domingo, 5 de junho de 2016

HIGHLANDER - A SÉRIE

Domingo é dia de nostalgia aqui no ALCATEIA.COM: 
Ele é Duncan MacLeod, o Highlander protagonista da série que viveu para sempre na TV (Pelo menos entre 1992 e 1997) 

por Patricia Balan
A série conta a saga de outro guerreiro imortal, nascido na Escócia. Este, assim como o protagonista do filme que originou a série, Connor MacLeod (Christopher Lambert), caminha pelo mundo cortando cabeças e destroçando corações, procurando incessantemente os invernos mais gelados que possam justificar o uso do sobretudo chiquérrimo, onde esconde sua espada. Por isso não existe guerreiro imortal morando na América Latina...



Ao contrário do que diz o lema dos guerreiros imortais, no que diz respeito a séries de TV e longa-metragens pode e deve haver mais de um. Highlander, o filme, teve duas continuações e a série Highlander continua com outro nome e outra protagonista. Agora “Highlander – The Raven” com Elizabeth Gracen. 


Admite-se que os peitorais saltitantes do protagonista Adrian Paul sejam os grandes responsáveis pelo sucesso do seriado, mas, como toda a série de TV, Highlander teve seus altos e baixos. No começo tudo era bem simples. Um guerreiro imortal, muito bonitão, batendo em todo mundo para acabar com a violência. A imortalidade era uma tremenda vantagem. Era só levar um tiro, disfarçar, ressuscitar sutilmente e ir atrás do bandidão de novo. Os imortais são separados entre os imortais Bons e os Maus. Duncan MacLeod tem a noção exata do bem e do mal e sempre uma piadinha para encerrar o episódio. Para satisfazer a audiência mais jovem, o parceiro de Duncan, Richie Ryan, é uma gracinha! Sua frase mais constante é: “...mas Mac, eu não entendo...” Nem poderia. Só Duncan MacLeod sabe tudo. A série não duraria um ano só com isso. Então um personagem antagonista a Duncan, avesso à violência, entra em cena: Darius. Como o solo sagrado é o refúgio de qualquer imortal, para Darius até era fácil ser contra a violência. Mas não era assim. Darius deveria ser um baluarte de sabedoria e bondade. Alguém para dar bons conselhos a Duncan MacLeod.


Só que Werner Stocker – o ator que fazia Darius – morreu. A equipe ficou um pouco apavorada porque não era a primeira vez que um ator que havia feito o papel de um sacerdote na série morria meses após ter participado das gravações. Desistiu-se totalmente de procurar uma personagem que fosse o bem absoluto e trouxeram a coisa mais para perto dos simples mortais. Investigando a morte de Darius, Duncan MacLeod conhece seu vigilante: Joe Dawson. Os Vigilantes são uma organização feita com o único intuito de estudar os imortais e registrar seus atos, sem jamais interferir. É proibido aos Vigilantes revelar sua existência aos imortais. Só que Joe se torna amigo de Duncan que, inteligente como é, não demora a descobrir tudo sobre Joe Dawson e os Vigilantes. Para piorar as coisas, Duncan descobre que foi o cunhado de Dawson, também um Vigilante, que matou Darius. Se Duncan for à frente com sua vingança, deixará a irmã de Dawson viúva. Finalmente, a dificuldade ficou além de simplesmente chegar perto o bastante do inimigo para matá-lo. Passou-se a discutir se valia mesmo a pena tanta violência. Claro que o vilão implorava para morrer fazendo cada vez mais atrocidades e a decisão acabou sendo fácil. Duncan MacLeod continuou sendo o dono da verdade no segundo ano da série, mas agora tinha um grande amigo, mortal igual aos espectadores, e estava começando a quebrar algumas regras em nome desta amizade. Para tornar MacLeod ainda mais humano, a previsível morte da namorada do herói (nenhuma escapa!) ocorre da maneira mais normal possível. Tessa Noel é assaltada enquanto voltava para casa e não tinha dinheiro nem jóias para oferecer ao bandido. Quando estende as chaves do carro para o assaltante, implorando para não morrer, o marginal dispara contra ela e Richie, que lhe fazia companhia. Richie descobre nesta noite que é um imortal . Quando ressuscita, depara com Duncan chorando sobre Tessa e pergunta se ela não vai voltar também. 

A imortalidade não parece mais tão simples. Esta questão foi muito melhor explorada na telona, quando a esposa de Connor MacLeod morre de velhice, sem filhos, nos braços de um esposo jovem. A música “Who wants to live forever” do Queen arrancou algumas lágrimas no cinema. Se é para ver os que você ama morrerem, quem quer viver para sempre? Amanda! Alguns meses depois da morte de Tessa, MacLeod encontra sua amante doidinha, a ladra Amanda, 1000 anos mais velha que ele. Amanda é uma personagem muito divertida capaz de convencer MacLeod de que ele saiu da sala cinco minutos atrás. Ela é a coadjuvante que torna MacLeod mais vulnerável e menos perfeito. Tão bonitinho como ele é, não é um charme ser um pouquinho tapado também? Numa das falas mais divertidas, Amanda tenta convencer MacLeod de mais uma mentira deslavada: “Eu juro pela alma da minha mãe, Mac!” – Ao que MacLeod responde, já sem paciência: “Amanda! Você não TEM mãe!!”


No terceiro ano MacLeod arruma mais uma namorada mortal e desta vez é ele quem acaba morrendo na frente da moça. MacLeod pisa na bola mais de uma vez, experimenta o medo da morte e a série dá uma esquentada. O mais irritante sobre o Highlander é o quanto ele julga as pessoas que o cercam. Ao enfrentar vilões espertíssimos e entrar mais em contato com outros imortais que não têm um código de moral tão rígido quanto o dele, MacLeod se tornou ainda mais interessante. Ele ficou ainda mais heróico e cavalheiro perdendo um pouco a pose de “sabe tudo”. Sem falar no melhor aproveitamento de personagens como Hugh Fitzcain, que aproveita a sua imortalidade para namorar o maior número possível de mulheres, e o revoltado Kenny, o imortal de 800 anos preso no corpo de um menino de dez. A imortalidade passou a ser discutida com mais facetas. Foi vista por sua faceta estática, não somente como uma vitória sobre a morte. No final do terceiro ano surge uma personagem que daria uma nova guinada na série. Ao investigar a existência do imortal mais velho do mundo, o lendário Methos, MacLeod vai à procura do pesquisador Adam Pierson, um Vigilante de hierarquia menor. Lá ele descobre que o imortal mais poderoso e velho do mundo é um Vigilante! “Encarregado de achar a mim mesmo, posso ter certeza de que isso nunca acontecerá.” Methos é esperto feito uma raposa, corre de brigas sem a menor vergonha e não sente culpa desde o século XI. Ele ri descaradamente dos melodramas morais de MacLeod e aconselha nosso herói a cuidar da própria vida. Os espectadores se apaixonara à primeira vista. O quarto ano seguiu a linha que o terceiro começou e diminuiu ainda mais o teor moral dos episódios. Só que mais um clichê foi usado: Duncan sofreu uma ziquezira e ficou malvado. Em uma Precipitação de Violência, fenômeno raro entre os imortais (mas que tinha que acontecer com MacLeod), nosso herói saiu distribuindo pânico e destruição pela Europa. Ele se mudou para Paris, onde foi socorrido por Methos. Ele descobre, em uma fonte mágica que Methos convenientemente conhecia, que seu maior inimigo era ele mesmo e literalmente luta contra o seu lado mau. Esta foi uma escorregada no roteiro, mas o efeito foi legal. Algumas cenas só poderiam causar sensação como a de Richie, de joelhos à frente de Duncan, prestes a ser decapitado, sem entender o porquê da violência do amigo. O quinto ano começa com Duncan e Dawson presos numa guerra feia entre imortais e Vigilantes. De que lado eles vão ficar? O quinto ano é um dos melhores. O conceito de certo e errado vai pras cucuias, Duncan questiona seriamente seus valores e perde a paciência com Methos. Um pouco sobre o imenso passado da personagem Methos é revelado e as audiências vão à loucura. Methos não julga ninguém porque já fez de tudo na vida. Tudo de bom e ruim também. E mais uma vez Duncan tem que decidir se mantém a amizade com alguém a quem não julga “decente”. 



No final do quinto ano, outra escorregada. Duncan MacLeod é nada menos que o “escolhido” para acabar com o “mal”. Uma profecia antiga diz que justamente o nosso herói tem que brigar com o inimigo invencível e vencer! Nesta empreitada Duncan mata Richie sem querer (!),os roteiristas enfurecem uma legião de fãs e estragam um ano excelente. 

O sexto ano não escapa à escorregada do final da temporada anterior e Adrian Paul já havia anunciado que não queria saber mais de Highlander. Era o fim... A temporada foi execrada pelos fãs e somente alguns poucos episódios se salvam. Entre estes o reaparecimento de Methos, numa aventura de momentos hilários com Joe Dawson. Este foi o último episódio gravado e, ao final, toda a equipe fez uma festa de despedida. Foi estranho, pois justamente Adrian Paul não estava presente. Os últimos episódios a irem ao ar ( “Ser” e “Não ser”- ambos com a participação de Methos) foram gravados anteriormente. 

Parecia que Adrian Paul dava adeus ao Highlander sem sequer olhar para trás, mas não é assim. Ele brigou para levar às telas “Highlander IV – Endgame”, filme que reuniu o Highlander da TV e no cinema dando sequencia a suas imortais aventuras.

Nenhum comentário: