quinta-feira, 22 de junho de 2017

Chá das Cinco #114 - Qual ator você já malhou e depois se arrependeu?

Sabe quando indicaram um ator/atriz para um papel e você xingou muito no twitter? Daí quando viu no cinema quebrou a a cara? Vamos confessar nossos pecados passados mostrando que não entendemos nada de nada nessa vida!

Equivocados de hoje: Renato Rodrigues, Eddie Van Feu, Ricky Nobre, Patricia Balan e JM

PODIA SER UM FILME MAU QUE NEM PICA-PAU... MAS...

por Renato Rodrigues
O Pica-pau é um dos melhores desenhos que existem? Lógico! E pode render um bom filme longa? Hummm... talvez...

Vamos ver o trailer?




É... bom.... Pelo trailer vai ser um filme pra molecada mesmo! São só piadas físicas manjadas para crianças. E aqui no Brasil nem se deram ao trabalho de chamar o recente dublador dos desenhos (Marco Antonio Costa).

Podiam investir em mais piadas citando os desenhos (Muitas até já viraram memes). Pelo trailer o filme parece tão sem conteúdo que a promoção está toda sendo feita em cima da participação de uma atriz brasileira no elenco (Tainá, Thailá, Talula, não seu o nome e não me interessa também)

Acho que os pais (que cresceram com o desenho) ficarão entediados, então espero que os filhos pequenos ainda assistam Pica-Pau na Record para poder curtir o filme.

Se o vilão não terminar o filme descendo as cataras num barril eu peço meu dinheiro de volta! Mas não tenho muita esperança disso acontecer, no fundo os produtores só pensam mesmo é nisso:

quarta-feira, 21 de junho de 2017

FRANTZ: as feridas abertas da guerra.


Por Ricky Nobre


O filme de guerra é um gênero que existiu desde que existe cinema. O óbvio cenário na imensa maioria deles é, evidentemente, o campo de batalha, seja ele alguns milênios antes de Cristo ou em algum conflito ainda existente nos nossos dias. Poucos, entretanto, se concentraram na guerra depois da guerra, na vida das pessoas depois que cessa o fogo, sendo Os Melhores Anos de Nossas Vidas (1946) e Amargo Regresso (1978) dois dos mais famosos exemplos. O mais recente filme de François Ozon, o mais popular cineasta francês dos últimos anos, retrata justamente esse drama da dolorosa adaptação de um povo após a guerra, seja dos combatentes, seja dos familiares que perderam filhos, maridos e pais. 

 

Em 1919, após a Primeira Guerra Mundial, a jovem alemã Anna (Paula Beer) vive enlutada pela morte de seu noivo Frantz no conflito, enquanto mora com seus sogros, que a acolhem como filha. Uma dia, numa das rotineiras visitas ao túmulo do noivo, Anna vê um estranho que traz flores e presta homenagens a Frantz. Após alguns dias, o rapaz entra em contato com a família e se apresenta como Adrien (Pierre Niney), jovem francês que foi amigo de Frantz em Paris. Inicialmente, o pai de Frantz repele violentamente o rapaz por causa da rivalidade entre a Alemanha e a França na Guerra. A mãe e Anna, porém, acolhem o rapaz, atraídas pela forte ligação que ele parece ter com o saudoso filho e noivo, o que acaba levando o próprio velho pai a aceita-lo também como amigo da família. Em meio ao preconceito dos moradores da pequena cidade com a presença de um francês entre eles, a relação entre Adrien e a família de Frantz, especialmente Anna, se estreita e intensifica, enquanto a real natureza da ligação entre Adrien e Frantz permanece nebulosa, e esta revelação pode trazer consequências irreversíveis para todos. 

 

O principal desafio de Ozon em Frantz (na realidade, uma refilmagem não creditada de Não Matarás, de 1932) parece ser o de celebrar a vida numa obra com a sutil mas constante presença da morte. Anna vive um luto sem fim pelo noivo e sua alegria e desejo de viver desapareceram. Adrien é um jovem de aparência extremamente frágil, tanto física quanto emocionalmente, e seu desejo por uma conexão com a família de Frantz parece ser sua única razão de viver. Na mesma medida, a alegria e o riso voltam à casa de Anna e seus sogros com a presença do jovem francês que conta histórias dos dois amigos em Paris. Conforme os fatos se desenrolam e informações se revelam, Ozon expõe a tragédia e a insanidade da guerra à medida em que o ódio e a morte se estendem e cristalizam até anos depois da violência brutal das batalhas. Uma insanidade desumana capaz de trazer desejo de morte até para os que sobreviveram. 

 

A fotografia em preto e branco simboliza essa ausência de vida e ganha força justamente nas poucas cenas em cores que, inicialmente, parecem representar a alegria que a memória de Frantz traz mas, na realidade, simboliza o próprio personagem e sua presença na vida dos que ficaram. O grande desafio dos personagens não é apenas viverem após a perda e a tragédia, mas também com as próprias escolhas que fizeram. No restaurante em que o pai de Frantz (que vive atormentado pela culpa de ter insistido para que o filho se alistasse) se reúne com os amigos, ele repele os comentários rudes dos companheiros em relação a Adrien e a acolhida que o velho deu a um francês, que para eles é, obviamente, algoz de jovens soldados alemães. O pai repreende os amigos dizendo: “Quando nossos filhos matam mil franceses, nós comemoramos bebendo cerveja. Quando jovens franceses matam mil alemães, os pais deles comemoram bebendo vinho. Somos uma geração de pais que bebe à morte dos filhos”. Ano que vem, completará 100 anos do fim da Primeira Guerra Mundial e Ozon nos desafia a encontrar as diferenças entre o drama de seus personagens e a forma como se lida hoje na guerra com a morte dos nossos e do outro. 

 


FRANTZ, 2016.
Com: Pierre Niney, Paula Beer, Ernst Stötzner, Marie Gruber e Cyrielle Clair.
Direção: François Ozon
Roteiro: François Ozon e Philippe Piazzo (baseado no filme de Ernest Lubitsch “Não Matarás”, 1932)
Fotografia: Pascal Marti
Montagem: Laure Gardette
Música: Philippe Rombi

COTAÇÃO: 

Chá das Cinco #113 - Relembrando Akira (O mangá e o longa)

A editora JBC está trazendo de volta os mangá Akira e aproveitamos para relembrar a febre que foi o longa animado e os quadrinhos lançados pela Ed. Globo na época.
Será que ele passou no teste do tempo?

Presentes: Eddie Van Feu, Ricky Nobre, Patricia Balan, JM e Renato Rodrigues

terça-feira, 20 de junho de 2017

A GAROTA OCIDENTAL - ENTRE O CORAÇÃO E A TRADIÇÃO: sobre o que é ser mulher no islamismo e no mundo.


Por Ricky Nobre


Falar sobre islamismo no mundo atual já é um ninho de vespas. Quando é colocada a questão da mulher islâmica na equação, isso se eleva a uma complexidade que não cabe nas simplistas discussões de internet repletas da achismos. O que há de brilhante e indispensável em Garota Ocidental - Entre O Coração e A Tradição (como é infeliz esse subtítulo brasileiro...) é a forma como o roteirista e diretor Stephan Streker constrói um painel complexo e preciso da realidade da vida de famílias de religião muçulmana na Europa, em especial a realidade feminina nesse contexto. E isso de forma simples, fluida, sem arroubos de pretensão, porém, não menos dramática.

 

Zahra é uma jovem de 18 anos, de família paquistanesa que mora na França. Grávida do namorado, pretende fazer um aborto, sob a aprovação da família, que se coloca como muito mais flexível nos costumes do que seus compatriotas. Zahra, porém, tem sérias dúvidas sobre se deve ou não ir adiante, ainda que o namorado não queira de forma alguma assumir o filho caso ela o tenha. Zahra vai a clínica, mas desiste na última hora, não avisando, contudo, a família. Logo em seguida, os pais decidem que ela precisa se casar com um jovem paquistanês, e apresenta três pretendentes a ela, deixando claro que estão sendo muito “modernos” por permitirem que ela escolha. Totalmente avessa à ideia de casamento, a jovem entra em colisão com a família e as reais diferenças entre a cultura paquistanesa e os valores e anseios da moça, criada inserida na cultura e realidade francesas, vêm à tona.

 

Garota Ocidental é repleto de pequenos detalhes que compõem um mosaico da realidade islâmica na Europa. A escolha de uma família de costumes mais “abertos” é essencial não só para desconstruir certos clichês e preconceitos, quanto para evidenciar choques culturais, que se intensificam, mesmo numa família de costumes menos rígidos. Os pais e o irmão compreendem Zahra quanto à perda da virgindade e a apoiam na questão do aborto. Mas, para eles, ter uma filha que permaneça solteira após os 18 anos é inconcebível. Talvez a decisão mais importantes de Streker ao escrever foi colocar todas as discussões e conflitos como questões culturais, sem que a questão religiosa assuma qualquer protagonismo. De fato, a própria Zahra é vista rezando constantemente e seus conflitos com o aborto têm muito a ver com sua preocupação com a alma do feto, e acabamos tento a impressão de que ela é a pessoa mais religiosa do filme, ao mesmo tempo que é a que mais deseja ser livre. Parece ser a intenção de Streker propor que o grande choque entre o mundo islâmico com o ocidente não é de natureza religiosa, mas cultural, afastando o conceito de que o islamismo é uma religião que se impõe aos costumes de maneira uniforme. 


É muito enriquecedora para o filme a forma como os personagens são construídos e se apresentam. O sofrimento profundo e real dos pais de Zahra com sua recusa ao casamento entra em colisão com prováveis preconceitos do público. Todos os envolvidos sofrem. Ainda assim, o filme faz questão de deixar claro que é nas mulheres que recai o peso das injustiças. 

 

No fim, a indignação com a injustiça é o principal ponto de ligação do drama de Zahra com o público ocidental. Em determinada cena, conversando com a irmã mais velha, Zahra se lamenta com tudo o que ela passa “não é justo”. “É claro que não é justo”, responde ela. “Somos mulheres. O que você esperava?”. O destino de Zahra sugere que, talvez, o drama, não apenas nas muçulmanas, mas de todas as mulheres do mundo não é assim tão diferente. 

 

NOCES, 2016

Direção e roteiro: Stephan Streker

Com: Lina El Arabi, Sébastien Houbani, Babak Karimi, Nina Kulkarni, Olivier Gourmet e Alice de Lencquesaing.

Fotografia: Grimm Vandekerckhove

Montagem: Jerome Guiot e Mathilde Muyard

COTAÇÃO: 

Chá das Cinco #112 - A eterna luta contra a pirataria

Papo sobre dois assuntos que se mesclam: A Netflix aumentou seu preço e várias empresas se uniram para combater a pirataria.
É? Boa sorte!

Presentes Patricia Balan, Ricky Nobre, Eddie Van Feu e Renato Rodrigues

segunda-feira, 19 de junho de 2017

Chá das Cinco #111 - GIRO DA SEMANA

Mais mudanças no filme da Liga da Justiça, curiosidades sobre o filme Colossal e o trailer desastroso dos Transformers no resumão das notícia da semana

Com Eddie Van Feu, Ricky Nobre, Patricia Balan e Renato Rodrigues

sábado, 17 de junho de 2017

PATERSON COM BOA BILHETERIA ESTREIA EM STREAMING!

por Eddie Van Feu

O longa de Jim Jarmusch estrelado por Adam Driver se destacou no cenário cinematográfico pelas ótimas críticas. Depois de ter alcançado 46 mil expectadores no cinema, o filme estreia em streaming! A obra retrata com delicadeza e melancolia o cotidiano de um motorista de ônibus que, nas horas vagas, escreve poesia, enquanto divide sua casa com a namorada que não sabe o que quer e seu buldoque Marvin em uma cidade pacata.



Veja o que diz a crítica:

Escorado numa estrutura sólida, redonda como também circular, "Paterson" desnuda o mito do artista como gênio, celebra a pretensa monotonia da América profunda e flagra a beleza nas coisas e gestos comuns – comentou Amir Labaki, da Folha de S. Paulo. A atuação de Driver também é um dos pontos altos do filme. Para os especialistas, o ator é “especial”. “Talvez ninguém, até aqui, tenha tirado tão bom partido dessa honestidade verdadeira de Driver, e de sua curiosidade como ator, quanto Jim Jarmusch”, completa a crítica da Veja, Isabela Boscov.



SERVIÇO

Paterson
Disponível à partir de 8 de junho
NOW (R$11,90) / VIVO PLAY (R$ 9,90) / Google Play (Compra R$ 29,90 Aluguel R$9,90) / iTunes (Compra US$6.99 Aluguel US$2.99)

NOW: Os assinantes da NET acessam o NOW pelo canal 1 da NET HDTV. Clientes NET e Claro HDTV também podem curtir em qualquer lugar, no site www.nowonline.com.br ou aplicativo para tablets e smartphones.

iTunes: Novidade - Desde a última atualização do iOS, com a versão 10.3.1, os usuários podem ter os filmes alugados disponíveis para serem assistidos em todos os dispositivos associados a seu ID Apple.

O download do aluguel pode ser feito em um dispositivo e transmitido em outro. Ou seja, se o filme for alugado no iPhone, também será possível transmiti-lo na Apple TV.


sexta-feira, 16 de junho de 2017

quinta-feira, 15 de junho de 2017

Chá das Cinco #109 - Sobre o filme "Colossal"

Hoje falamos de um filme pouco conhecido mas que vale muito a pena ser visto. Já está nos cinemas!!! 

Presentes Eddie Van Feu, Ricky Nobre e Renato Rodrigues



Sinopse: Gloria (Anne Hathaway) volta a sua cidade natal após perder o emprego e o noivo. Ao acompanhar as notícias sobre o ataque de um lagarto gigante a Tóquio, ela descobre uma estranha ligação ao colossal evento. 

quarta-feira, 14 de junho de 2017

COLOSSAL: um clássico cult instantâneo.


Por Ricky Nobre


Ousadia em arte pode ser cruel e ingrata. Sua ausência, por vezes, pode marcar um artista como medíocre ou, até mesmo, covarde. Por outro lado, apenas a ousadia bem sucedida recebe os louros da vitória. A mal sucedida costuma receber as pedradas de sempre, até mais intensas. Mas esse é o preço do risco, tanto na arte quanto na vida: se você experimenta é justamente porque não sabe o resultado. Isso não quer dizer que Colossal seja um exemplo de cinema experimental, isso é outra coisa. Mas o diretor e roteirista espanhol Nacho Vigalondo arriscou uma bizarra mescla de estilos que acabou gerando uma grande perda financeira após realizar os circuitos de festivais em 2016 e estrear comercialmente em 2017. Mesmo que o filme tenha sido surpreendentemente barato considerando os efeitos especiais que ostenta (meros 15 milhões de dólares), amargou uma arrecadação mundial de apenas 4 milhões! Pois é onde percebemos que a crueldade e a ingratidão na ousadia não param por aí: longe de ser a bomba que a performance na bilheteria sugere, Colossal é um filmaço!

 

Colossal é um filme que vale assistir sem saber o que esperar. Mas para quem quer ter uma ideia do seu conceito, basta dizer que ele é uma comédia romântica misturada com filme de monstros e robôs japonês que se desenvolve como um drama sobre alcoolismo e relacionamentos abusivos. Já desempregada por conta das noites seguidas de farra e bebedeira, a jornalista Gloria (Anne Hathaway) acaba tomando um pé do seu namorado inglês Tim (Dan Stevens), que põe suas malas feitas na porta. Voltando para sua pequena cidade natal, Gloria se reencontra com o amigo de infância Oscar (Jason Sudeikis) e acaba indo trabalhar no bar dele (excelente escolha para uma alcoólatra!). No meio disso, os noticiários são invadidos por informes de um gigantesco monstro que causou estrago em Seul, na Coréia do Sul, por alguns momentos antes de desaparecer. Com o tempo, Gloria começa a perceber que pode haver uma estranha conexão entre ela e o monstro.

 

O brilhantismo de Colossal vem da forma como ele se propõe a uma tarefa incrivelmente ambiciosa, como tornar essa premissa absurda ao mesmo tempo engraçada e dramática, e o faz de uma forma surpreendentemente despretensiosa. O roteiro sabe tirar o humor diretamente do absurdo da situação, assim como de fatos corriqueiros e das idiossincrasias dos personagens. Concomitante, Vigalondo arrisca de forma segura e sensível a explorar o drama de Gloria conforme ela vai tendo noção de que pode ser responsável por dezenas de mortes do outro lado do mundo. No sucesso dessa investida, Anne Hathaway foi imprescindível. Ela mostra total entrega desde os momentos mais patetas e constrangedores de sua personagem até os mais trágicos e desesperados, sendo a âncora que torna tudo, ao mesmo tempo, leve, hilário, dramático, visceral e crível. 

 

Vigalondo convida o espectador a embarcar numa premissa facilmente risível para depois envolvê-lo no drama da protagonista. Desde o simbolismo que liga um monstro interior ao alcoolismo até uma extraordinariamente bem construída alegoria sobre relacionamentos violentos e abusivos, Colossal tem o dom de emocionar numa comédia aparentemente tosca e absurda. Com muita inteligência e sensibilidade, ele mostra o quanto o vício e o abuso podem ser devastadores. Particularmente no caso do abuso, elabora com precisão como o drama da vítima é solitário e o quanto pode ser incompreensível para quem está de fora o porquê de alguém se submeter a essas situações. Mas apenas a vítima sabe que nível de chantagem e covardia é usado contra ela pelo abusador. 

 

Apesar da performance financeira extremamente pobre, Colossal tem arrancado elogios Por onde passa, sendo considerado um dos melhores filmes americanos independentes do ano. Com seu enorme charme, humor e substância, o filme irá, certamente, alçar-se ao status de cult à medida em que for lançado em home vídeo e, principalmente, nas plataformas de streaming (que é o que faz diferença hoje em dia, depois da exibição em cinemas). Faça um favor a si mesmo e embarque nesse filme que é, ao mesmo tempo, bobo, emocional, hilário e complexo.

 

COLOSSAL, 2016

Com: Anne Hathaway, Dan Stevens, Jason Sudeikis, Austin Stowell e Tim Blake Nelson.

Direção e roteiro: Nacho Vigalondo

Fotografia: Eric Kress

Montagem: Ben Baudhuin e Luke Doolan

Música: Bear McCreary

COTAÇÃO:

Chá das Cinco 108 - Minha experiência indo ver Cinema 4D

Eddie Van Feu conta como foi assistir "A Múmia" em 4DX no UCI da Barra. Vale a experiência? Presentes no bate papo estão Ricky Nobre, JM, Patricia Balan e Renato Rodrigues


TUDO E TODAS AS COISAS: amor e fofura.


Por Ricky Nobre


Não são novos os romances onde o casal tem como maior obstáculo alguma doença fatal. Na década de 70, Love Story levou multidões aos cinemas que se debulharam diante de uma Ally McGraw que ficava cada vez mais linda conforme a morte de aproximava. Na década de 90, uma Julia Roberts no auge da fama sofria ao lado de seu amor moribundo, no estrondoso sucesso Tudo Por Amor. Recentemente, A Culpa é das Estrelas atualizou o tormento dos enamorados que não têm a vida toda pela frente, mais uma vez, com enorme sucesso. Em vez de esperar mais umas duas décadas para retornar ao tema, a cineasta Stella Meghie quis investir numa versão bem mais leve e fofa da situação, onde os jovens adultos dão lugar a adolescentes e a morte é apenas uma possibilidade, não uma certeza. 


Assim como todos os demais filmes citados, Tudo e Todas As Coisas é baseado em um livro, este de autoria de Nicola Yoon. Maddy (Amandla Stenberg, a pequena Hue de Jogos Vorazes) é uma menina de 18 anos que vive confinada em casa com a mãe (Anika Noni Rose), tendo como únicas amigas a enfermeira Carla (Ana de la Reguera) e a filha desta, Rosa (Danube Hermosillo). Ela sofre de Imunodeficiência Combinada Grave, que a impede completamente de sair de casa e entrar em contato com qualquer coisa (ou qualquer um) que não tenha sido desinfetado. Tendo perdido o pai e o irmão em um acidente quando ela ainda era bebê, Maddy vive apenas com a mãe e seu mundo se restringe às conversas com as três únicas pessoas de sua vida, aos filmes que vê, aos livros que lê, à internet onde estuda e aos sonhos com o mar, que está a apenas cinco quilômetros de distância, mas ela não pode ver. Quando novos vizinhos se mudam para a casa ao lado, Maddy e o rapaz Olly (Nick Robinson) se apaixonam instantaneamente. Entre longas conversas de whatsapp e encontros clandestinos na sala, Maddy começa a tomar real consciência da vida que não poderá ter e logo ideias cheias de romantismo e vazias de inteligência serão inevitáveis. 

 

O filme possui elementos suficientes para uma abordagem mais hardcore, dura ou adulta, como o medo da morte e da perda, violência doméstica e o despertar da sexualidade. Provavelmente mirando no público adolescente, principais leitores do livro, o estúdio preferiu uma classificação PG-13, garantindo o livre acesso da garotada a partir de 13 anos ao cinema. Espertamente, a diretora Meghie repensou o peso temático da história e optou pelo inverso, realizando um filme bem mais leve do que muitos outros com classificação PG-13, e ela consegue isso através de seu casal de protagonistas e sua infinita fofura. Apesar do casal já ter 18 anos e que, no mundo real, provavelmente estariam trocando “nudes”, no filme eles sequer falam palavrão e, no total de suas atitudes e ideias, parecem bem mais jovens do que são, o que no caso de Maddy pode ser perfeitamente explicável pela sua falta de interação social. É como se o roteiro tivesse sido desinfetado da mesma forma que tudo mais que precisa entrar em contato com a protagonista. A inocência do casal pode irritar ou cansar parte do público, mas os atores vendem seus personagens tão bem e o clima de ingenuidade é tão bem construído pela direção (os encontros virtuais com o astronauta ao fundo são um ponto alto) que você é levado a aceitar que essa é a proposta temática e estética do filme e embarca.

 

Talvez o filme funcionasse melhor e fosse mais plausível se os personagens fossem mais jovens, com cerca de 15 anos (no livro Maddy tem 17 em vez de 18), mas isso impediria que os personagens conseguissem fazer determinadas coisas e também traria mais problemas a uma das principais reflexões do filme que é sobre o domínio que uma pessoa adulta possa ter sobre o próprio destino. Porém, talvez o único problema real do filme seja seu desfecho, onde tira-se da manga um fato que vai impactar pesadamente o destino do casal e a resolução da trama. Pode ser encarada como parte da mensagem do filme (o que de fato é) mas também pode ser vista como um artifício para suavizar (ou mesmo evitar) as consequências mais graves e óbvias. De qualquer forma, quem quiser curtir o romance apaixonado de um casal incrivelmente lindinho e fofo não vai se arrepender.

 

TUDO E TODAS AS COISAS (Everything, Everything, 2017)

Com: Amandla Stenberg, Nick Robinson, Anika Noni Rose, Ana de la Reguera e Danube Hermosillo.

Direção: Stella Meghie

Roteiro: J. Mills Goodloe, baseado no livro de Nicola Yoon

Fotografia: Igor Jadue-Lillo

Montagem: Nancy Richardson

Música: Ludwig Göransson         

COTAÇÃO: 

terça-feira, 13 de junho de 2017

Chá das Cinco #107 - Nossas lembranças da série BATMAN

Em homenagem ao eterno Adam West nos juntamos para falar da série que, mesmo esculhambando com o homem morcego, faz parte até hoje de nossas melhores memórias de infância!

Presentes Renato Rodrigues, Patricia Balan, Ricky Nobre, JM e Eddie Van Feu

segunda-feira, 12 de junho de 2017

Chá das Cinco #106 - GIRO DA SEMANA

O trailer do Pantera Negra, participações no filme da Liga, um filme sobre a vida do criados de mulher Maravilha e a volta da Mary Poppins estão no resumão das notícias de hoje

com Renato Rodrigues, Ricky Nobre, Patricia Balan e JM

 

sábado, 10 de junho de 2017

RIP Adam West

por Renato Rodrigues
Teve uma época em que a gente não ligava se o Batman era fiel aos quadrinhos ou não, se a trama fazia sentido ou se a escolha do ator era pertinente... A gente apenas sentava e assistia ao Batman na TV e pronto! Esse Batman é o Adam West, sempre sacaneado por seu seriado zoeira mas NUNCA esquecido como o primeiro homem morcego da nossa geração.

Ele se foi ontem, aos 88 anos, depois de uma longa batalha contra leucemia. Coloridas tardes de aventura se foram junto.

Bons tempos! Obrigado, senhor West!


sexta-feira, 9 de junho de 2017

Chá das Cinco #105 - Nossas lembranças da série da Mulher Maravilha

O povo aqui não é imortal que nem as amazonas, mas já tem um bocado de estrada. Vamos relembrar então o primeiro (E único) seriado da Mulher Maravilha, uma obra que só nosso amor incondicional por Lynda Carter explica. 

Presentes Eddie Van Feu, Renato Rodrigues, Patricia Balan e Ricky Nobre

 

A MÚMIA - Ação, humor e Tom Cruise em projeto ambicioso


por Eddie Van Feu
O primeiro filme de um projeto interessantíssimo da Universal traz Tom Cruise como um soldado picaretas com sérias tendências larápias às voltas com um artefato egípcio que se recusa a permanecer morto. Se você espera um filme de terror, talvez a obra não o agrade. Mas se você se contenta com uma divertida aventura que relembra A Múmia de Brendan Fraser, aí você pode comprar seu ingresso sem medo.

Quando comecei a ver, reconheci imediatamente várias semelhanças com A Múmia de 1999, filme que ressuscitou os filmes de terror B com bom gosto, aventura e humor. Mas não é uma simples chupação. A Universal se muniu de uma coragem e inteligência que a DC não tem e resolveu criar um universo de monstros. Não satisfeita em unir Drácula, a Múmia, o Lobisomem, Frankestein, o Homem Invisível, Doutor Jeckyll e Mr Hide, a Universal entrega que esse Universo é o mesmo em que A Múmia de 1999 aconteceu. Não só pelas similaridades, mas pelo easter egg que mostra o Livro dos Mortos em uma das cenas.

Tom Cruise assumiu que é um grande fã da Múmia de Brendan Fraser e que o acha um ótimo ator, o que deixou fãs da Múmia como eu super felizes. Imaginar um universo compartilhado de monstros é algo que aquece os fãs de filmes de terror e clássicos. A Múmia dá o pontapé inicial nessa série ambiciosa, uma vez que conta com gigantes como o próprio Tom Cruise, Russel Crowe, Johnny Depp e Javier Bardem. Um deles já aparece. A escolha para interpretar o Médico e o Monstro não podia ser melhor do que o ator australiano que em uma hora está tocando violão e cantando e no momento seguinte está jogando cadeiras em jornalistas e é muito legal vê-lo com Cruise na tela.


Divirta-se!
Com humor rápido e muita ação, A Múmia é uma divertida aventura com poucos momentos realmente assustadores. Há alguns ecos, propositais ou não, como o amigo fantasma de Um Lobisomem Americano em Londres, que dá um ar de nostalgia ao filme inteiro. Porém, apesar de usar referências diversas, o filme surpreende com uma trama ágil e pontos de virada interessantes. A Múmia que ganha vida com Sofia Boutella, poderia ser mais assustadora e nesse ponto o ator Arnold Vosloo acaba ganhando na comparação. Russel Crowe preenche a tela com sua presença e Tom Cruise continua em forma (eu não sei o que ele anda tomando, mas quero dois!).

A ideia de Dark Universe é reunir os monstros em uma série de filmes no mesmo universo, a exemplo do que fazem a Marvel e a DC. Finalmente, alguém notou que o público consegue (e deseja) acompanhar esse tipo de experiência. A Múmia abre bem o cardápio e o apetite.



Cinema 4XD
A pré-estreia do filme foi também a inauguração da primeira sala 4XD do Rio de Janeiro. Minha experiência com esse tipo de cinema-parque-de-diversões tinha sido com o Cinema 4D do Museu da Madame Toussaud de Londres, que exibe há alguns anos uma animação dos Vingadores (com Homem Aranha e Wolverine incluídos) e todos os efeitos a que tem direito. A sala 4DX do UCI do Downtown não deixou nada a desejar e ainda foi mais longe.

Os efeitos são tão fortes que foi fácil ver o pessoal batendo nas pernas em cenas onde ratos atacavam o personagem na tela, ou cobrindo o pescoço quando aranhas entravam cena. A sensação é tão convincente que na cena em que o avião com a múmia está caindo todo mundo teve que se segurar na cadeira, literalmente, correndo o risco de literalmente voar longe, terminando com aplausos perplexos.



Entre as outras sensações, tínhamos vento, fumaça e água sempre que a cena pedia. É uma diversão, mas talvez não para todos os gostos. Competindo com a Internet e o conforto de se ver filmes em televisões cada vez mais definidas, o cinema precisa buscar alternativas para atrair o expectador. Os efeitos sensoriais são uma tendência, mas encarecem o ingresso com seu alto investimento e lugares limitados e distraem a atenção da história. Ninguém sabe ao certo o quanto as pessoas querem estar dentro de um avião que está caindo. Em certos momentos eu realmente estava mais ocupada em não sair voando do que em saber o que estava acontecendo com o Tom Cruise. E isso é ruim? Não para mim! Eu AMEI. Mas eu gosto de parques de diversão. Sempre gostei, sempre vou gostar e iria de novo facilmente. Mas para quem prefere realmente uma imersão mais tranquila e profunda, sem se assustar achando que tem ratos e aranhas subindo pelas suas pernas, pode ser um pouco demais.

O presidente da UCI fez um breve e simpático discurso sobre o quanto era difícil investir em qualquer coisa nesse momento no Brasil, especialmente em diversão, uma vez que a gente não sabe se amanhã teremos um presidente, não teremos ou presidente... Enfim, nosso país é uma bagunça mesmo, mas não adianta ficar parado esperando melhorar. Admiro a ousadia, a criatividade e a originalidade e aguardo ansiosa novos monstros para curtir e empolgantes cenas que me façam pular da cadeira. Literalmente.



Eddie Van Feu adora Tom Cruise, filmes de terror e parques de diversão e não tinha a menor chance dela não gostar desse filme!

COTAÇÃO: QUATRO PATINHAS



quinta-feira, 8 de junho de 2017

Chá das Cinco #104 - As muitas gambiarras de Star Wars

George Lucas já fez trocentas mudanças e retoques nos seus filmes para atualizá-los. Conversamos sobre algumas delas hoje com Ricky Nobre e JM.

quarta-feira, 7 de junho de 2017

Chá das Cinco #103 - Quem tem medo da Mulher Maravilha?

Com um orçamento MENOR que seus "irmãos" super-heróis DC, a Mulher Maravilha corre por fora fazendo sucesso e ganhando muito dinheiro! E eu te pergunto: por que ela nunca teve um desenho só dela na TV? E por que somente um seriado lá nos anos 70 e mais nada?

Falando sobre isso estão Renato Rodrigues, Eddie Van Feu, Ricky Nobre, Patricia Balan e JM.

 

terça-feira, 6 de junho de 2017

Chá das Cinco #102 - Deu a louca na Netflix

A Netflix passou o rodo em Sense 8, deu uma explicação meio torta e a galera na internet xingou muito no Twitter. Confessamos também QUAIS SÉRIES que a gente gostava e que já foram canceladas abruptamente deixando a turma na saudade.

Presentes Renato Rodrigues, Eddie Van Feu, Ricky Nobre e Patrícia Balan.

segunda-feira, 5 de junho de 2017

Chá das Cinco #101 - GIRO DA SEMANA

Giro na semana no ar com a bilheteria da Mulher Maravilha e sua proibição no Líbano e Argélia. Tem também a volta de Top Gun, a NÃO volta das Caça-Fantasmas e uma notinha do Neil Gaiman

Presentes Renato Rodrigues, Eddie van Feu, Ricky Nobre e Patricia Balan

domingo, 4 de junho de 2017

Vlog ALCATEIA #108 - O que achamos de “MULHER MARAVILHA” (Com Spoilers)

Já viram essa maravilha? Hoje o papo é sobre o filme da princesa amazona, a esperança da DC de trazer paz para os fãs de super-heróis na internet (Se é que isso é possível)! Só avisando que tem SPOILERS moderados, belê?

COMENTE aí o que gostou e o que não gostou no filme!

Presentes: Eddie Van Feu, Renato Rodrigues, Patricia Balan, Ricky Nobre e a a participação do Marlo George do www.poltronapop.com.br

sexta-feira, 2 de junho de 2017

Chá das Cinco #100 - ESPECIAL 40 anos de STAR WARS

Chá das Cinco completa 100 edições e pede um ESPECIAL! Por isso guardamos esse papo sobre os 40 anos de STAR WARS: Quando estreou no Brasil, as curiosidades de produção, a melhor ordem para ver os filmes, as sátiras e as lembranças da época destes 3 quarentões testemunhas oculares (e de óculos) da história!!! 

 Presentes: JM (que viu no ano de estréia), Ricky Nobre e Renato Rodrigues

 

quinta-feira, 1 de junho de 2017

Chá das Cinco #99 - Bate-papo: O humor de ontem tem espaço hoje?

Surgiu mais um bate-papo nos bastidores de uma gravação que vale a pena compartilhar: A Escolinha voltou e o Chaves nunca saiu do ar. O humor de ontem tem espaço nos dias de hoje?

Presentes: Renato Rodrigues, JM, Patricia Balan, Eddie van Feu e Ricky Nobre

MULHER MARAVILHA: UMA HEROÍNA ABSOLUTAMENTE NECESSÁRIA

Por Eddie Van Feu

Toda geração tem heróis onde se espelhar. Imagine a surpresa e a alegria de ver que a heroína que inspirou a minha geração também inspira crianças de todas as idades até hoje!


Havia um vazio de heroínas nas telas há muito tempo. Mas esse vazio não existia no coração das meninas de todas as idades (e, por que não, de muitos meninos também). A Mulher Maravilha foi eternizada por Lynda Carter em uma série dos anos 70. A série era bobinha e eu não lembro particularmente de absolutamente nenhuma cena, mas a personagem se tornou tão importante para mim a ponto de se tornar uma meta. Eu queria ser a Mulher Maravilha! Incorporei seus valores, copiei sua classe e nunca houve cantada que me fizesse mais feliz do que “Olha, a Mulher Maravilha passando!”.


Quando a DC anunciou que finalmente faria um filme de um de seus personagens mais marcantes, mesmo sem nenhuma série ou filme depois de Lynda Carter, todos vibramos! E trememos! A DC não tem feito grande coisa com os grandes personagens que têm. O que será que faria com a princesa amazona? Será que ela seria uma Xena mais soturna, sem nenhum humor e verdadeira Kick Ass sem diálogos interessantes? Mas o otimismo imperou! Afinal, a pequena participação da personagem no tenebroso Batman Vs Superman se tornou a única coisa unânime. Todos concordaram que foi a melhor coisa do filme. Então, lá vamos nós para o cinema!


E que surpresa!!! Que surpresa boa! Pela primeira vez, temos não só um ótimo filme da Mulher Maravilha, mas também um ótimo filme da DC! A Folha chegou a dizer (e eu ri, claro) que o filme é tão bom que parece da Marvel. O amigo lobo Ricky Nobre já fez seu parecer técnico sobre a obra (leia a crítica aqui), então gostaria de falar de outras coisas.


Gal Gadot deu uma simpatia à personagem que a tornou adorável. Mas ela deu sorte! Pegou uma personagem sólida cujo conteúdo foi respeitado pelo roteiro. Temos uma heroína forte, mas sensível. Que busca a justiça de um modo lúdico, que vê o mundo de um jeito simplista, que é inocente sem ser estúpida e é valente sem ser um cliché. É a menina-mulher-mãe que existe em todas as mulheres, sem deixar de ser a mulher-amiga-namorada que todos os homens gostariam de ter ao seu lado. E, apesar de sua mãe lhe dizer que o mundo não a merece, é escolha dela se vai dar seu melhor ao mundo mesmo assim.


O filme tem algumas pequenas falhas, sendo a maior delas o vilão e sua motivação meio dúbia com um plano que não faz sentido. Mas tem taaaanta coisa legal que as falhas são perdoadas facilmente. Chris Pine é um excelente Steve Trevor e sua química com Gal Gadot é perfeita. O pequeno grupo de desajustados que acompanha a heroína tem personalidade e é humanizado, assim como as situações dramáticas e tristes que uma guerra, pano de fundo da história, traz. As amazonas são mulheres maduras que nos enchem de orgulho e mandam uma mensagem para as espectadoras de que elas podem envelhecer e continuarem maravilhosas.


Há muitas mensagens positivas e inspiradoras no filme, mas eu me emocionei demais com uma em especial. Quando ela chega ao mundo dos homens, precisa de encaixar de alguma maneira em um cenário onde ela seria um mero acessório sem voz, sem opinião e sem capacidade. E por mais que ela se mescle, ela não se encaixa. Ela diz a que veio, e toma suas decisões. 


E assim que Steve Trevor vê suas ações, passa a confiar nela! E sua equipe a apoia. Ela fez por onde conquistar a confiança deles. Diferente de Superman, que chega com uma proposta forçada pelo roteiro com “atraí assassinos siderais para seu planeta e destruí Metropolis, mas vocês me amam assim mesmo porque sou seu salvador”,  a Mulher Maravilha precisa provar porque deveriam confiar nela e faz por onde merecer a gratidão que recebe em troca.


E ela faz tudo isso sem deixar de ser ela, mesmo magoada, mesmo com medo, mesmo confusa ou decepcionada. Nesse momento, todo mundo precisa de uma heroína assim. Precisamos de seus braceletes para nos defender das balas que minam nossa autoestima, de suas botas para trilhar o difícil caminho profissional, de seu diadema para nos lembrar que temos uma cabeça pensante, de seu laço para nos atermos a verdade e vencermos as ilusões. 


Como ela, precisamos compreender que não há luz sem escuridão. E não estou falando apenas de mulheres, embora sei que ela fale mais para nós. Estou falando de todos que acreditam que podem tornar o mundo melhor, porque com todos os seus defeitos, ainda há muita coisa boa pela qual vale a pena viver e lutar. Não é sobre verdade, justiça, honra ou glória. A motivação para essa luta é a energia mais elevada do universo e, por isso mesmo, a mais difícil de se exercer e que já foi tão banalizada que muitos não querem mais ouvir. Pois é. O que motiva o coração de uma heroína dessa estirpe é o mesmo que pode salvar o mundo inteiro: o amor.