sexta-feira, 21 de junho de 2019

DESLEMBRO


Por Ricky Nobre


Falar sobre o período ditatorial no Brasil foi uma tácita obrigatoriedade no cinema, teatro e literatura brasileira após a abertura política, em 1979. Após tantos anos de repressão, todos queriam falar tudo que estava abafado, reprimido, entalado. Filmes como Pra Frente, Brasil e documentários como Que Bom Te Ver Viva foram marcantes em seus lançamentos, resgatando as atrocidades dos anos de chumbo. Com o fim do regime militar, vinha, além de esperança de tempos melhores, a certeza de que um período como aquele jamais, sob a vigilância popular, se repetiria, pois estava marcado em brasa em nossa memória.

 

Deslembro chega ao circuito comercial um ano após sua estreia no Festival de Veneza e do triunfo no Festival do Rio, onde levou os prémios popular e do júri de melhor filme e de melhor atriz coadjuvante. Chega em um momento em que vozes muito proeminentes ecoam em parte considerável da população pondo em dúvida o que ocorreu no país nas décadas de 60 e 70. Vozes que negam a memória de uma tragédia na política brasileira. O resgate da memória, ainda que turva, fragmentada e inexata, é o tema central de Deslembro.

 

A adolescente Joana volta (muito a contragosto) ao Brasil com sua mãe, padrasto e meio irmãos após muitos anos no exílio em Paris, iniciado após o desaparecimento de seu pai, dado como morto pelas mãos do aparelho repressivo do regime. No Rio de Janeiro, ela permanece exilada em seu quarto, junto com sua inseparável coleção de livros e discos de rock, sem vontade alguma em se adaptar a esse “país de merda que tortura e mata gente”. Aos poucos, o contato com pessoas ligadas ao seu pai vão abrindo pequenas portas em sua cabeça. Pela avó, descobre que sua paixão por livros é algo que tem em comum com o pai. Com um amigo da família, descobre que o pai cantava e amava samba, gênero musical também preferido do jovem Ernesto com quem ela descobre o amor, o sexo e a maconha. Daí, fragmentos de memórias vão voltando salteadas e desconexas, das quais ela tenta tirar sentido junto à avó, uma vez que a mãe se fecha a qualquer assunto relacionado ao pai morto. 

 

Flávia Castro formou uma carreira em documentários, principalmente com o premiado Diário de Uma Busca. Aventurou-se na ficção primeiro como roteirista em Nice: O Coração da Loucura. Deslembro é sua primeira ficção como diretora, onde também aturou como roteirista e montadora. Em praticamente todos os departamentos existe uma forte presença feminina na equipe, seja na produção, fotografia, som, montagem ou direção de arte. É basicamente feminino o olhar que constrói o de Joana sobre o mundo ao seu redor, que lhe é estranho e familiar ao mesmo tempo. O olhar do filme é o de Joana, seja na percepção direta do aqui e agora (o mar, o chão, as texturas, a música, o toque da pele), seja nos fragmentos de memórias de uma infância muito tenra que lhe trazem lampejos de seu pai, que lhe escapam. 

 

A montagem é propositadamente desconexa, onde os fragmentos de memória se confundem com o presente, cujos eventos podem ser ligados por grandes elipses. Isso pode gerar certa confusão ao acompanhar fatos e nomes, mas o roteiro cuida de conectar tudo perto da conclusão, mas o sucesso disso não é total. Ao mesmo tempo em que existe delicadeza nas buscas, sensações e descobertas de Joana, existe também uma certa frieza, um certo vácuo emocional, provavelmente pelo fato dos dois personagens centrais, Joana e a mãe, terem personalidades fechadas, esta última especificamente no que se refere ao pai desaparecido. Desta forma, a maior luz do filme vem da avó, uma personagem aberta, calorosa, agregadora. Com o talento de Eliane Giardini, a avó é o grande respiro de alegria e amor do filme. Esse contraste pode ter sido a intenção da diretora, mas existe um potencial de carga emocional em Joana e sua busca que nunca é devidamente explorada, exceto na cena clímax do filme. Ainda que a intenção tenha sido essa, não se sente essa potência emocional ao longo do filme, onde ela é mais uma informação do que um sentimento. E é principalmente nesse sentido que a personagem da mãe se mostra o mais mal explorado de todos, devido à sua importância e posição na história, ainda que pese a escolha de Joana como o centro absoluto da narrativa. 

 

A ausência de uma partitura musical original também pode ter contribuído para esse vácuo emocional, mas esta é uma escolha estética da qual a direção deve dar conta, uma vez decidida. A música de Deslembro vem do Lou Reed e The Doors que Joana ouve e, de forma muito inteligente, do samba que vem, de várias direções, invadir a vida de Joana, fortalecendo a conexão que ela tenta encontrar e estabelecer com o pai desaparecido.


Por fim, Joana precisa tanto lembrar quanto deslembrar sua infância para desvendar o destino o pai. Mas para isso, é essencial a comunicação, o compartilhamento de lembranças. Deslembro chega num momento essencial em que a memória de nossa história recente está sendo negada e correndo o risco que a História sempre tem de se repetir. A memória precisa ser mantida, resgatada e compartilhada.

 

COTAÇÃO: 
 

DESLEMBRO (2018)
Com: Jeanne Boudier, Sara Antunes, Eliane Giardini, Hugo Abranches, Arthur Raynaud, Jesuíta Barbosa, Antonio Carrara e Marcio Vito
Direção e roteiro: Flávia Castro
Montagem: François Gedigier e Flavia Castro
Fotografia: Heloisa Passos
Produtores: Walter Salles, Gisela B.Camara, Flavia Castro
Desenho de produção: Ana Paula Cardoso           

quinta-feira, 20 de junho de 2019

TOY STORY 4

Por Ricky Nobre


É difícil acreditar que já se passaram 24 anos desde o Toy Story original. O filme marcou o início de uma era que mudou para sempre o cinema de animação, sendo o primeiro longa-metragem totalmente feito em computação gráfica. Ainda que os gráficos dos personagens humanos pareçam um tanto toscos hoje, o filme ainda impressiona nos gráficos, animação e textura dos brinquedos e das paisagens externas. Apenas 3 anos depois, Toy Story 2 apresentava um salto tecnológico impressionante. De lá para cá, animação em CGI tornou-se a norma e, ainda que a Disney tenha tentado ressuscitar a técnica no fraco A Princesa e o Sapo, a secular arte de animação 2D feita à mão está atualmente abandonada e morta. 

 

Depois que o terceiro filme fechou o ciclo dos personagens com o menino Andy em 2010, o criador John Lassiter deu a franquia como encerrada, a menos que aparecesse uma ideia muito, muito boa. Então, surpreendendo um total de zero pessoas, o quarto filme foi anunciado no final de 2014, tendo sua data de lançamento adiada duas vezes, de 2017 para 2018 e, enfim, para 2019. Apesar de desejar retornar à direção, Lassiter passou a posição para Josh Cooley, pois seu trabalho como chefe criativo da Disney o impedia de ter tempo para o trabalho. Curiosamente, Lassiter deixará a Disney este ano. Cooley estreia como diretor após muitos anos como desenhista de storyboard na Pixar e uma ótima estreia como roteirista em Divertidamente.

 

Toy Story 4 segue a saga dos brinquedos mais amados do cinema com a pequena Bonnie, assustada com seu primeiro dia no jardim de infância. Com uma ajuda discreta de Woody, Bonnie constrói um brinquedo com um garfo de plástico que ela chama de “Garfinho”. Sem saber direito quem é, com horas de vida, o pequeno Garfinho só quer saber de se jogar na lata de lixo pois, afinal, foi de lá que ele veio, e Woody assume para si a tarefa de mostrar a ele que agora ele é o brinquedo favorito da menina. Não é uma tarefa fácil e Woody e Garfinho acabam perdidos no meio da estrada durante uma viagem da família e os dois acabam numa loja de antiguidades onde brinquedos raros guardam planos sinistros para eles. 



Uma novidade do filme é a quantidade de novos personagens e o espaço que tomam no filme. Ainda que os primeiros filmes, especialmente o segundo, se concentrassem bastante no Woody como protagonista, aqui ele realmente é o centro da história como em nenhum outro. Woddy, Garfinho e a bela pastora Betty, retornando após a ausência no terceiro filme, formam, junto com Gaby Gaby, o centro do roteiro e da temática do filme. Nessa aventura, personagens novos como Coelhinho, Patinho e Caboom formam o principal foco cômico, tendo também papel central na ação. Desta forma, os personagens clássicos da franquia, juntamente com os antigos brinquedos da Bonnie, assumem uma posição bem mais coadjuvante do que nos filmes anteriores, ainda que o roteiro se esforce (com sucesso) em tornar suas participações sempre relevantes e engraçadas. Cuidado especial foi dado ao personagem Buzz, dando a ele a missão de encontrar Woody, não o deixando tão de lado quanto os outros. Mesmo assim, pode-se dizer que é a primeira vez na franquia de Buzz pode não ser considerado um protagonista. 

 

Especial inteligência foi usada no desenvolvimento de Gaby Gaby. A boneca dos anos 50 do antiquário, que nunca teve uma criança, é a vilã com mais “tons de cinza” da franquia. O filme não se furta em mostra-la verdadeiramente assustadora, com seus macabros bonecos de ventríloquo como capangas, em um momento para, em outro, jogar uma luz melancólica sobre suas motivações.
Uma das grandes surpresas do filme é a Betty, a pastora de louça que virou brinquedo perdido e reaparece como uma “mulher vivida”, experiente e amando a liberdade. A forma como ela é aqui escrita, animada e interpretada é radicalmente diferente dos filmes anteriores e é brilhante o resultado, e sua importância para a jornada de Woody é vital.

 

Mas, como foi dito, o filme é de fato dele, Woody. O personagem é sempre consistente em sua determinação de jamais deixar nenhum brinquedo para trás. A diferença é que, aqui, sua obstinação chega ao ponto de ser questionada por outros personagens e suas motivações podem esconder um sentimento de obsolescência, de falta de propósito. Numa nova família, com uma nova criança, ele não é mais o “brinquedo favorito” e lidar com isso não é fácil para ele, ainda que o sentimento esteja muito além do ciúme e medo de ser substituído no primeiro filme.

 

Toda a seriedade desses temas podem dar a impressão de um filme sisudo e depressivo. Mas é o absoluto oposto. Toy Story 4 é hilário na maior parte do tempo, e os novos Coelhinho, Patinho e Caboom roubam a cena. Ainda assim, Toy Story mantém sua tradição de tratar de temas difíceis e dolorosos tanto para crianças quanto para adultos. Talvez, nunca nenhuma franquia cinematográfica tenha se engajado tanto em falar para crianças sobre perdas, despedidas e recomeços, e o faz com impressionante sensibilidade e razoável complexidade. É uma série que amadurece a olhos vistos junto com seu público, sem jamais perder de vista os mais jovens. Ainda que a busca de Woody por identidade tenha ecos do segundo filme, aqui ela acontece num estágio bem mais avançado do personagem. Nenhum personagem volta a questões já resolvidas em filmes anteriores, eles seguem sempre adiante. Ainda que alguns temas retornem, não são repetições, mas novas perspectivas de questões recorrentes da existência em fases diferentes da vida. A profundidade de tudo isso pode ser sutil e passar despercebida, mas a emoção é à flor da pele, sempre. 

 

Uma pergunta que domina as discussões sobre o filme é: precisava? Seria ele realmente necessário, uma vez que o terceiro encerrou com perfeição o arco dos brinquedos com Andy e amarrava tudo numa trilogia fechadinha? É compreensível mas um tanto equivocada a questão. A pergunta deveria ser: é bom? Porque necessárias, poucas coisas são. E as melhores coisas da vida não são necessárias. Elas são só boas. E assim é Toy Story 4. 

 COTAÇÃO:




TOY STORY 4 (2019)
Direção: Josh Cooley
História original: John Lasseter, Andrew Stanton, Josh Cooley, Valerie LaPointe, Rashida Jones, Will McCormack, Martin Hynes e Stephany Folsom
Roteiro: Andrew Stanton e Stephany Folsom
Desenho de produção: Bob Pauley
Montagem: Axel Geddes
Música: Randy Newman

sexta-feira, 14 de junho de 2019

Repórter Susana Naspolini lança livro sobre superações ao câncer no Rio

Com a equipe do RJ Móvel

por Renato Rodrigues
Que legal, Susana Naspolini, a repórter doidinha do RJTV, vai lançar um livro!!! No próximo dia 27, a jornalista lançará “Eu escolho ser feliz” às 19h, na Travessa do Leblon; e dia 29, às 15h, na Livraria Leitura, do Bangu Shopping. No livro, a repórter titular do “RJ Móvel”, conta como encarou as quatro lutas contra o câncer, em diferentes fases da vida.

“Não tenho a pretensão de que seja uma autobiografia, nem um livro de autoajuda. Só quis compartilhar histórias e sentimentos”
A alegria do carioca é receber a visita da Susana Naspolini na sua rua (mesmo que seja pra mostrar ela toda esburacada). Todo sucesso do mundo pra ela!!!

Toalhinha bordada: um dos muitos presentes que Susana ganha dos fãs

quinta-feira, 13 de junho de 2019

A LENDA DE GOLEM: UM TERROR-DRAMA COM ECOS DE FRANKENSTEIN

Por Eddie Van Feu 


Em um vilarejo da Lituânia de 1675, uma comunidade judaica vive pacificamente e somos apresentados aos rígidos códigos sociais e religiosos. Hannah é uma mãe enlutada que perdeu o filho afogado há sete anos, número considerado divino. Sem conseguir lidar com a perda, ela passa a estudar escondida a Cabalah, com a cumplicidade do marido, já que era proibido para as mulheres estudar. Como a culpa de toda desgraça recaía sempre sobre os judeus, eles são acusados pelos gentios de terem causado a praga. Um grupo armado toma a vila e a curandeira local deve salvar sua filha contaminada, ou eles matarão todos e tacarão fogo em tudo. Hannah então fala sobre usarem os poderes mágicos, enquanto alguns dos homens pensam em pegar em armas. 





A Lenda de Golem é um filme bonito, com fotografia linda em tomadas simples e inspiradas, aproveitando bem as belas paisagens da Ucrânia, onde foi filmado. Para um filme de terror, não assusta tanto, o que é bom, pois ele não se utiliza daqueles efeitos de aumento de som repentino e um gato pulando do armário. Talvez ele esteja mais para o drama do que para o terror. O casal que vive com o vazio de perder um filho enquanto vê as crianças florescendo ao redor é muito bem contada. A exclusão das mulheres de leitura e estudos porque são relegadas apenas a ter filhos é uma realidade até hoje em diversos lugares. E quando a mulher não quer ou não pode ter filhos? Pra que ela serve? E quando a mulher é melhor na magia do que os homens que a estudam há anos? E quando a mulher tem a coragem de invocar um Golem como guardião da comunidade? 


Para quem não sabe, o Golem vem da palavra Gelem, que é matéria prima, e é uma criatura criada por magia de matéria inerte, geralmente terra. O filme evoca Frankenstein, que é de fato uma inspiração no Golem original da tradição judaica. Como um tulpa, ou um homúnculo, o Golem não é muito inteligente, mas é muito forte e não sabe quando parar. Falta-lhe discernimento, ou alma. 

O Golem foi a inspiração para Frankenstein.

Mas diferente de Frankenstein, de Mary Shelley, o Golem de Hannah não é um homem grande e torto. É um menino lindo que lembra seu filho morto. Ele lembra o Frankenstein com seus movimentos lentos e robóticos e sua roupa estranhamente remendada e quadrada, como um camisão que Hannah faz com as roupas do filho falecido. Hannah porém não é um cientista maluco. É uma mãe sem filhos. E apesar do medo inicial, ela se afeiçoa e cria um vínculo com o Golem, o que só aumenta o drama no filme, especialmente quando as pessoas do vilarejo querem destruí-lo (só porque ele matou umas duas pessoas...). 

Criador e criatura desenvolvem um vínculo difícil de romper.

Alguns pecadilhos são cometidos do filme, justamente para ele se encaixar no típico filme de terror. A sequência inicial é quase desnecessária, se não fosse a ligação com uma personagem importante mais a frente. As cenas de massacre são digitais e um tanto fracas, talvez pudessem ter sido menos viscerais e mais emocionais, como o resto do filme, porque acaba destoando. O Renato, meu marido que não curte filme de terror, viu o filme comigo e gostou, o que me leva a crer que talvez o filme venha a agradar um público mais amplo. 

Os rituais descritos são reais e a Cabalah é realmente um instrumento de grande poder na magia, mas, como tudo na magia, requer conhecimento, coragem e sabedoria. E nem todo mundo tem os três ao mesmo tempo. 

Vale a pena conferir esse terror que foge do convencional e nos mostra um pouco da cultura e lendas judaicas. 


CURIOSIDADE: No século XVI, um dos mais poderosos rabinos da história, Judá Loew Ben Betzalel, era muito popular e conta-se que ele teria criado um Golem para proteger o gueto de Josefov, em Praga, de ataques contra os judeus. Essa é uma das mais antigas referências que se tem de uma criação de Golem. Há várias teorias sobre como criar um Golem. Uma delas diz que você deve escrever a palavra EMET em sua testa, que significa verdade. Para destruí-lo, apaga-se a primeira letra para que fique MET, que significa morto. O Golem então seria desfeito. 

A LENDA DE GOLEM (THE GOLEM)
PRODUÇÃO Israel, 2018
DIREÇÃO Doron e Yoav Paz
ELENCO Hani Furstenberg, Ishai Golan, Brynie Furstenberg




Crítica - "Pets 2 – A Vida Secreta dos Bichos"

Por Anny Lucard



'Pets 2 – A Vida Secreta dos Bichos' (The Secret Life of Pets 2, 2019), tem direção de Chris Renaud e é co-dirigido por Jonathan del Val. Com roteiro de Brian Lynch, a produção continua a contar a história sobre a vida do cãozinho Max (Patton Oswalt) e sua dona Katie (Ellie Kemper), mostrando o que o pet faz quando está sem supervisão de um humano.



Nessa sequência, depois de aprender a dividir Katie com o cão Duke (Eric Stonestreet) adotado por ela, Max tem que lidar com outra situação complicada, o casamento de sua dona que é seguido do nascimento do filho dela.



Diferente da primeira produção, 'Pets – A Vida Secreta dos Bichos' de 2016, que é focada em Max e mostra outros animais com quem o pet interage durante as horas que está longe de sua dona ou sem uma supervisão humana, em 'Pets 2 – A Vida Secreta dos Bichos' o roteiro é dividido em três narrativas distintas, mas que se entrelação com perfeição durante o filme. Sendo a primeira narrativa focada na continuidade da história de Max, mostrando como o cãozinho está lidando com as mudanças que o marido e o filho de Katie trouxeram para sua vida. A segunda é focada no coelho Bola de Neve (Kevin Hart) que busca se tornar um super herói de verdade. E a terceira na mimada cachorrinha Gigi (Jenny Slate) que procura a ajuda da gata Chloe (Lake Bell), pois precisa entrar no apartamento da "Tia dos Gatos" da redondeza a todo custo.



Mesclando elementos de aventura, a animação é uma comédia que mantém a qualidade visual não só em relação a fotografia e traços artitísticos da produção anterior, mas das relacionadas a Illumination Entertainment, se destacando além da franquia "carro chefe" do estúdio (a com os Minions).

Estrelada pelo ator de voz original Patton Oswalt, que faz o Max, o elenco também conta com Ellie Kemper como Katie, Eric Stonestreet como Duke, Jenny Slate como Gigi, Lake Bell como Chloe, Kevin Hart como Bola de Neve, entre outros. Além de novos personagens e participações especiais, como dos atores Tiffany Haddish, Nick Kroll e Harrison Ford que fazem as vozes originais, respectivamente, de Daisy, Sergei e Galo.



O filme também conta com uma trilha sonora cuidadosa, dos sons até as músicas incluidos em cada cena, para ajudar na veracidade dos personagens, animais e humanos, e das situações que os envolvem.

Vale destacar que assim como fizeram no primeiro filme, há uma preocupação em buscar o realismo de certas atitudes dos personagens animais, especialmente quando estão interagindo com os humanos, de forma que o publico que tem algum pet do tipo retratado na produção, vai identificar as situações e se divertir ainda mais com as desventuras dos pets.



Com distribuição da Universal Pictures Brasil, 'Pets 2 - A Vida Secreta dos Bichos' vai estrear nos cinemas brasileiros no fim do mês, no dia 27 de junho, em cópias legendadas e dubladas em português. Uma animação feita para toda família.

quarta-feira, 12 de junho de 2019

Crítica - "MIB: Homens de Preto - Internacional"

Por Anny Lucard



O novo filme da franquia MIB, continua sendo uma comédia com doses de ação, mas inicia uma fase nova nas divertidas desaventuras dos Homens e também das Mulheres de Preto. Em 'MIB: Homens de Preto - Internacional' (Men in Black: International, 2019), dirigido por F. Gary Gray, o público é apresentado a Agente M (Tessa Thompson) e o Agente H (Chris Hemsworth). Sendo um agente da MIB de Nova York, nos Estados Unidos, enquanto o outro é da filial de Londres, na Inglaterra.



Ambos estão lidando com seus dramas pessoais até que, durante uma missão, os dois agentes se conhecem. Vale dizer que no roteiro escrito por Matt Holloway e Art Marcum não deixaram passar o fato dos atores se conhecerem de outra franquia de quadrinhos.

A trama inspirada nos personagens dos quadrinhos criados por Lowell Cunningham agora ganham o mundo, literalmente, mostrando os agentes da MIB lidando com situações paranormais, aliens, etc... Ao redor do planeta Terra.



Viajando por lugares na França, Marrocos e Itália, o roteiro de 'MIB: Homens de Preto - Internacional', inspirado na série de quadrinhos 'The Men in Black', revela que a MIB é uma organização secreta que vai muito além da cidade de New York. Mostrando que está acima dos governos mundiais, ao lidar com atividades paranormais, alienígenas e mutantes, que busca manter ocultas dos povos do nosso Terra.



O visual da nova produção da franquia de MIB mantém a qualidade dos filmes anteriores, tanto em relação a fotografia ao mostrar os efeitos digitais da alta tecnologia não terrestre, bem como as aparições de novos seres. Também há antigos personagens, desse e de outros mundos, que aparecem durante o filme, mesmo que rapidamente.

E por falar de aparições, a Sony Pictures promoveu uma ação mundial junto com filiais de alguns países e assim a Sony Pictures Brasil exibe uma versão de 'MIB: Homens de Preto – Internacional' exclusiva para os brasileiros, com uma breve aparição do comediante Sérgio Mallandro em uma cena do filme. Uma ação internacional em que alguns países selecionados, tiveram celebridades locais aparecerem em versões exclusivas para cada país.



Quanto a trilha sonora de 'MIB: Homens de Preto - Internacional', tem um ar familiar, levando o público de volta ao universo dos agentes da MIB de forma um tanto saudosa, remetendo ao primeiro filme da franquia, iniciada em 1997, que tinha foco nos agentes dos quadrinhos Kay, Jay e Zed.

No entanto, com a série de filmes para o cinema, novos personagens ganharam destaque e, no caso de 'MIB: Homens de Preto - Internacional', a Agente M e Agente H, junto com Pawny (Kumail Nanjiani) formam um trio bem peculiar e interessante.



O filme 'MIB: Homens de Preto – Internacional' estreia amanhã, dia 13 de junho. Com distribuição da Sony Pictures, a produção chega aos cinemas brasileiros em cópias legendadas e dubladas em português, na versão 2D e 3D.

domingo, 9 de junho de 2019

X-Men: Fênix Negra e a Saga Mutante na FOX - Vlog Alcateia #136

(SEM SPOILERS) Nas duas últimas décadas a FOX tem levado os mutantes da Marvel para a telona. Falamos hoje sobre o longa da Fênix Negra e lembramos os altos e baixos dos X-men em todos esses anos, nesta indústria vital.

com os mutantes Ricky Nobre, Eddie Van Feu, Renato Rodrigues e Patricia Balan

 

sexta-feira, 7 de junho de 2019

ALADDIN - Ontem e Hoje - Chá das Cinco #296



Voltamos um pouco no tempo para relembrar o desenho de 1992 e para dar também a dica de filme de hoje: ALADDIN, agora em carne, osso e muita ginga!!!

com Eddie Van Feu, Ricky Nobre, Patricia Balan e Renato Rodrigues

quinta-feira, 6 de junho de 2019

X-MEN: FÊNIX NEGRA - o último e tênue brilho do crepúsculo


Por Ricky Nobre


No despontar do milênio, em 2000, Brian Synger conseguiu realizar o primeiro filme bem sucedido de uma equipe de super-heróis. X-Men é lembrado como um pioneiro do gênero (ou subgênero, se preferirem) que reinou nestas duas últimas décadas e está dominando o topo das listas de maiores bilheterias de todos os tempos. Como a maioria sabe, antes da editora Marvel virar estúdio e mudar a paisagem de Hollywood, ela esteve à beira da falência, o que a fez rifar boa parte de seus direitos autorais por diversos estúdios. Fox adquiriu os mutantes e tudo a eles relacionado. Com o sucesso do primeiro filme, veio o sensacional X-2 e, consequentemente, uma série de filmes e spinoffs de qualidades mais variadas, do excelente ao sofrível. Um reboot disfarçado de prequel bagunçou a linha de tempo e introduziu um elenco mais jovem, e uma viagem temporal serviu de desculpa para qualquer incongruência cronológica, embora, na prática, desse conta apenas de uma pequena parte desses problemas. 

 

Após o decepcionante Apocalipse, Synger deixou a franquia em meio a acusações de abusos e o projeto seguinte ficou a cargo de Simon Kinberg, roteirista e produtor de alguns dos filmes anteriores, que estrearia na direção. A notícia de que o próximo filme seria sobre a Fênix Negra foi recebida com desconfiança pelos fãs, uma vez que este arco dos quadrinhos, talvez o mais impactante de todos dos X-Men, já havia sido abordado de forma atrapalhada no terceiro filme. Dois adiamentos de estreia e a refilmagem quase completa do último terço do filme soaram os alarmes: uma bomba estava por vir.


Finalmente nos cinemas, Fênix Negra pode ter seu impacto significantemente alterado a partir de, principalmente, dois elementos: expectativa do público e seu conhecimento (ou não) do material original. Para quem esperava um desastre absoluto, a surpresa: é um filme, no geral, bem realizado, centrado nos personagens e que se sai melhor do que o esperado adaptando uma saga complexa em um filme de menos de duas horas. 

 

Afastando-se da adaptação anterior, este volta às origens ao mostrar Jean Grey absorvendo a força cósmica em um acidente quando os X-Men estão resgatando astronautas no espaço. Não existem tramas paralelas no caminho. Jean e seu drama são o centro da narrativa e o filme acompanha os dilemas dos amigos que a cercam e são afetados pelo que a poderosa mutante passa. O filme mantém um tom pesado, com o uso de humor muito pontual, quase inexistente, porém sem cair na afetação do “filme de super-herói sombrio” (apesar da música de Hans Zimmer que, infelizmente, não cumpriu sua promessa de abandonar os filmes de super-heróis). É um filme dramático, com forte peso emocional que exige dos atores, principalmente Sophie Turner e James McAvoy, e que traz consequências para todos os envolvidos e que leva ao limite máximo a violência (e até palavrões) permitidos para a classificação PG-13 (13 anos no sistema americano).

 

Por outro lado, as fragilidades do filme o impedem de ser verdadeiramente bom, e praticamente tudo de errado está no roteiro. A começar pela decisão de realmente ser um filme com menos de duas horas, o que não dá conta da saga da Fênix mesmo de forma simplificada. Personagens importantes são deixados de lado, como Mercúrio que desaparece mesmo tendo poderes essenciais para uma situação tão difícil, e Tempestade que permanece subdesenvolvida, tanto na magnitude dos poderes quanto na personagem em si, o que é realmente uma pena. 

 

Outro problema grave são os alienígenas (terrivelmente) genéricos que assumem o papel que o Clube do Inferno teve na HQ, uma vez que o grupo de vilões foi desperdiçado já utilizado em Primeira Classe. Já a Jessica Chestain interpreta a líder dos aliens, uma loira gelada que serve de dublê de Emma Frost mas, assim como todo o seu grupo, é desenvolvido apenas o mínimo fiapo necessário para servir à trama. Fica evidente que, ainda que todo o contexto cósmico da HQ tenha sido descartado, a trama como ela está no filme necessitaria de pelo menos mais uma hora de filme para dar conta dos vilões, da complexidade do drama de Jean e da participação dos X-Men em tudo. Outro detalhe que decepciona é a ausência quase absoluta de ambientação de época. Os filmes anteriores se passavam respectivamente nos anos de 1963, 73 e 83 e a ambientação mostrava isso. Aqui, mal dá pra perceber que se passa em 1993.

 

Ainda assim, em apenas 113 minutos (com créditos), o resultado é muito acima do esperado. O público casual, que conhece apenas os filmes, pode receber o filme bem melhor e com menos ressalvas. É indiscutivelmente melhor do que Apocalipse, um filme que se apoiava inteiro no vilão e sua ameaça, o que falhou quase que totalmente. Aqui, apesar dos vilões fracos, eles cumprem o papel de serem aqueles que querem se aproveitar do poder da Fênix, que se coloca como a verdadeira ameaça do filme, ainda que, talvez, o filme pudesse se beneficiar de uma ousadia maior na extensão da vilania de Jean até o limite. NESSE ponto, X-Men 3 pode ter sido melhor resolvido.

 

Para aqueles que realmente gostam da franquia dos mutantes na Fox, é muito recomendável experimentar o filme no cinema pois, apesar dos problemas, dá pra ver que muito dinheiro foi posto na produção. Não é o fim definitivo ainda, pois apenas ano que vem, 20 anos após o primeiro filme, que estreia Os Novos Mutantes, outra produção complicada que sofreu ainda mais atrasos que este último dos X-Men. Só para ter uma ideia, Deadpool 2, Fênix Negra e Novos Mutantes foram filmados ao mesmo tempo. Deadpool 2 estreou em maio de 2018. Fênix estreia agora. Novos Mutantes apenas em abril de 2020. No que concerne o universo mutante, compra da Fox pela Disney vem quase que como uma eutanásia. 

 

COTAÇÃO:

 
X-MEN: FÊNIX NEGRA (Dark Phonix, 2019)
Com: Sophie Turner, James McAvoy, Michael Fassbender, Jessica Chastain,  Nicholas Hoult, Tye Sheridan, Alexandra Shipp, Evan Peters e Jennifer Lawrence.
Direção e roteiro: Simon Kinberg
Fotografia: Mauro Fiore
Montagem: Lee Smith
Música: Hans Zimmer