terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

MORRE O ATOR RICHARD HATCH, O APOLLO DE GALACTICA - ASTRONAVE DE COMBATE

Há muito tempo, um planeta resolveu fazer um pacto de paz com seres hediondos e traiçoeiros que não só quebraram o acordo como destruíram o planeta, literalmente. Uma frota de naves conseguiu escapar com sobreviventes e passaram algumas temporadas buscando um lugar chamado Terra onde pudessem ter novamente um lar.



Essa era a premissa de Galáctica - Astronave de Combate, em sua primeira versão em 1978. Galáctica me fez olhar para as estrelas de uma maneira diferente e por toda a minha infância eu imaginei aventuras incríveis ao lado de Apollo e Starbuck (mais ao lado de Starbuck, eu confesso).
Hoje, o ator que deu vida ao pai solteiro e piloto de caça Apollo, nos deixou aos 71 anos, após uma longa luta contra uma doença. É com pesar que os lobos do Alcateia uivam seu adeus a alguém que sempre fará parte de nossas vidas, mesmo estando entre as estrelas.




Os filmes do Oscar: ESTRELAS ALÉM DO TEMPO (3 indicações)


Por Ricky Nobre



A negritude, cuja a ausência foi a grande polêmica do último Oscar, está mais relevantemente presente este ano. Ao menos três filmes trazem não apenas artistas negros, mas têm a questão como tema central. Um deles é a história das mulheres negras cujas fantásticas contribuições ficaram apagadas na história da NASA. 

 

Estrelas Além do Tempo (a cafona versão nacional para o brilhante e intraduzível título Hidden Figures) acompanha a trajetória de três das dezenas de calculadoras negras que trabalharam na NASA em meados do século XX. A escolha das protagonistas não foi aleatória: cada uma foi uma pioneira. Katherine Johnson (Taraji Henson, ótima) calculou as trajetórias das naves dos primeiros americanos no espaço. Dorothy Vaughan (Octavia Spencer, indicada) foi a primeira supervisora negra da NASA e foi responsável pelo operação dos primeiros computadores IBM da agência. Mary Jackson (Janelle Monáe, cantora pé quente que estreia nas telas com este filme e Moonlight, ambos indicados) foi a primeira negra a se graduar engenheira numa universidade para brancos. 

 

Em seu segundo longa-metragem, o diretor Theodore Melfi faz o que é comum nas cinebiografias e demais obras “baseadas em fatos reais”: ficcionaliza. Muito do que se faz é compreensível, como os personagens ficcionais de Kevin Costner e Kristen Dunst, que são amálgamas de pessoas reais combinadas em uma figura única para simplificar a narrativa. As verdadeiras Katherine, Dorothy e Mary, apesar de colegas de trabalho, não eram melhores amigas e não viviam grudadas. Em outro exemplo, por questões dramáticas, as viagens intermináveis ao banheiro segregado feitas, na verdade, por Mary foram transferidas para a personagem de Katherine. A verdadeira Katherine simplesmente ignorava os banheiros segregados e usava os dos brancos. E tendo escolhido Katherine como personagem central, o roteiro dá a ela experiências de racismo entre seus colegas de trabalho que a Katherine real não vivenciou, com o objetivo de contextualizar corretamente a segregação que ainda era lei na virada dos anos 50/60.

 

Muitas das liberdades históricas do filme (como mostrar os departamentos segregados ainda ativos em 1962, quando eles foram extintos pela NASA em 1958), deve se originar do fato de que o livro no qual o roteiro se baseia só foi lançado um ano depois de concluídas as filmagens. Os roteiristas tinham apenas uma sinopse de 50 páginas do livro que ainda estava sendo produzido. Mesmo assim, o filme se sai muito bem no seu objetivo de apresentar essas mulheres e seus extraordinários feitos. A verdadeira Katherine, 100% lúcida aos 98 anos, assistiu ao filme e aprovou o resultado. Porém, o filme falha em ir além do básico esperado de uma cinebiografia hollywoodiana e perde a oportunidade de, por exemplo, analisar o discurso das personagens que dizem se esforçar tanto nos projetos por questões patrióticas (sob a pressão dos sucessivos êxitos soviéticos), tendo em vista que esse mesmo país, por cuja glória tanto trabalharam, as segregaram enquanto mulheres e negras. O filme é obrigatório pela temática, mas é pobre em cinema. 

 

INDICAÇÕES AO OSCAR
Filme
Atriz coadjuvante: Octavia Spencer
Roteiro adaptado: Allison Schroeder e Theodore Melfi from baseado no livro de Margot Lee Shetterly

Chá das Cinco #22 - Sobre Ben Affleck fora da direção do Batman

Semana passada saiu a confirmação de que Ben Affleck pulou fora da direção de "The Batman", filme solo do morcego depois de Liga da Justiça. O que está havendo? Fizemos um bate-papo rápido na sexta tirando nossas modestas conclusões.

 

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

Os filmes do Oscar: A QUALQUER CUSTO (4 indicações)


Por Ricky Nobre



Dois irmãos com dívidas assaltam diversos bancos no Texas e são perseguidos por uma dupla de policiais, sendo um deles um veterano perto de se aposentar. É possível que uma premissa tão ordinária e já repetida à exaustão gere um filme indicado ao Oscar? Com inteligência e talento, sim!

 

O que torna A Qualquer Custo tão divertido, empolgante e dramático é a contextualização dos personagens e suas motivações na América de hoje, com economia devastada, desemprego, falências e com os bancos apossando-se das propriedades da população empobrecida. Desta forma, Toby (Chris Pine), que andou na linha a vida toda, traça com seu irmão Tanner (Bem Foster), preso dez anos por assalto, um plano de assaltar bancos da mesma rede que está prestes a tomar a propriedade que era da mãe recém falecida. Num dos diversos diálogos brilhantes do filme, o advogado da dupla dispara: “Pagar o banco usando o próprio dinheiro deles é a coisa mais texana que eu já vi”. Os assaltos são realizados em pequenas agências de pequenas cidades do interior do Texas, o que chama a atenção dos “rangers” Marcus (Jeff Bridges, cada vez melhor) e Alberto (Gil Birmingham), que passam o tempo insultando-se amigavelmente enquanto caçam, no ritmo tranquilo e calmo do “interioirrrr”, a dupla de malfeitores.

 

Mesmo com a ótima direção do escocês David Mackenzie, a profunda americanidade do filme é fruto de seu roteirista Taylor Sheridan, que já havia exposto outra chaga americana, a guerra às drogas, ano passado com Sicario. Não apenas a realidade econômica, mas também a cultura texana é parte essencial do filme, como na cena, ao mesmo tempo dramática e cômica, quando todos os clientes do banco recebem os assaltantes a tiros, quase como se fosse ilegal para um texano andar desarmado. Neste western moderno, embate final entre Toby e Marcus é, em última análise, o embate entre a Lei estabelecida e a revolta do oprimido, onde o resultado depende, na verdade, dos indivíduos. 

Três missões no Iraque, mas não tem "resgate" para pessoas como nós.

INDICAÇÕES A OSCAR
Filme
Ator coadjuvante: Jeff Bridges
Roteiro original: Taylor Sheridan
Montagem: Jake Roberts
 

Chá das Cinco #21 - Eu verei "4 Vidas de um Cachorro"

A polêmica sobre o filme foi grande e também confusa.
Eddie Van Feu fala porque ela decidiu (Mesmo antes da produção ser inocentada) assistir a QUATRO VIDAS DE UM CACHORRO

NÃO VAI TER GLÓRIA NO OSCAR! Nem Oscar vai ter...


por Renato Rodrigues
Sabe aquela história do cara que "Não come e nem sai de cima"? Pois é, a Globo pegou o OSCAR esse ano de novo. Estarão na apresentação a minha musa da Globo News , Maria Beltrão, o simpático jornalista  Artur Xexéo e o ator Miguel Falabella. 

Belê, só que o trio vai comentar a cerimônia do domingo, dia 26 mas a Globo só vai transmitir isso no dia seguinte por conta das transmissões dos desfiles das escolas de samba. FALA SÉRIO!!! Ok, todo mundo aqui entende que o business é ganhar dinheiro e que na TV aberta o Carnaval SEMPRE vai dar mais IBOPE do que a festa do Oscar. Normaaal! Mas para que pegar então os direitos? Para que privar as pessoas que só tem TV aberta, e que querem ver a festa, de assistir ao vivo em outro canal? Mais um prato cheio pra TV paga ($$$) ou pra quem consegue algum site grátis pra assistir na internet.

Depois não vão reclamar que internet está acabando com a TV e mimimi...

  

E pra finalizar, veja só como as pessoas são sem noção: ai invés de reclamarem que NÃO VAI TER GOLPE OSCAR, eles se juntam no Twitter para PEDIR A (hastag) VOLTA DA GLÓRIA PIRES como comentarista!!! Fala sério (de novo!)! Nada contra a atriz, gostamos muito dela e todos se divertiram (mesmo que respeitosamente) com os memes sobre "Não saberia opinar!". Mas para que pedir a volta dela se o Oscar vai ser no dia seguinte onde todo mundo já viu e comentou sobre os vencedores?

Fui até perguntar ao meu amigo Magno, o que ele achava disso:

domingo, 5 de fevereiro de 2017

AQUAMAN, MULHER MARAVILHA E MEGATRON em nova foto


Os filmes do Oscar: O LAGOSTA (1 indicação)


Por Ricky Nobre



No lendário álbum do Pink Floyd “The Dark Side of the Moon”, David Gilmor canta que “agarrar-se ao desespero silencioso é o jeito inglês”. Apesar de ser uma produção irlandesa com um diretor e roteirista grego, O Lagosta deve ser uma das coisas mais britânicas que você conseguirá ver.


 

Numa sociedade distópica, quando uma pessoa termina um relacionamento ela é levada ao “hotel”, onde tem 45 dias para arrumar um companheiro ou será transformada num animal de sua escolha e entregue à natureza. Fugitivos do hotel são caçados pelos próprios hóspedes, e a cada solitário capturado ganha-se um dia a mais no hotel. Existe uma obsessão pelo encontro com o par perfeito a partir de uma única característica em comum, como se dela, e dela apenas, dependesse a razão de ser do relacionamento, na total antítese da crença de que “os opostos se atraem”. Paradoxalmente, num mundo onde é ilegal estar sozinho, não se acredita em relacionamentos que lidem com diferenças. Os que conseguem fugir agregam-se a outros solitários que vivem escondidos nos bosques. Entre eles, existe também a intolerância, e qualquer flerte entre eles é severamente punido.

 

Essa premissa absurda é apresentada pelo diretor e roteirista Yorgos Lanthimos (do barra pesadíssima Dente Canino) sem qualquer artifício que facilite a introdução do espectador nesse universo. As interpretações são, em sua totalidade, carregadas de um artificialismo e formalidade constrangedores, principalmente nos diálogos entre os “hóspedes” do hotel, em desajeitadas tentativas de socialização, justamente numa sociedade que não tolera solitários. Existe muito do humor inglês nessa sátira onde os personagens se apresentam muitas vezes impassíveis diante de situações completamente absurdas, obedientemente aceitando o status quo. O riso, no entanto, vem difícil, de tão profundamente mordaz que é a sátira. Mais do que o dúbio final em aberto (que para alguns pode parecer bem claro), é todo o angustiante paralelo com nossa visão de relacionamentos que faz o filme permanecer entalado em nossa garganta até bem depois de ser término.

 

INDICAÇÃO AO OSCAR
Roteiro original:  Yorgos Lanthimos e Efthimis Filippou