chegamos em cima da hora e achei que ia perder o início da peça de novo (porque perdi o início de Les Miserábles). Felizmente, fui atendida a tempo e ainda entrei feliz! A moça da bilheteria me reconheceu como youtuber e era assinante do meu canal, o que me deixou toda boba. Não sabia o que esperar da peça e confesso que me surpreendi com o talento a que fomos expostos em pouco mais de uma hora de espetáculo.



Usando músicas do cancioneito popular italiano, as vozes dos atores-cantores preenchem o teatro com muita emoção. Sofia Toscano no papel título tem uma voz cristalina e afinada, enquanto que Ananda Ismail como Lucia esbanja espontaneidade e voz com seu parceiro Victor Gorlach, o Genaro. Christian Villegas vai do francês deprimido ao jovem apaixonado com facilidade e canta muito (porque não basta ser lindo, tem que humilhar). As músicas são variadas, indo da ópera clássica ao pop. Se você não entende italiano, não se preocupe. Dá pra aproveitar cada minuto e entender a peça assim mesmo.


A peça fica em cartaz apenas neste mês, às quartas e quintas, no Fashion Mall. Aproveite! Aqui em casa já iremos de novo, dessa vez levando a sogra que ficou super curiosa!

Cotação dos Lobos:






Adaptação: Paulo Afonso de Lima
Adaptação e direção geral: Bel Bianchi
Direção Musical: Patrícia Evans
Direção de Movimento e Coreografias:Arthur Rozas
Elenco: Christian Villegas, Sofia Toscano, Victor Gorlach, Ananda Ismail Areka, André Sigaud, Beatriz Erthal




Temporada: 2 a 31 de agosto
Dias e horário: Quartas e quintas ― 21h
Entrada: R$ 60 (inteira) / R$30 (meia: incluindo 1kg de alimento não perecível)
Classificação: Livre
Produção: A Serpente
Duração: 80 minutos
Vendas on-line via site Tudus.
Teatro Fashion Mall
Estrada da Gávea, 899 ― São Conrado ― Rio de Janeiro
Facebook: https://www.facebook.com/musicalgiovanna/

Esse foi o dia que fomos! Estamos ali no meio, no escuro, muito felizes!



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VALERIAN E A CIDADE DOS MIL PLANETAS: A fina arte de amar e odiar Luc Besson


Por Ricky Nobre


O francês Luc Besson já era um nome de destaque nas rodinhas cult lá pelos anos 80, principalmente pelos seus primeiros filmes como Subway e Imensidão Azul. Mas foi com Nikita em 1990 (posteriormente refilmado à exaustão) que Besson começou a abrir seu caminho para o grande público. De lá pra cá, sua filmografia, repleta de grandes sucessos e fracassos, deu a Besson a fama de cineasta que você “ama ou odeia”. Sendo, sem dúvida, o cineasta francês mais popular do mundo, seus filmes costumam ser uma bizarra mistura de sua personalidade, linguagem e visão de mundo tipicamente francesas e uma habilidade e gosto pela grandiosidade hollywoodiana como poucos têm. Com a honrosa exceção de León – O Profissional (1994), um filme rigorosamente perfeito sob qualquer ponto de vista concebível, os filmes de Besson costumam reunir em si mesmos os piores defeitos e as melhores qualidades. Seu recente Lucy (2014), com Scarlett Johansson, consegue momentos do mais absoluto brilhantismo e da mais profunda imbecilidade, e talvez seja sua obra que melhor simboliza esses extremos. A maioria escolhe um lado: ou ama as qualidades ou odeia os defeitos. Poucos são os que percebem que, para assistir Besson, é preciso saber amá-lo e odiá-lo ao mesmo tempo e aprender a sair do cinema com essa sensação de esquizofrenia emocional. 

 

Vinte anos depois daquele que foi seu maior sucesso, o clássico O Quinto Elemento (1997), Besson volta não só à ficção científica mas também à estética quadrinística. O Quinto Elemento reproduziu à perfeição o visual e a atmosfera dos quadrinhos de ficção científica franceses, especialmente os da revista Metal Hurlant, que posteriormente ganhou o mundo como a famosa Heavy Metal. Agora, Valerian e A Cidade dos Mil Planetas adapta a história em quadrinhos Valerian: Agente Espaço-Temporal, lançada a exatos 50 anos na França, que causou um impacto tão grande a ponto de inspirar a criação da própria Metal Hurlant, muito do visual e ambientação de Star Wars e o próprio Quinto Elemento de Besson, que chamou seu criador e desenhista Jean-Claude Mézières para, junto com Moebius, criar o visual do clássico de 1997. 

 

Como fã dos quadrinhos desde garoto, Besson realiza seu sonho de juventude ao realizar uma livre adaptação do sexto álbum da série, O Embaixador das Sombras. Nele, acompanhamos os agentes especiais Valerian (Dane Dehaan) e Laureline (Cara Delevigne) que precisam desvendar o desaparecimento de tropas federais num setor específico de Alpha, uma estação espacial gigante onde convivem espécies inteligentes de toda a galáxia. O caso parece ligado a um “artefato” roubado que os dois recuperaram, e a ânsia do comandante Arun Filitt (Clive Owen) em resolver a questão de forma violenta os coloca em alerta. Quando o comandante é sequestrado, eles precisam se embrenhar nos recantos mais sombrios de Alpha para resolver o mistério. 

 

As duas primeiras sequências de Valerian são deslumbrantes. Sim, DESLUMBRANTES, sem qualquer utilização leviana da palavra. De início, ao som de Space Oddity de David Bowie, vemos o nascimento da estação espacial Alpha na órbita da Terra na década de 1960, até ela sair de órbita, habitada por seres de diversos planetas, numa mensagem de profundo otimismo na união, entendimento e cooperação entre os povos. Em seguida, passamos para uma belíssima paisagem alienígena, onde nativos vivem em total comunhão com a natureza, sem saber que um trágico destino se aproxima. Cada fotograma dessa sequência parece painéis de quadrinhos que ganham vida! Logo em seguida, porém, os problemas começam e eles são, tragicamente, os personagens principais. 

 

Originalmente nos quadrinhos, Laureline não foi concebida como personagem fixa, mas sua participação na primeira saga do herói Valerian foi tão bem recebida que Pierre Christin e Jean-Claude Mézières decidiram mantê-la como “sidekick”. Com o tempo, sua importância nas histórias foi crescendo, até que em 2007 o título da publicação mudou para Valerian e Laureline. Aliás, foi uma oportunidade perdida por Besson ao dar título ao filme e incluir o nome da heroína. Mas esse é o menor dos problemas. Nos quadrinhos, a dupla é uma mistura de parceiros, melhores amigos e amantes intermitentes, com uma certa tensão hierárquica por ele ser um major e ela sargento. No filme, tentou-se forjar uma relação de amizade e intimidade já estabelecida a partir de anos de aventuras pregressas, as quais, obviamente, não vemos. Porém, qualquer leveza ou profundidade no relacionamento dos dois são imediatamente pulverizadas por insistentes avanços sexuais de Valerian sobre Laureline, que o recusa sistematicamente, não porque ele não a interessa, mas por ele manter uma gigantesca “playlist” (?????) de mulheres com as quais ele já se relacionou e ela não quer ser apenas mais uma de uma imensa lista que já passou por sua cama. Ele então insiste, mesmo que eles não tenham trocado sequer um beijo, que ela se case com ele, para provar que ele a ama de verdade. Esse mote tosto, ainda mais toscamente escrito, é repetido ao longo do filme, tornando o relacionamento dos dois, um dos pontos mais importantes dos quadrinhos originais, uma piada ruim. Aliás, a suposta “mulhereguice” de Valerian é apenas uma informação dada, já que em momento algum vemos nada sobre isso em suas ações (em dado momento, ele até meio que baba por Rihanna, mas, afinal, quem nunca?).

 

Como heróis, os dois se saem muito melhor e não fazem feio nas ótimas cenas de ação. Mesmo assim, há algo de excessivamente superficial na construção dos dois, por mais que a “síndrome-do-personagem-de-papelão” seja algo já previsível no filme. O “casting” não ajuda nem um pouco. Delavigne não lembra muito Laureline, originalmente ruiva de cabelos curtos, mas é uma representante digna das tradicionais mulheres fortes e “kickass” de Besson, ainda que seja provavelmente a menos memorável de uma longa linhagem que inclui as inesquecíveis Nikita, Mathilda e Leeloo. O caso de Valerian é bem mais sério. Ainda que o personagem dos quadrinhos tenha certo histórico de insubordinação e descontrole, ele é, na maior parte do tempo, disciplinado e tende a cumprir as ordens que recebe, mesmo que elas sejam contrárias ao seu senso ético, enquanto Laureline é mais rebelde e tende a insistir que Valerian faça o que é certo, independente das ordens. Essa diferença, aliás, é surpreendentemente bem representada em determinada altura do filme. Mas, em sua maior parte, o Valerian de Dane Dehaan se assemelha mais a um garoto fanfarrão e arrogante, com pouca o nenhuma empatia com o público (fanfarronice da qual Laureline, em certa medida, também não escapa). O fato do ator já ter 31 anos mas parecer ter 19 não ajuda em nada, sendo seu “physique du role” a cereja do bolo formado por um roteiro, direção e interpretação que foram incapazes de tornar o personagem-título alguém com quem o público realmente se importasse. Ainda que bastante falha em sua composição, Laureline acaba sendo a âncora que segura o pouco interesse do público na dupla de heróis. 

 

A grande surpresa acaba sendo a Bubble, encarnada por Rihanna. O que esperava-se ser meramente uma personagem decorativa, acaba sendo uma das coisas mais legais e bem pensadas do filme, a ponto de conseguir gerar uma mínima faísca que seja de simpatia e humanidade de Valerian. Aliás, não apenas Bubble, mas todos os alienígenas da raça tribal mostrada no início do filme, o trio de fofoqueiros espaciais que negocia informações com qualquer um que pague, tudo parece mais legal que a dupla central, principalmente quando o papo pseudo romântico dos dois volta à tona, em momentos que são uma verdadeira tortura mental.

 

Ao longo de Valerian e A Cidade dos Mil Planetas, o que não falta são boas ideias. Muitas, aos borbotões, muito mais do que seria humanamente possível desenvolver ao longo de 137 minutos. Tantas que Besson preferiu simplesmente ignorar completamente as viagens no tempo, um dos elementos centrais da série nos quadrinhos. Mas muito fica apenas sugerido, como uma certa distopia no fato de que o lindo sonho de prosperidade e união representado pela estação Alpha não foi capaz de afastar as guerra, a mentalidade bélica destrutiva, atividades criminosas e uma grave crise econômica, além de um interessante comentário sobre consumo como forma de turismo (a sequência do mercado é, à propósito, sensacional!). Em sua totalidade, o filme é abundante em ideias e mensagens, na melhor tradição de Star Trek, sobre humanidade, sobre amor, cooperação e união. Você até vê isso sugerido na dupla central de heróis, mais você não SENTE. A grande e devastadora falha de Valerian é ter protagonistas que não representam a alma do filme. 

 

Valerian e A Cidade dos Mil Planetas chegou com a incumbência quase natural de ser o Quinto Elemento dessa geração. Em determinada medida, tem tudo para conseguir e, até certo ponto, superar o clássico colorido dos anos 90, principalmente pela utilização constante porém mais contida do humor, cujo excesso deu a O Quinto Elemento uma sensação mais de paródia ou mesmo de comédia rasgada. O que faltou a Valerian e sobrou em Quinto Elemento foi uma dupla central carismática e irresistível, como foram Korben e Leeloo. O filme francês mais caro de todos os tempos (177 milhões de dólares), que Besson escolheu rodar em inglês visando melhor penetração no mercado americano, não vai bem nas bilheterias dos EUA e segue apenas razoável ao redor do mundo, tendo arrecadado, após três semanas, apenas metade do seu custo, pondo em cheque os planos de Besson para uma trilogia. É fácil amar ou odiar Luc Besson e seu novo filme. Difícil é segurar essa barra que é amá-lo e odiá-lo ao mesmo tempo.

 

VALERIAN E A CIDADE DOS MIL PLANETAS (Valérian et la Cité des Mille Planètes, 2017)

Com: Dane DeHaan, Cara Delevingne, Clive Owen, Rihanna, Ethan Hawke e Herbie Hancock.

Roteiro e direção: Luc Besson

Fotografia: Thierry Arbogast     

Montagem: Julien Rey

Música: Alexandre Desplat

COTAÇÃO: