domingo, 12 de fevereiro de 2017

VLOG ALCATEIA 95 - Prazer Culpado

Sabe aquelas série ou filmes que a gente gosta muito mas que sabe que é ruim pra dedéu? Que é fã, até compra o DVD mas só assiste escondido pra ninguém descobrir?

Pois é, Eddie Ven Feu, Renato Rodrigues, JM, Patrícia Balan e Ricky Nobre vão abrir seus corações e confessar seus prazeres culpados. E você, tem coragem de confessar os seus?

sábado, 11 de fevereiro de 2017

Os filmes do Oscar: ANIMAIS NOTURNOS (1 indicação)


Por Ricky Nobre


Não que seja algo fora do modus operandi habitual da Academia, porém, se por um lado ela trouxe esse ano uma diversidade étnica na lista de indicados que inexistia ano passado, por outro tem reservado aos filmes mais originais e criativos indicações que são quase que meramente representativas, no estilo “olha, lembramos de você”, deixando as múltiplas indicações para os filmes mais comuns e fáceis de digerir. O segundo filme de Tom Ford não escapou dessa armadilha, levando uma única e singela indicação para ator coadjuvante.

 

Sete anos após sua estreia em Direito de Amar, Tom Ford, o super mega estilista das galáxias que resolveu virar cineasta, volta com mais uma obra onde as emoções e as relações humanas são o foco central. Diretora de um museu de arte moderna, Susan (Amy Adams, cada vez melhor) tenta sobreviver às temperaturas glaciais em que se encontra seu casamento. Ao receber o manuscrito de um livro de seu ex-marido Edward (Jake Gyllenhaal), Susan acabará embarcando numa viagem ao próprio passado. Se enquanto eram casados 20 anos antes, ela não tinha grandes expectativas em relação à carreira de escritor do marido, Susan acaba mergulhando por completo na obra de Edward. 

 

Intitulado “Animais Noturnos”, o livro narra a história de Tony (também Gyllenhaal), sua esposa Laura (Isla Fisher brilhantemente escalada dada sua semelhança com Adams) e a filha India (Ellie Bamber), que estão de férias na estrada quando são abordados por três homens que, após uma sequência extremamente tensa, acabam sequestrando as mulheres. Toda a sucessão de fatos do livro captura a emoção de Susan, como um grande livro costuma fazer. Porém, quanto mais a leitura avança, lembranças de seu passado com Edward, as brigas com a mãe e o envolvimento com o atual marido vão voltando à sua mente, até o ponto em que começa a questionar as decisões que tomou na vida e a ser invadida por uma estranha sensação de que a sede de vingança do personagem do livro possa significar algo mais pessoal. O livro a exaure, mas ela não para de ler.

 

Tom Ford é muito hábil em manter a tensão da história de Tony, mesmo com as frequentes interrupções da “realidade” de Susan constantemente nos lembrando que é “apenas um livro”. Essa tensão é essencial para que os efeitos da leitura em Susan sejam compreendidos. As inseguranças de Susan de que a história seja, no fundo, sobre ela e sobre a forma insensível como ela terminou o casamento com Edward se justificam não apenas pela simbologia dos acontecimentos do livro mas também pela escolha do elenco. O fato de Gyllenhaal interpretar Edward e Tony pode justificar que Edward escrevia sobre si mesmo (“que autor não escreve sobre si mesmo?”, indagou Edward em determinado ponto) e que o livro é uma metáfora de seu casamento e de suas atitudes nele. Não é de forma alguma casual que a resistência e a ação de Tony na defesa de sua família e de si mesmo é estranhamente restrita, quase dormente, catatônica. O próprio personagem se corrói de culpa por não ter evitado o que aconteceu, sugerindo que Edward se responsabiliza pelo que aconteceu com seu casamento com Susan. Mas também lança um contraste com o hábito de Hollywood em retratar cidadãos comuns como máquinas de violência em situações-limite, como se fosse regra. 

 

Por outro lado, da mesma forma que toda a história de Tony é narrada do ponto de vista dele, toda a história de Susan é narrada do ponto de vista DELA. Desta forma, a imagem de Edward como o personagem Tony pode não ser a intenção de Edward ao escrever, mas como Susan vê Tony quando lê. Isso explica Isla Fisher (que muita gente confunde com Adams) no papel da esposa de Tony, pois seria Susan se colocando no papel da esposa inconscientemente, com a imagem de alguém parecida com ela, mas não ELA. Conforme o livro vai chegando ao final, abre-se também a possibilidade de que Tony seja de fato Susan, seja na intenção de Edward, ou na visão de Susan, que agora não se vê mais como a esposa no livro, mas como o protagonista, roendo-se de culpa pelo seu destino e da sua família. 

 

Com um final curiosamente semelhante ao de O Lagosta, outro filme difícil e original deste ano, Animais Noturnos exige muito da emoção do público, tanto quanto de sua sensibilidade para captar as sutilezas. Tristemente ausente das indicações ao Oscar estão Amy Adams, Jake Gyllenhaal, a direção e o roteiro de Tom Ford, a fotografia de Seamus McGarvey, a montagem de Joan Sobel e a música de Abel Korzeniowski. Se esse Oscar vai se desenhando como uma noite de filmes fáceis de engolir e de esquecer, Tom Ford e seu Animais Noturnos nos mantém iluminados por um cinema belo e perturbador. 


INDICAÇÃO AO OSCAR

Ator coadjuvante: Aaron Taylor-Johnson

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

Chá das Cinco #25 - Documentário "Caminhando com os Dinossauros"

Eddie Van Feu fala sobre o documentário da BBC "Caminhando com os Dinossauros" disponível na Netflix que mostra de maneira bem criativa a vida destes gigantes do passado.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

Os filmes do Oscar: LOVING (1 indicação)


Por Ricky Nobre



Pode soar absurdo, mas o casamento inter-racial permaneceu ilegal em vários estados dos EUA até fins da década de 60. Começando em 1958, Loving conta justamente a história de um homem branco, Richard Loving (Joel Edgerton) e de uma mulher negra, Mildred Loving (Ruth Negga) que saem de seu estado natal, Virginia, para se casarem em outro estado onde sua união seria legal. Mas isso não bastou, e pouco depois de voltarem para casa são presos. Começa aí a longa saga do casal, que incluiu diversas mudanças de endereço, julgamentos, acordos, apelações, até que o caso chegasse à Suprema Corte americana.

 

O filme de Jeff Nichols, que também foi responsável pelo roteiro, opta por um tom bem comedido. A partir de um documentário lançado em 2011, que incluía muitas cenas feitas com o casal 50 anos antes, Nichols decidiu usar muitos diálogos tirados diretamente das entrevistas com Richard e Mildred. Esse material histórico também inspirou fortemente os atores Edgerton e Negga, resultando em diálogos, interpretações e cenas sem arroubos emocionais nem retóricos.

 

São nos detalhes que o filme se detém, no carinho mútuo do casal, no desejo de regularizarem sua situação no tribunal, mas ao mesmo tempo não tendo noção da dimensão da batalha que deverão enfrentar. Chega a ser adorável a ingenuidade de Richard ao conversar com o advogado de direitos civis, acreditando que tudo pode ser resolvido com uma conversa com o juiz da cidadezinha onde viviam, realmente acreditando que o argumento “nós nos amamos tanto” é suficiente, quando, na realidade, a luta para chegar à Suprema Corte é o único caminho viável. Richard também não é afeito à exposição à mídia que sofrem, temendo represálias e a segurança dos filhos, enquanto Mildred confia que é justamente essa exposição que pode ajudá-los.

 

Essa opção de construir a simplicidade do filme a partir da simplicidade do casal pode levar alguns a se decepcionarem com o resultado. De fato, Loving não prima pela originalidade na linguagem, nem da dinâmica na narrativa. Porém, Nichols conseguiu forjar um filme sobre direitos civis sem passeatas, sem cartazes, sem discursos. Apenas com a persistência de um casal que se ama tanto.

 

INDICAÇÃO AO OSCAR
Atriz: Ruth Negga

Chá das Cinco #24 - TOP 5 Tranqueiras que a gente via na TV

Gravamos um VLOG ALCATEIA sobre "prazer culpado" falando sobre séries que nós gostamos mesmo sabendo que são meio ruins!
Alguns ficaram de fora na edição então fiz esse TOP 5 mostrando algumas produções questionáveis da TV que nós ainda veríamos (Ou ainda vemos)!



O VLOG especial sobre Prazer Culpado vai ao ar no DOMINGO aqui na página!

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

Os filmes do Oscar: JACKIE (3 indicações)


Por Ricky Nobre



Poucos eventos marcaram a memória do mundo no século XX como o assassinato de Kennedy. Seus efeitos no imaginário dos EUA são incalculáveis. Da mesma forma, Jacqueline Kennedy mudou a imagem da primeira dama, tornando-se até mesmo ícone de moda. Jackie é a primeira cinebiografia a se concentrar nessa figura que confunde-se com a própria imagem da década de 60. 

 

Natalie Portman dá vida à Jackie, nesse projeto que já foi de Darren Aronofsky, mas que foi assumido pelo chileno Pablo Larrain, que não é estranho ao cinema de conteúdo político. Aqui, por outro lado, a política é um mero pano de fundo, pois o foco é na pessoa de Jackie, numa obra que se concentra em seus momentos mais íntimos, como na bela sequência em que ela está sozinha na Casa Branca, ouvindo Camelot, bebendo e separando, aos prantos, os pertences a serem levados em sua obrigatória mudança, pois precisa dar lugar ao novo presidente Johnson. Outras diversas cenas que expõem sua fragilidade, como ela limpando o sangue do marido do rosto depois de horas de um dia interminável, suas conversas com um padre (John Hurt, em seu último trabalho) ou quando precisa dizer para os filhos muito pequenos que o pai morreu, contrastam com a imagem severa, fechada e austera que forja para si na presença do jornalista da revista Life que a entrevista durante o filme. 

 

O olhar estrangeiro de Larrain (é curioso como diversos filmes sobre ícones americanos foram dirigidos por cineastas de outros países) garante ao filme um toque, mesmo que sutil, além da cinebiografia ordinária que sai da linha de montagem hollywoodiana. A forma como a câmera segue Portman é profundamente intimista, com closes longos e contínuos, em momentos em que tudo que a cerca se esvai e o protagonismo pleno é o da emoção. Tal a confiança na emoção como narradora e em Portman como seu veículo, que cerca de um terço das cenas do filme foram feitas a partir do primeiro take filmado, quando o instinto do ator está mais aguçado, sem o refinamento das repetições. A música de Mica Levi, por vezes fluida, por outras incômoda, jamais escondida pela mixagem, é outro elemento que concentra-se de forma dedicada ao frágil e conturbado estado psicológico e emocional da personagem.

 

Assim, o filme procura retratar o papel de Jackie na imagem sui generis que os Kennedy tinham frente ao povo americano, não apenas ao ajudar a forjar a aura de “casal moderno e festeiro da Casa Branca”, mas também ao conceber um funeral-espetáculo que se tornou motivo de muito embates, críticas e fofocas. Um filme, no fundo, simples, que pode decepcionar quem esperava algo muito mais espetacular para retratar um Kennedy. Mas até os Kennedys, “big as life” como eram, também eram apenas pessoas. 

 

INDICAÇÕES AO OSCAR
Atriz: Natalie Portman
Música original: Mica Levi
Figurinos: Madeline Fontaine

TRAILER DE "O CONTRATO DE JUDAS"



por Renato Rodrigues
Muito se fala da qualidade dos desenhos da DC. A maioria é mesmo boa, tanto na TV (Universo Animated, Bravos e Destemidos e Justiça Jovem) quanto em longas para DVD. E saiu hoje um trailer da adaptação de uma das melhores sagas dos Novos Titãs, "O Contrato de Judas". Confira aê abaixo.



Não é a primeira vez que essa saga é animada. Na TV, naquele desenho  "Jovens Titãs", essa trama foi desenvolvida de maneira bem legal, adaptada às circunstâncias daquele universo meio anime.





Aqui, a trama foi novamente embrulhada em novo pacote para ser vendida à uma nova audiência: Saem Moça Maravilha, Ciborg e Kid Flash e entram Robin (Damian Wayne) e o Besouro Azul "paraguaio".




E, claro, entra também Dana Markov, a Terra. Nos quadrinhos essa trama teve um impacto sem igual sendo trabalhada durante meses pela editora (pela dupla Marv Wolfman e George Perez, pra falar a verdade). 

POSSÍVEL SPOILER DA TRAMA A SEGUIR
A surpresa de que um dos heróis era o(a) traidor(a) do grupo foi avassaladora. Cada ação do passado foi revista por nós que relíamos a saga em busca de uma resposta do porquê de tamanha traição. Nós também confiávamos nele(a) e nos sentimos igualmente feridos assim como Robin e seus amigos.

Não foi à toa que a saga foi escolhida para fazer parte da coleção de encadernados capa dura recente nas bancas. RECOMENDAMOS sem pensar duas vezes!




Se vai funcionar na animação (que terá apensa uma hora e meia para mostrar a relação de amizade e confiança sendo trocada pela traição pelas costas, só vendo mesmo o desenho inteiro). Eu acho meio difícil passar o mesmo sentimento de abandono que passamos em meados dos anos 80 lendo Contrato de Judas.
Depois me digam se vocês também foram traído por "Judas" nessa animação (positiva ou negativamente).

Chá das Cinco #23 - "O Goblin" Drama Coreano



Eddie Van Feu fala sobre a minissérie O GOBLIN, trama no estilo "Dorama Coreano", (uma mistura de novelinha com seriado). Conheça a triste história de Kim Shin, um ser milenar condenado a proteger as almas mortais até que encontre uma maneira de quebrar uma maldição.

"Goblin - The Lonely and Great God" 

ELENCO:
Gong Yoo
Kim Go-eun
Lee Dong-wook
Yoo In-na
Yook Sung-jae

---- Veja a minissérie aqui -----
www.dramafever.com