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quarta-feira, 15 de maio de 2019

Hanna Barbera para maiores

Por Nanael Soubaim
Mas é claro que eu editei! Isto é um blog de família!
Não é de hoje que os fãs dos personagens da Hanna Barbera esperam pelo retorno da grife ao mundo da animação e, quiçá, seu glorioso ingresso ao crescente e altamente lucrativo universo das versões live action. Sim, tivemos Scooby-Doo, mas sinceramente não foi o que nós, mais velhos, conhecemos quando o desenho era repetido ad infinitum na televisão.

    Nem vou falar daquele vexame que fizeram com o Manda-Chuva que foi um personagem rico, mas incompreendido pelos americanos na época porque se tratava de um malandro tipicamente brasileiro, o que eles ainda hoje simplesmente não comprendem.

    Que dirá dos Jetsons? Era moderno demais para a época, dizem alguns especialistas, mas eu acredito mesmo é que as pessoas não estavam tão interessadas em ver então uma série futurista baseada no cotidiano de um cidadão comum; ainda mais que os problemas tipicamente mundanos estavam presentes e escrachados no desenho.




Eu poderia passar anos escrevendo e não abrangeria decentemente todos os personagens HB, seria um livro só para listar os nomes de todos eles.

Acontece que mesmo com a simplicidade extrema da maioria das animações, a Hanna Barbera conseguia o feito de dar carisma e personalidade a TODAS elas, mesmo quando não pareciam ser mais do que versões diferentes de um mesmo tema; o que geralmente era, mas aí vai o talento de uma equipe que pega um Fusca e transforma em Variant, Brasília, TL, TC, Karmann Ghia, Kombi, Puma, Miura, MP Lafer, bugues infinitos e kits a perder de vista. Todos têm a mesma base e origem, mas cada um tem seu próprio comportamento e prazer de dirigir para tipos diferentes de motorista.

Era esse o mote da HB. Fazia o pasteurizado ter personalidade, como se uma montadora tivesse divisões ou concessões homologadas para customização para versões de nicho. Alô, General Motors, esse puxão de orelha não é uma indirecta, é para vocês mesmo!


Voltando ao tópico de entretenimento, é justo essa versatilidade que fazia personagens que eram praticamente copiados e colados terem personalidades próprias, e fazia a legião de fãs angariada relevar uma base secreta do alto de um edifício no centro de uma metrópole de onde saía um jato e NENHUM VIZINHO SEQUER PERCEBIA O ESTRONDO. É um absurdo? Sim, é um tremendo absurdo, mas fazia parte da diversão; era para rir mesmo, quem quisesse chorar assistia ao jornal logo a seguir.

Ao contrário do que se pensava até os malfadados anos 1990, essa legião de fãs não só não desapareceu como cresceu. Gente que nunca tinha visto as reprises no festival Hanna Barbera, nas tardes ao longo da semana, simplesmente ama a grife. Gente que sequer tinha nascido quando a internet começou a trazer toda essa nação de personagens de volta à tona, constitui uma verdadeira torcida organizada.



Basta um ilustrador talentoso divulgar um pôster alusivo e a rede se enche de esperançosos pelo não só retorno à programação televisiva, ou por streaming, como por filmes block busters que realmente valham o ingresso e a memória de William e Joseph. Perceberam o que quero dizer? Em uma época em que as franquias de heróis veteranos se expande mais rápido do que o universo, há um público cativo ávido por gastar seu suadi dinheirinho em ingressos e bugigangas com a marca Hanna Barbera. É um pomar de bilhões só esperando pela colheita.

Ok, já apresentei o paraíso, agora mostrarei o purgatório. Assim como a Marvel com o quarteto fantástico, as melhores intenções para com a HB esbarram em um imbróglio incompreensível de licenças e patentes em que NINGUÉM se senta para discutir a divisão de dividendos, que seriam imensos, decorrentes do sucesso da exploração adequada desses personagens. Fica todo mundo emburrado de cara para a parede e mostrando a língua para quem tenta argumentar. É como se um monte de confeiteiros tivesse cada um, um ingrediente para um bolo viciante, mas nenhum se dispusesse a entregar o seu para fazer esse bolo.

Só que ao contrário do que acontece com o quarteto, zombado com memes (“As coisas estão estranhas”, “esticaram demais o filme”, “roteiro invisível”, “a franquia se queimou”) os fãs da HB dedicam sua fúria aos executivos engomadinhos que não saem de suas salas climatizadas; síndrome da Chrysler, talvez: excelentes carros e péssimas decisões.



    Enquanto isso, os fãs continuam a se nutrir de versões independentes na internet, onde artistas e roteiristas (que são artistas das letras) esbanjam seus talentos em quadrinhos e pôsteres de fazer inveja a qualquer estúdio gigantesco de Hollywood. Eu me surpreendi há uns dez anos, quando digitei os nomes de alguns personagens e vi uma miríade, do mais tosco ao mais refinado, de desenhos independentes relacionados. Mesmo com a estilização que a maioria impunha, cada personagem era perfeitamente reconhecível, desde as versões mais fofas e inocentes até as mais adultas… e picantes… e indecentes... e outras coisas que nem se o que são… é aqui que a porca torce o rabo, meus amigos.

    Digite “Captain Caveman” e aparecerão milhares de resultados, alguns impróprios para menores. Acrescente “hot” e, em vez de restringir, os resultados serão maiores e mais diversificados. Coloque “hentai” ou “porn” e vais se surpreender tanto com a quantidade quanto com a ousadia. Isso vale para todos os personagens, aliás, podem até procurar genericamente por “Hanna Barbera” que esses resultados dignos da Sexta Sexy aparecem, ainda mais acrescentando as extensões. Pinterest e Deviant Art estão repletos deles. Nem adianta colocar filtros, porque aparecem assim mesmo e, dou a mão à palmatória, a arte geralmente é invejável. Os produtores dessas versões se esmeram em realçar a beleza facial das garotas como nenhum estúdio oficial foi capaz até hoje. Quem não está procurando por onanismo simplesmente fica hipnotizado pelos rostos que eles pintam.




   Torcendo mais o rabo da porca, conclui o que já suspeitava há tempos, a indústria da pornografia é a que mais preserva e divulga a memória do entretenimento, e também a que mais lucra com isso. Alguns vão dizer que estou de sacanagem, mas asseguro meus amigos, aquilo que os filtros tentam barrar sem sucesso é justo o que me levou a conhecer versões renovadas e não eróticas dos clássicos da Hanna Barbera. Hoje não me rendo mais ao rubor, é digitando “Josie and the Pussycats hentai” que as versões em arte mais finas e bem-acabadas, e apresentáveis à família, são encontradas com mais facilidade e profusão. Eu não estou brincando, precisaria praticamente viver disso para poder vasculhar todas as opções de censura livre! Imaginem as com tabela etária…

Enquanto os estúdios de quadrinhos e filmes se digladiam, cada um escondendo seu ovo e sua farinha, a enxuta e ágil indústria do erotismo vende pequenos e bem-feitos bolos em larga escala. Os bocós não querem ganhar fortunas de uma só vez com nababescos bolos de noiva? Eles ganham fortunas com pequenos cupcakes de fino acabamento vendidos aos milhares, não se envergonhando em desenhar mulheres com traços graciosos e encantadores. Enquanto muitas vezes os estúdios apelam ao “custo/benefício” e depois se perguntam o que teria dado errado, os independentes ouvem seus seguidores e fazem o melhor que eles querem comprar, e fazem em grandes quantidades; e vendem tudo.







   Eles não perdem tempo com disputas internas e reuniões intermináveis, eles focam nos interesses comuns e depois acertam o resto, o importante é atender à demanda e pagar os custos da produção, os dividendos e a distribuição da renda resultante são meras conseqüências dessa agilidade e racionalidade: o fã quer, o fã tem. Ah, claro! Eles LÊEM os quadrinhos e VÊEM os desenhos clássicos, discutem em iguais condições com os nerds mais avançados, enquanto o executivo engomadinho com NBA em coaching pensa que Ben Grimm é um dos irmãos Grimm!

Sem trocadilhos infames, os estúdios deveriam voltar às suas origens, reaprender a atender ao público vendo seus rostos e se inserirem até o fundo daquela caverna de criatividade e frescor que há décadas eles não conhecem, mas os artistas independentes, livres leves e soltos exploram com fervor.

Até lá… Well… Até lá vamos continuar digitando “Penelope Pitstop hot” para suprir superficialmente a demanda que os engravatados não conseguem, inclusive com os crossovers mais bacanas que se possam imaginar… mas o mimimi corporativo proíbe.


P.S: Sim, voltei depois da longa hibernação para onde estou voltando. Até a próxima bronca.

domingo, 20 de agosto de 2017

Não quero risadas ro-ro, quero risadas re-re!


MEU DEUS! ELES ESTÃO JUNTOS!
By Nanael Soubaim

    Quem foi Jerry? Bem, a biographia dele pode ser pesquisada à vontade pela internet, então falarei de minhas impressões deste ícone do gênero! Este ratinho malandro, que sempre fez o gato Tom de bobo... Hein? Não é esse Jerry? Tem outro? Ah, sim, me desculpem!

    Joseph Levitch, o judeu sério e irascivelmente perfeccionista detrás de Jerry Lewis, era o tipo de paciente que um psicanalista diagnosticaria facilmente como tendo dupla personalidade. Ele não fazia questão de esconder seu humor de urso faminto, na verdade o praticava com religiosa assiduidade. Durante os estudos para cada trabalho era de um tecnicismo que fazia qualquer um duvidar que aquele homem chato pra Corinthians, era o mesmo que fazia os colegas se molharem de rir durante as gravações.

    Há quem diga que quando juntos Jerry, Dean Martin e Audrey Hepburn, ninguém suportava o trio. Aqui, aliás, há um gancho para corrigir algumas injustiças de aprendizes de fofoqueiros. Jerry tinha um luto íntimo e coletivo, por conta do holocausto, que a Alemanha CONFIRMA OFICIAL E
CATEGORICAMENTE QUE ACONTECEU; ninguém puxa briga com a Alemanha e sai andando em linha reta. Audrey, já contei aqui, fazia parte da resistência à ocupação nazista na Bélgica, levando mensagens em suas sapatilhas. Ela não gostava de pessoas falsas, logo aquele aloprado arrumadinho das telas, tinha sim algum reflexo na vida real, só que o mau humorado típico e verdadeiro nunca dá o braço a torcer, não em público e não a qualquer um; leia-se: imprensa.

    A fidalga gostava de pessoas que a fizessem rir, mas não simplesmente gargalhar em um encontro social e depois virar a cara. Se eles se davam minimamente bem, meus caros, então o sacripantas não era tão má pessoa assim, pelo contrário. Se ela às vezes queria torcer seu pescoço? Com absoluta certeza, ela sempre foi assim com quem gostava, de quem não gostava ela preferia manter uma distância fria e civilizada.

   Dean não era uma muleta e tampouco um sub-Sinatra. Ele tinha personalidade própria, era um conquistador canastrão com cantadas surradas que, justamente por isso, funcionavam. Ninguém se previne contra o que parece ser inofensivo, por isso tanta gente pega gripe todos os anos. Ele foi o parceiro perfeito e contraparte ideal para os tipos ingênuos e desengonçados de Jerry. Os dois eram as caricaturas perfeitas do americano médio da época e, acreditem, eram o cidadão se reconhecia nos dois. Um era o que o americano acreditava ser, o outro o que no fundo realmente era e não admitia nem para o espelho. Até hoje é assim, e o brasileiro não é tão diferente dele para fazer pilhérias.

    Apesar de ter se desligado cedo demais, acredito para mim, dos grandes estúdios, ele continua a ser lucrativo para a Paramount, porque seus trabalhos vendem bem até hoje; e muito mais a partir de hoje, Elvis Presley e Michael Jackson que o digam! Os filmes dele sempre foram sucesso garantido na televisão. Os petizes, quando vêem seus filmes pela primeira vez, estranham e se assustam com o cenário da época, mas no fim se assustam mesmo é percebendo que as pessoas eram felizes sem esse monte de coisinhas cibernéticas de hoje. Ele é quase unânime, só desagradando mesmo à geração "mimimi olhar torto me ofende". Até quem o odeia gostava dele!

    Não é todo super astro lendário da era de ouro de Hollywood, que aceita fazer uma participação em um filme brasileiro, convidado por um maluco sem noção que faz o protagonista da trama. Ele fez mil exigências, mas todas elas foram irrisórias diante do resultado, e praticamente inexistentes para quem aproveitou a experiência única de ver a dupla personalidade emergir cada vez que contracenavam. Hassum, seu rabudo!

    Quanto às declarações polêmicas, provas de que ele tinha sim dupla personalidade, Lewis as assumiu, se desculpou e não tocou mais no assunto, embora a imprensa especializada até hoje esmiúce cada uma delas em todas as possibilidades inimagináveis, até que parem de dar audiência e patrocínio. O que mais queriam que ele fizesse? Que "desdissesse"? Quando indignado, não tinha jeito, o humorista sem noção emergia e evitava que ele soltasse algo bem mais grave do que o "politicamente incorrecto". Hoje, até dizer que não gosta de indie alternativo acústico folclórico milenar, pode ser ofensivo para alguém. Ele realmente estava coberto de razão, ontem, quando decidiu que não queria mais viver neste mundo insuportável.

    Algo que o alter ego mostrava bem, quase que em forma de parábola humorística, é o que hoje muita gente me reclama: se você é bom, então você é só um amigo, para romance as pessoas preferem quem as faz sofrer. É só uma das mazelas da sociedade que ele mostrava de forma escancarada. Podem ver isso em todos os filmes dele, em especial em "O Professor Aloprado", que tem as duas situações em um só personagem. Desculpe, Murph, seu trabalho é óptimo, mas o verdadeiro e legítimo nerd primordial, foi Lewis quem revelou ao mundo e interpretou como ninguém.


    A última polêmica é seu filme proibido "O Dia Em Que O Palhaço Chorou" de 1972, onde ele narra a tragédia de um palhaço judeu em um campo de concentração, que era obrigado a alegrar as crianças que esperavam para entrar na câmara de gás. Embora tenha financiado a obra e se divertido muito, fazendo palhaçadas e tirando o director do sério muitas vezes, ele a odiava. A considerou um lixo. Na verdade o que se acredita é que ele fez tão bem o papel, que se odiou por tê-lo feito. A boa notícia é que provavelmente estará nos cinemas até 2022, segundo especulam. Se é bom mesmo, só a estréia com acento agudo dirá, mas é certeza de que quem não gostar, ainda assim vai ver três ou quatro vezes só para apontar detalhe por detalhe e provar que não gostou; mesmo que tenha gostado.

    Ah, tá, eu não falei que ele fez parte da minha infância, que era o rei da Sessão da Tarde, que a Globo perdeu a graça depois que parou de exibir seus filmes, que ele era o verdadeiro e legítimo comediante... Talicoisers! Todo mundo já disse isso! E eu não sou todo mundo!

    Triste? Sim, estou, mas isso passa. A obra do mestre fica. Uma salva de gargalhadas para JERRY LEWIS!

sexta-feira, 7 de julho de 2017

A era tosca, digo, dos Halley

TEXTO VELHO! TEXTO VELHO! TEXTO VELHO! TEXTO VELHO!



por Nanael Solbain

Em 1985 (mil novecentos e oitenta e cinco, leste direito) o mundo inteiro estava tomado pela febre do cometa Halley, que passaria em 1986 bem próximo da Terra, após ter aterrorizado os incautos terráqueos da belle époque. mas como naquela época, então os grupos de catastrofistaas apocalípticos estavam a disseminar mensagens sobre o fim do mundo, um monte de dogmopatas riam dos ímpios que queimariam no inferno, mas esta é a parte idiota, tratarei só da parte tosca.

O Brasil em particular tinha uma reaçãozinha colateral por conta dessa febre: A Família Halley. Nunca ouviste falar? Pois é, caiu no limbo por um quarto de século, mas voltou a ser possível ter informações a respeito, graças à internet. Vamos lá.

Uma das especialidades das emissoras nos anos oitenta era a dos musicais, especialmente para crianças, especialmente a Globo. A Era dos Halley (aqui e aqui) foi exibida pelo plim-plim em onze de Outubro de 1985, há precisos vinte e seis anos. A família Halley era formada por Urian (Eduardo Conde, in memoriam), Mercur (Gabriel Vannucci), Juna (Carmem Monegal), Lyra (Suzane Carvalho), Big Halley (Castro Gonzaga, in memoriam) e o robô Halleyfante, havia personagens secundários, mas os seis sozinhos dariam conta do recado.

Os Halley eram remanescentes de Hydron, planeta destruído pela devastação ambiental e guerras nucleares há milhões de anos, e usavam o cometa de Halley como veículo para alertar outras civilizações sobre os perigos que corriam... Quem conhece um pouco de astronomia sabe que a órbita do cometa é bem mais restrita do que a ficção faz parecer, mas era só uma brincadeira, lucrativa, mas só uma brincadeira, vamos então brincar também.


A halleymania também era alimentada por histórias em quadrinhos editadas pela Abril, que praticamente não chegaram ao interior do país, entre outras bugigangas. O sucesso no país era estrondoso, finalmente tínhamos heróis nacionais com "classe internacional".

Ainda hoje é possível comprar a trilha sonora.

Só que durou pouco, pouquíssimo. O cometa passou, sim, mas só pôde ser visto do pólo sul, que é virtualmente desabitado. Atrelada à espectativa de se ver o Halley, a halleymania esfriou rapidamente, virou mico e caiu no esquecimento. O calcanhar de aquiles de nossos heróis, como de quase todos os criados no Brasil, é a inconsistência. Eles faziam basicamente o que muitos outros heróis já faziam desde o fim dos anos sessenta, com muito mais competência e carisma, como japonês Specteman (aqui). Só o Halleyfante, com mais apelo ao público infantil, continuou participando por algum tempo do programa Balão Mágico.

Em minha humilde e ranheta opinião, foi mais uma boa idéia mal conduzida pelos criadores, da mesma forma como conseguiram arruinar novelas excelentes sem muito esforço. A porca distribuição de revistas em território nacional, bem como subtração de brindes das mesmas, é de conhecimento geral, mas mesmo para estes padrões a divulgação da mídia material (revistas, figurinhas, botons, et cétera) foi muito ruim, concentrando-se quase que somente no sul-sudeste do país. Uma distribuição teria atenuado os efeitos nefastos da pouca consistência do grupo; Red Sonja ainda vende bem, não vende? Então!

Justo por ser uma boa idéia, que alguns internautas conseguiram trazer de volta à tona, a família Halley certamente teria uma boa chance de sucesso, se entregue às mãos dos japoneses, para ser transformada em animes e mangás, talvez nos moldes de Evangelion (aqui) ou similar. Claro, então o nome "Halley" poderia ser pelo uso do cometa como transporte, para instalação dos alienígenas na Antártida, a partir do quê a trama toda se desenrolaria.

Mas sabem quais as chances de a Globo dar o braço a torcer? As mesmas de eu acordar agora, olhar para os lados e me lembrar que sou Albert II de Mônaco.

Aliás, tosco é apelido!

 

sexta-feira, 24 de junho de 2016

Lynda for president!





Por Nanael Soubaim

Hillary não teria chances! Trump até sumiria do retrovisor! Não haveria sequer um concorrente nas convenções de seu partido, se fosse realmente verdade. O facto é que ela talvez não tivesse estômago para os jogos políticos na vida real, ficaria muito frustrada e completamente engessada pela briga entre partidos, e também pelo fogo amigo que todos os presidentes americanos conheceram bem. Mas na ficção a história é outra!

A excepcionalmente bela e cordial Lynda Carter será presidente dos Estados Unidos, na série Supergirl. Criticada por ser considerada muito fraca, e olha que ela é prima do Superman, a introdução de uma personagem dessa magnitude, vivida por uma artista dessa envergadura, é mais uma tentativa de uma franquia salvar uma excelente idéia com execução não tão boa. Não é o primeiro e não será o último seriado com esse problema.

Imaginem quantas pessoas, de fora do círculo de super heróis, conhecem a identidade de Clark! Já Kara, coitada, deve existir até uma comunidade no facebook da ficção de gente que sabe quem é a Supergil. Aliás, até ele foi escalado para ajudar a dar credibilidade ao programa.

É válido? Sim, é válido, afinal os dois são complementos que fogem ao estereótipo de par romântico, é uma receita tradicional sem cair naquela mesmice; exceto é claro para a leva de onanistas que quer ver na telinha a encenação de suas fantasias púberes. Além de colocar a mais alta autoridade do país no pé da alienígena, com a interpretação de um rosto que sempre surpreendeu não só pela beleza, mas também pela vasta capacidade de expressões; Em tempo, foi a falta disso que tornou o filme Grace um fiasco. Nunca deveriam ter tocado no rosto de Kidman.

Mas até que ponto é válido? A isto eu respondo com até quando a DC vai tratar uma criatura extremamente poderosa como “a gatinha que voa”? Não sei se notaram, mas praticamente o que separa Kara de Kal-El é a experiência. Se levar em consideração o cérebro de um ser que viaja próximo à velocidade da luz, e por isso JAMAIS deveria ser pego de surpresa por coisa alguma, ele tem o equivalente a alguns séculos de experiência a mais do que a prima.

E Lynda? Bem, desde os anos 1970 que a popularidade da Diana definitiva não é tão alta. Não é só uma vovó que faz muita moça passar vergonha, ela é tão repleta de conteúdo e é uma actriz tão experiente, que o risco de o tiro sair pela culatra é grande, porque os mais atentos vão perceber a diferença de desempenho na interpretação das personagens. Por outro lado, a diva pode bem ter o ímpeto de passar seu cabedal par a jovem Melissa Bernoist, o que talvez convença os picaretas da DC a respeitar um pouco mais a inteligência de seus fãs, enquanto ainda o são, começando por dar mais relevância a uma personagem tão rica. Kara chorar vez ou outra no colo da presidente, ao fim do episódio, seria algo muito bom para a personagem. São uma garota fora dos padrões e uma mulher experiente.

Quanto ao aparente apoio da empresa à candidatura democrata, aqui o que reluz é mesmo ouro. Lá não é crime ter opinião.

quinta-feira, 16 de junho de 2016

Dêem Coca-Cola choca para os roteiristas da DC!


Por Nanael Soubaim

  Explico o título, dois pontos: Há coisa de um mês uma colega de repartição, pharmacêutica experiente, me recomendou a bebida quente e sem gás, para aplacar um mal que me perseguia dias seguidos. Experimentei, tomei um copo no primeiro dia e outro no seguinte, o resultado foi incrível! Cortou o mal de uma vez, sem efeitos colaterais e sem arrotos!

  Qual era o mal? Diarreia. Tenho um tubo digestivo resistente, mas quando ele decide me atormentar, não poupa crueldades.

  Vocês devem estar se perguntando se minha ira se deve ao filmeco sofrível e ofensivo à história dos heróis, que já foi alvo de mais ataques do que Beirute no auge da guerra. Mas não foi, os amigos do Alcateia sozinhos já trucidaram os picaretas o suficiente. Minha indignação é por outra disfunção intestinal dos roteiristas da Demented Comics.

  Como podem ver na ilustração, alguém fumou alguma erva vintage e resgatou o pior do que se tinha, na era de ouro dos quadrinhos. Criaram dois heróis genéricos, com poderes genéricos, poses genéricas e um baita de um discurso mais genérico do que medicamento sem marca. Ah, sim, os nomes também não são um primor de originalidade: Gothan e Gothan Girl... Dão a impressão de que aproveitaram um exagero do Flash, pegaram carona em uma fenda temporal e interdimensional, e desembarcaram em uma Gothan City que pensam ser a deles.

  O argumento não é brilhante. Em vez de usar seu poderoso batjato para rebocar o avião, atingido por um míssil, em uma velocidade em que o piloto poderia controlar até a aterrissagem, ou mesmo chamar o amigo de todas as horas Kal-El, ele arrisca a vida sem tanta necessidade, sendo salvo com a aeronave e seus ocupantes pelo casal voador de uniformes art déco. Bruce deve até ter pensado "Porra, Clark, que palhaçada é essa?", antes de ouvir o discurso obsoleto "Esta é a nossa cidade. Estamos aqui para salvá-la" em tom desafiador. Clark teria pousado no teto do avião e se anunciado.

  Alguns aventam a hipótese de serem experimentos do governo, que logo seriam descobertos pelo maior detetive do mundo, que foi incapaz de investigar o alienígena de Metrópolis antes de partir para a porrada, que o faria concluir que ele é Clark Kent, gente boa e um aliado precioso, o que teria dado um filme com menos ação, mas muito mais emoção, com o mundo vendo o Cavaleiro das Trevas defender seu amigo de gente amedrontada e líderes arrogos. Acontece que já estamos escaldados demais para confiar em roteiristas que foram capazes de arruinar heróis já mitológicos, coisa que os velhos e talentosos de outrora falharam em tentar. Não imagino o que vem por aí, mas a experiência me aconselha prudência e distância.

  Sim, eu estou ficando velho! Já tenho idade suficiente para não aceitar qualquer porcaria, muito menos porcarias de baixa qualidade.

  Mais indignação de fãs e leitores, ver aqui, no Omelete.

terça-feira, 14 de junho de 2016

Moana, o trailer

Por Nanael Soubaim

  Saiu o trailer de Moana... Quer dizer, chegou... Ah, vocês entenderam! Chatos!

  Como eu já disse tudo foi feito com esmero e a parte cultural e regional ficou a cargo de quem realmente entende do assunto, a ponto de até mesmo os fanboys xaropes terem se apaixonado. E Maui, meu Deus, é pior do que eu previa... É COMPLETAMENTE LOUCO!

  Sabem aquele tio completamente louco, que a família prefere manter em segredo? Pois é... Ele é muito pior.

quarta-feira, 8 de junho de 2016

Eu recomendo: Bloody Mary & The Munsters

Mary tinha seis carneirinhos...
Por Nanael "véio" Soubaim
Há muito tempo a Cidade Maravilhosa tem sido mais motivo de prantos do que de sorrisos, isso eu li e ouvi de nativos, tanto da capital quanto de Niterói; especialmente desta, que acaba recebendo o esgoto do que até a recente má fama carioca rejeita. Quando tudo parecia polarizado entre pseudointelectuais esnobes e festas de lavagem de dinheiro sujo, surgiu em Agosto de 2012 uma esperança: Bloody Mary & The Munsters!

A banda quebra totalmente o estereótipo de que o Rio de Janeiro só produz apologias ao crime e à promiscuidade. O estilo é retrô, com repertório rockabilly de alta qualidade. Outro estereótipo quebrado é o de que bandas assim só surgem na região sul e na serra paulista, que são mais propensas a acolher a cultura retrô-vintage.

A receita é muito honesta, uma vocalista (muito) bonita acompanhada de seis marmanjos (nem tanto), os sete atendendo por apelidos: vocal Bloody Mary (Mariana Oliveira), baixo acústico Zombie (Marcus Ramalho), piano Doctor Beast (Daniel Bessa), sax e flauta Madness (Lincoln Castro), trompete Crocodile Louis (Iury Hainfellner), bateria The Raven (Eduardo Manu) e guitarra Filkenstein (Felipe Braga). O que mais parece a nova formação da Família Adams é o elenco de artistas que gostam de rock cinqüentista, pin-up, memorabilia, carros antigos e vida com estilo. Muito estilo, diga-se de bagagem.

O que os diferencia de tantas bandas que aparecem e somem causando o mesmo impacto nulo, é que eles sabem o que querem. Aliás, sabem o que e como conseguir. Sua vida, até o momento, é cantar em eventos e bares na noite carioca, devolvendo à cidade um pouco do glamour e da alegria de outrora, mas sem precisar apelar para álbuns e vídeos da vovó.
Eles vendem seu trabalho e seus discos (CD, fita e VINIL) cantando ao vivo, com todos os riscos e todas as conseqüências inerentes ao ofício. Como ainda não têm nem quatro anos de estrada, eles não podem contar com relações públicas, assessores e equipe de divulgação. Seu departamento de marketing é o perfil da banda no Facebook. Assim, eles, dependem totalmente de escolher bem onde vão cantar, cantar bem e contar com a beleza hollywoodiana e o charme retrô da vocalista.

O trabalho bem feito rendeu a simpatia dos antigomobilistas, que são um público muito exigente, e os convites para os vários eventos regulares do gênero no Rio de Janeiro já aparecem. O que esse público tem de tão diferenciado? Simplesmente o nível, meus queridos. Antigomobilistas estudam muito sobre seus carros preferidos, a ponto de muitos deles se tornarem mais conhecedores de épocas e locais específicos do que historiadores formais. Em suma, eu estou recomendando na condição de antigomobilista, mesmo que ainda não seja um colecionador, porque isso custa caro... Tens aí cem mil temers para trazer um Kaiser ‘52 dos EUA? Não, Né!

Eles ainda não têm nenhum Grammy e nenhum disco de urânio, mas numa época em que cantores são em sua maioria, justificadamente, descartáveis, os sete conseguem entregar um trabalho cultural competente e longe de polêmicas ideológicas, por conseqüência também do poder público... Exceto quando precisam de alvará para se apresentar, é claro, aí o rock vira melodrama. Enfim, os sete amigos de Niterói trazem de volta desde os clássicos dos astros do jazz até as revoluções dos Beatles, sem fazer feio nesse repertório tão amplo. A proposta? Trazer de volta os encantos do Rio de Janeiro a um público que já se acostumou, com pesar, a chamar sua cidade de “Hell de Janeiro”. Aproveite e se cure um pouco da realidade.

Visite-os aqui e aqui 8-)

terça-feira, 19 de abril de 2016

Moana


Por Nanael Soubaim; cansado, em crise, mas trabalhando!

  Esta é uma história muito, mas muito antiga. Aconteceu em algum universo paralelo da Disney, nas ilhas da Polinésia, enquanto palestinos e romanos ainda se toleravam em uma paz frágil, falsa e constantemente perturbada.

  Moana era seu nome. Era uma garotinha linda, uma princesa que adolescia feliz e serelepe pelos domínios de seu povo. Vivia com seu pai, o chefe de seu povo Tui Waialiki, e sua avó. Tudo era lindo, tudo era encantado, todos eram felizes na dureza cotidiana... Ok, nem tanto, afinal ela era adolescente!

  A Avó Waialiki era o modelo de mulher para Moana. Carinhosa, sábia, gostava de contar o que sabia do folclore de seu povo, e a garota de dezesseis nos gostava de ouvir... Sim, eu sei que parece absurdo, mas naquela época nem todos tinham internet de banda larga em casa, então ouvir histórias dos mais velhos era um bom programa.

  Uma característica de Moana, herdada do pai, era o espírito aventureiro. Aprendeu e ter respeito, mas não temer nada nem ninguém. Aonde aquele grandalhão com cara de maluco, o que virou regra entre os reis da Disney, ia Moana para ganhar experiência e estreitar laços. A única rixa entre os dois (Aha, eu sabia, nenhum adolescente vive sem treta!) era a obsessão da garota em explorar o mar. Na verdade nem além dos recifes eles iam mais, e Tui não contava o motivo. Era um tabu.

Moana não compreendia por que seu povo tinha parado de se aventurar nas águas turbulentas e perigosas do Pacífico, queria ver o que havia lá fora e, não menos, queria encontrar a ilha mítica de seus antepassados, com a ajuda do deus Maui, de quem sua avó tanto falava com tanta propriedade e com que transmitia tanta serenidade... é um deus mucho loco, mano!

  Um dia, não mais do que de repente, a avó falece. Naquela efervescência hormonal e emocional a que os adolescentes estão expostos, ela dá a louca e se manda para o mar aberto. Não, Tui não deixou, mas ela foi assim mesmo. Forte, decidida e ciente de sua fé, ela não poderia encontrar obstáculos grandes demais... Se não tivesse feito a besteira de levar os amigos; leitão, Pua e um galo doente...

  Meu Deus! Pela ira de Maui! Por que raios ela levou esses três trastes? Bem, a explicação é simples e a DC poderia aprender com ela, em vez de simplesmente enfraquecer ou corromper seus heróis: A trama precisa de um ponto fraco. Se não é a heroína, e o caráter da agora princesa mais velha da Disney é sólido demais, é alguém bem próximo. E quem melhor do que três candidatos a best sellers na prateleira da seção de brinquedos licenciados? E no final, eles vão acabar ajudando, mesmo sem querer.

  Um detalhe interessante é que Moana, nas línguas polinésias, incluindo o Havai, significa "oceano". Notemos aqui o ponto nodal de toda a inspiração para a trama, ela si em busca de seus antepassados indo mar adentro, para onde seu pai a proibira de ir, sem maiores explicações.

  Sem spoilers, o enredo na verdade é uma jornada épica pelo auto conhecimento, o desbravamento da psique e o encontro da paz interior que reside dentro de cada um, mas de onde nos distanciamos na rotina maçante e às vezes padronizadora do cotidiano das responsabilidades. Lembremos, ela é uma princesa, precisa dar o exemplo, isso para uma adolescente pode ser um peso muito grande; afinal a continuação do povo dependerá dela, caramba! Ela será a líder, ela vai mediar, ela vai interceder, qualquer comunidade mais sofisticada precisa disso, gostemos ou não.

  Moana é mais uma da leva de princesas que não vão labutar discretamente, porque isso já rendeu a pecha INJUSTA de "inúteis"  e "padrão patriarcal" às clássicas. Ela é surfista, que na época era como ser ciclista ou motorista. Ela vai escancaradamente atrás do que quer e não vai se deter pelas lágrimas paternas, nem pelas próprias. O que vai ter de garota querendo aprender surfe, depois de ver o longa...

Moana e sua dubladora
  Apesar de a cinturinha de vespa já não fazer parte do repertório da Disney, não nas animações digitais, Moana é um bom exemplo de forma física perfeita, derivada de seu estilo de vida, e a cintura é bastante estreita. Uma boa inspiração para um país onde a obesidade está se tornando a regra na população.

  A previsão é de lançamento nos Estados Unidos em vinte e três de Novembro, por aqui só em cinco de Janeiro. Mas já aviso o mesmo que com Divertida Mente, é um enredo muito mais denso, profundo e rico em referências psicológicas do que a maioria do público vai notar. Aqueles que tiverem discernimento, aprenderão.

sexta-feira, 18 de março de 2016

Hora do reclame

  Enquanto o próximo texto não vem, apresentamos mais um campeão de visitas ao dentista... E ao troninho, porque se comesse quente...

terça-feira, 15 de março de 2016

Barra de saia Impossível, mas um longa é possível

Future Quest Project

  Por Nanael Soubaim, que viu todos esses desenhos entre a Sessão da Tarde e a novela das seis!

  Já faz algum tempo que DC Comics e Hanna-Barbera namoram, e é namoro sério. Entre as muitas versões apelativas profícuas na internet, os artistas da DC têm mostrado coisas que não exageram, mas mostram como seriam boas evoluções dos personagens das nossas tardes pueris. A coisa começou a engrenar de verdade quando Scooby-Doo voltou à activa e trouxe consigo, alguns heróis esquecidos pela mídia, alguns bastante repaginados.

  Um deles foi o Falcão Azul, que em um episódio das várias versões dos garotos e seu cão falante, deixou de ser um milionário com uma base secreta (ra, ra, ra, ra) na cobertura de um edifício no centro da cidade (ra, ra, ra, ra) e os vizinhos nunca notavam a movimentação e nem a decolagem de uma aeronave a jacto (ra, ra, ra, ra) bem no horário nobre da televisão. Agora ele é um ex vigilante abrutalhado e casca-grossa, que teve seu cão companheiro de guarda quase mortalmente ferido por bandidos. Ele recorreu ao Dr. Benton Quest para salvar seu amigo e daí, com o transplante do cérebro para um corpo biônico, nasceu o Bionicão; este o mesmo piadista sem noção dos anos 1970.

  O anúncio de um longa para Johnny Quest eriçou os pêlos com circunflexo dos nerds, inclusive os que nunca viram a gigantesca e intergalática família Hanna-Barbera em sua melhor fase.

  Com o anúncio das revistas mensais repaginando os heróis HB, ver aqui e aqui a histeria dos fãs quase babando nos teclados, um detalhe saltou aos olhos de todos, tanto os garotos quanto dos tios, como eu: O trio Os Impossíveis agora é um quarteto!

  Uma figura feminina de traços levemente orientais, agachada no capô do Carro Impossível, não foi explicada a contento, até onde sei. A equipe de arte das franqueadoras simplesmente fez o pôster que ilustra este texto e pronto, esperou para ver a reação. Não sabemos nome, poder ou mesmo instrumento que toca, mas é notório que faltava um baterista no trio.

  Se ela estará nas revistas? Não estaria no poster se já não estivesse confirmada. A boa idéia com acento é, em vez de uma surpresa, deixar os fãs no suspense, especulando e revendo tudo o que encontram dos heróis cantores, para verem se encontram alguma coisa. Impossível! Ela poderia ser no máximo uma fã de minissaia azul, figurante em algum episódio original.

  Se clicarem nos links do texto, verão uma pancada de belas artes que mostram muitos dos inúmeros personagens um pouco aprimorados, os Flintstones são os mais alterados e ainda assim estão fiéis ao original. Se lembrarmos que a DC é uma excelente bordadeira, saberemos que estes pontos todos têm bons nós. Se lembrarmos que o filão de filmes de heróis, ao contrário do que previam para 2012, só cresce, entenderemos as reais e bilionárias intenções das duas companhias.

  As novas revistas são, na verdade, geradoras de referências e termômetros para futuras produções cinematográficas, e isso inclui o agora quarteto de rock retrô Os Impossíveis.

  Aos mais atentos, as tramas da antiga Hanna Barbera eram muito simples, mas também muito bem amarradas e muito bem fechadas. Não eram bobinhas, a porrada corria solta e chamar o vilão de execrável não era motivo de protestos em redes sociais... Ou o que fosse mais próximo delas, na época.  Essa simplicidade permitiria facilmente a adaptação para as telas, muitos dos episódios pediriam apenas retificações para serem desenvolvidos.

  Para mim o longa é praticamente certo, temperado por algum romance que vez ou outra gerará ciúmes dentro do quarteto. O que me intriga é: Haverá desta vez um álbum musical de The Imposibles, como os fãs brasileiros chegaram a sonhar na época do Long Play?

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

A lição de Os Dez Mandamentos

Filme Pipoca? Talvez, mas para o público alvo, já é um clássico.
  Por Nanael Soubaim... Aquele...
 
  Não, eu não estou fazendo propaganda e nem apologia. Também não é o tipo do filme que eu veria, já foram muitos com o tema e acredito que ele se esgotou, pelo menos na narrativa apresentada. Quanto à novela, francamente, foi arrastada demais para o meu gosto. A questão não é esta. A questão é a lição que essa produção dá ao cinema nacional, que ensaia maturidade, mas choraminga subsídios estatais e acusa o cinema americano de invadir as salas de cinema... The seventies B side still're in here.

  Alegar que a Universal está usando a Record para praticar doping cinematográfico é ridículo, mesmo que esteja. Primeiro porque as duas são praticamente a mesma coisa, segundo porque a Globo também faz merchandising do mais fuleiro de suas produções, exibindo na Sessão da Tarde até os maiores fiascos de bilheteria, terceiro porque não estão fazendo absolutamente nada ilegal. Apesar de a repetição irritante durante toda a programação diária já ter enchido meu saquinho, estão defendendo o que é deles.

  O que fizeram basicamente? Pegaram um producto que já tinham, deram uma caprichada cinematográfica, investiram pra valer nos efeitos especiais e mantiveram o elenco que deu certo na novela. O tema interessa ao público, não só o da Record, acreditem.

  Há reportagens que mostram salas praticamente vazias, durante a exibição da fita, também há que mostram filas grandes para vê-la. Quem esta dizendo a verdade? os dois lados, cada um no momento em que fez sua matéria. O facto é que o Brasil vive uma guerra midiática de palavra conta palavra, imagem contra imagem, vídeos contra vídeos, desacredita a própria imprensa, tanto quanto os políticos já estão há tempos.

  Então vamos às principais lições que eu vi, e que todos os que se dizem cineastas deveriam aprender.

  • Apresentaram um producto que interessa ao seu público. Não fizeram questionamentos sobre a importância retórica, apostólica, historiológica e o escambau. Simplesmente apresentaram algo que já sabiam que o público queria ver e pronto!
  • Não tenho notícias de alguém mendigar apoio federal para rodar um quadro sequer. Tudo foi feito com recursos próprios por gente que sabia o que estava fazendo, para um público que sabia em linhas gerais o que iria ver, o que leva às duas lições seguintes;
  • Houve profissionalismo. Não é porque o tema já tem público certo que viajaram na maionese, ou simplesmente colocaram um resumo da novela na tela. Não comparando com o que Hollywood faz, e que por tanto ainda reinará por um bom tempo, tudo foi bem cuidado. Como producto o filme é honesto e entrega o que promete;
  • Arregaçaram as mangas. Apesar dos rumores de trapaça, por assim dizer, a Record não poderia arriscar um prejuízo em tempos tão bicudos, isso seria um erro mais grave e potencialmente fatal do que os cometidos pela Manchete, e em curso na Bandeirantes;
  • Os interessados se mobilizaram. Em vez de irem às redes sociais para amaldiçoar o cinema estrangeiro, reclamar que o governo abandonou a cultura, perseguir quem esperou com ansiedade pelo Deadpool, foram lá para divulgar algo que queriam ver e chamaram quem puderam para ir ver também;
  • Empresários compraram ingressos para todos os seus funcionários verem o filme, sim, eu sei. Já pensaram se todos os empreendedores mais nacionalistas fizessem o mesmo para os seus? Já pensaram se famílias inteiras combinam de encher uma sala de cinema? Já pensaram que isso simplesmente NÃO ACONTECIA NO BRASIL até a IURD decidir fazê-lo? Pois é! E há muitos fãs do mercenário imortal entre eles;
  • Ninguém foi à internet com aquelas trollagens imbecis como "Record = Adulto! Paramount = m#rd@! Sem mimimi! Eu sou o dono da verdade e ponto final, vão se piiiiii". Foram elogiar o filme que, mesmo não sendo tudo isso, ganhou a simpatia de quem não viu pela, ao menos aparente, civilidade, que tanto falta aos fanboys;
Ainda prefiro este, mas eles mandaram bem.

  Eu sei muito bem o quanto é difícil conseguir recursos para entretenimento, neste país, a não ser que tu sejas um sertanejo universitário, ou uma cantora vestida de galinha pintadinha, ou um funkeiro mirim que se gaba de usar drogas. Sou servidor público e sei muito bem o quanto as cartas são marcadas, neste jogo de trapaceiros. Mas também sei que se fazer de vítima do sistema, o mesmo em que praticamente todos os "produtores" que o criticam querem mamar, não só não resolve como ainda queima o filme, sem trocadilhos.

  Custa fazer um filme pipoca para arrecadar verba e então realizar o sonho do épico relevante? Esnobar o público leigo, ofender o cidadão comum e ainda querer que ele sustente seus devaneios alegadamente artísticos, vai contra todos os mandamentos de um bom cineasta. Então, seu mané, vê se toma juízo, tire seu foco do umbigo e aprenda com os acertos de quem tu desprezas! Porque um dia, pode ser justo esse desprezado que vai patrocinar teu sonho.

sexta-feira, 9 de outubro de 2015

NÓS NÃO VAMOS PAGAR NADA!


por Nanael Solbaim
Atenção, lobos do coração! A Paramount decidiu atacar a pirataria da forma mais inesperada, simplesmente liberou mais de cem títulos em seu canal no Youtube, este aqui.

Agora poderemos baixar descaradamente vários clássicos da era de ouro, e várias vergonhas alheias dos anos oitenta, como Masters Of Universe.

Se eles ficaram bonzinhos? Não, não ficaram, pelo contrário, só que esses títulos já deram em vídeo muito mais do que foi investido, a fonte de renda agora é outra. Essa farta distribuição de filmes vai alimentar o mercado d franquias, que é o que realmente dá sobrevida a um título e eterniza a arte pop que, bem ou mal, é do que vive um estúdio de cinema.

 Sem mais delongas, vamos p'ra galera!


sexta-feira, 10 de julho de 2015

Comic-Con e similares. Motivos para ir?

  Por Nanael Soubaim

  Eu poderia tecer um catatau a respeito, com motivações culturais, econômicas, diplomáticas, psicológicas, espirituais, canibais e outras mais... E um dia farei. Não hoje, não agora, não me pergunte os motivos; se te contar, terei que te matar!

  Apenas dêem uma olhada com circunflexo no que se encontra em um evento do tipo com a estirpe que o nome carrega desde 1970, quando um bando de fãs de quadrinhos decidiu fazer algo diferente das tradicionais e previsíveis feirinhas de revistas.

  Há pessoas que já se parecem tanto com um personagem, que praticamente só precisam vestir um traje igual. É gente que não se vê todos os tias por aí.
Cosplay de estampa de camiseta dos anos 80.

Aquela sensação de "ELE EXISTE!" ao vivo, não só pelo Facebook.
  Gente que não se parece muito com os personagens, mas se esforça tanto que consegue encarná-lo, quando pedem uma photo consigo.
Hulk esmaga preços!

Entraram nos personagens.
  Versões interessantes dos heróis, tão boas, que bem poderiam ir para os quadrinhos e as telas. Alguns mais caprichados do que o serviço dos próprios estúdios.
Uma das melhores Capitãs que já vi!
  É alta a probabilidade de topar com os actores nos trajes usados nos filmes, e mais ainda descobrir que são mais gente boa do que as fofocas palacianas fazem parecer.
Tom Hiddleston sendo Loki.
Tom Hiddleston sendo ele mesmo, um cavalheiro.
  Gente que honra a tradição e celebra os fundadores da cultura otaku, que na verdade nasceu nos Estados Unidos, não no Japão.
Vinda longa e próspera aos bons otakus. MORTE AOS GORDOS PELUDOS DE MINISSAIA!
  Descobrir que aquelas personagens femininas maravilhosas não são tão longe da realidade assim, não a maioria delas, as feitas com bom senso e para a admiração completa, não só de partes.
Um dia, gatinha manhosa, eu prendo você, no meu coração...
  Encontros de universos que nenhum estúdio ou editora se atreve a fazer, mas que seriam o maior barato, venderiam muito e dariam discussão para mais de ano!
Por que não?
  Ainda há a chance de bancar o louco ao celular, ser vocês mesmos em suas fantasias sem serem levados para o hospício, e ainda conseguirem prestígio, quem sabe até para personagens feitos por vocês mesmos...
  Querem mais motivos? Vocês vão gostar, precisa mais? Quanto mais gastarem com essas tranqueiras, menos sobra para drogas, armas, discos de apologia ao baixo ventre, et cetera. Digam isso aos seus pais.

  Esta foi em Albuquerque.