terça-feira, 8 de outubro de 2019

CORINGA - UM FILME QUASE LEGAL

 
Por Gabriel Maia

Quando anunciaram "Coringa" li a proposta e pensei; "Cara, isso pode ser muito legal".
A proposta era um Coringa mais pé no chão. Algo que você imagina que poderia acontecer com qualquer um, seja seu vizinho, seu primo, ou até com você mesmo.
E o filme trouxe essa ideia.
Arthur Fleck é um homem claramente doente, criado por uma mulher também com distúrbios mentais, que o maltratava a nível de tortura física e psicológica.
Porém, Arthur cresceu como um homem "comum", até que cada pequeno evento ruim de sua vida culmina no rompimento de sua realidade.
Arthur é um homem doente onde o maior problema dele nem eram os distúrbios, mas a carência. Ele era tão carente que quando sentiu que foi notado, achou que este era o caminho.
As pessoas falaram do palhaço assassino, vestiram máscaras dele, finalmente ele era alguém. A carência era o verdadeiro inimigo ali. E para matar sua carência e fazer valer os olhares que davam a ele, Arthur faria qualquer coisa; matar um apresentador, instigar uma rebelião... ser um símbolo.

Na verdade, este Coringa é apenas isso; um símbolo. Gotham, conhecida pelos fãs do Batman como lar dos criminosos insanos mais perigosos que existem, no filme é só uma cidade decadente moralmente. E é o Coringa quem dá o início à loucura da cidade. Ele dá o primeiro tiro que desperta outros malucos no sentido "Sim, nós podemos!". E é o que o filme passa até seu último segundo.

Para nós, o Coringa é símbolo da loucura, do caos e da crueldade.

No filme, o Coringa mostrado é apenas o símbolo da loucura sendo liberada.

Pode ser que haja outro Coringa que se tornará inimigo do Batman, e este seja o que nós conhecemos e amamos/odiamos.

As pessoas precisam ir ao cinema preparadas para ver um Coringa... light.

Não tem nada da violência excessiva que mencionaram.

A iluminação é boa, a fotografia é linda, e Joaquin está incrível como sempre (sou fã do cara).

Mas o filme é parado... morto... na verdade.

O filme não se vale de sonoplastia o que dá um tom de tédio (lembra da cena do Batman espancando o Coringa na delegacia? Ali tem um som crescente na mente que nos aflige, pressiona e nos deixa apreensivos), o recurso sonoro é praticamente abandonado aqui.

O filme também peca na pobreza de construção de personagens.
Você tem o oprimido e o opressor.
O oprimido é pobre, bonzinho e sofre muito.
O opressor é rico (ou empresário, ainda que pequeno), e mal.
A sociedade é cruel e fica claro o direito a se rebelar porque você foi abandonado por todos e todo mundo é mal.

Não é que estimule a criminalidade, não é isso.
Mas é bem chato não deixar claro que Arthur fez as piores escolhas possíveis e que havia outras. Ou que existem mais camadas do que "opressor e oprimido".
O filme é pobre, sem emoção e Joaquin fez de tudo pra salvá-lo.

Enfim... muita gente vai adorar o filme.

Outros, como eu, talvez saiam um pouco decepcionados.

Se for pra ver um filme de alguém que chega ao limite com a sociedade "Um dia de fúria" é muito melhor.

2 comentários:

SARA ALI disse...

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datriyo disse...

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