terça-feira, 27 de fevereiro de 2018

A MALDIÇÃO DA CASA WINCHESTER - CRÍTICA

por Eddie Van Feu


Para alguém que detesta obras como eu, o terror já começa quando descobrimos que a mansão em questão vive 24 horas em construção. Martelos, quebra-quebra, homens para lá e para cá, tudo para cumprir os desejos de uma viúva excêntrica. O problema é que essa viúva é a maior acionista da fábrica de armas mais lucrativa da história: os famosos rifles Winchester. Preocupados com a parte deles nos lucros a sanidade da viúva, os outros acionistas contratam um psiquiatra viciado e endividado para garantir um laudo médico que a considerasse biruta e maluca de pedra incapaz de gerir os negócios da empresa. O psiquiatra então vai até a mansão e, cético até o talo, precisa lidar com coisas esquisitas.

A verdadeira mansão Winchester hoje é um ponto turístico dos amantes do sobrenatural.
O filme começa com uma boa promessa. Apesar dos gatos pulando do armário (aqueles sustos que não são nada, mas fazem você pular da cadeira), dá pra ver que há motivos para se temer aquela casa, com mais de cem cômodos completamente caóticos e aleatórios. 

A verdadeira Sarah Winchester e Helen Mirren.

Inspirado em fatos reais, o filme instiga a curiosidade, mas entrega um pouco cedo demais o mistério. O visual é muito bonito, com um elenco eficiente. Helen Mirren está ótima como a viúva Sarah Winchester, uma presença imponente e bizarra que circula pelos corredores da casa. Sarah Snook também convence como a sobrinha, também viúva, e mãe de um menino. Já o menino Henry (Finn Scicluna-O'Prey) é fraco e não deram texto para ele. Jason Clarke interpreta o psiquiatra atormentado Eric Price e não teria sido minha primeira (ou segunda, ou terceira) escolha para o papel. Falta-lhe carisma e simpatia. Angus Sampson é uma das boas surpresas do filme. Ele era um dos nerds caçadores de fantasmas na série Sobrenatural e aqui é o mestre de obras que apoia Sarah em suas bizarrices.

Visão aérea da mansão Winchester hoje, com suas construções completamente caóticas e assombradas.

A verdadeira mansão, na Califórnia, teve construção por 24 horas durante 38 anos, começando em 1884 e só sendo interrompida em 05 de setembro de 1922, quando Sarah faleceu. Gastou-se nisso cerca de 5.5 milhões de dólares, equivalentes a 71 milhões de dólares em 2010. Dizia-se que Sarah acreditava que a mansão era assombrada pelas vítimas dos que morreram pela arma de sua empresa.

Faltou química aí. Ou direção. Não sei ainda.
Essa simples premissa já dá um material poderoso para um filme de terror muito bom! Mas algo aconteceu, e o filme não engrena. Falta um pouco de coerência para os eventos sobrenaturais. E dá muita curiosidade de sabermos das histórias dos fantasmas da casa. Por sua vez, a assombração mais sinistra da casa não é muito convincente, tendo poderes que não fazem sentido e ações em vida que também não faziam sentido. Poderia ter sido um filme de terror épico, daqueles ricos em história e que nós contamos para todo mundo depois. Só que chegamos ao final percebendo que a resolução não convence, os dramas pessoais não comovem e metade do elenco não é insossa... Mas pelo menos os fantasmas assustam! Tem fantasma, tem susto, tem surpresa, então, na minha opinião, já vale a entrada do cinema.


Eddie Van Feu é jornalista e gostaria de visitar a verdadeira Mansão Winchester e escrever um roteiro decente para essa história.




Um comentário:

Amaral Lugo disse...

Ancho que o filme vale a pena assistir. Meu preferido de tudos os filmes de terror é It e sem dúvida o papel que realizo Bill Skarsgard é uma das suas melhores atuações, a forma em que vão metendo os personagens e contando suas historias é única, gostei assistir a It a coisa legendado é um dos melhores de terror, tem uma ótima adaptação do livro, atuações maravilhosas e efeitos especiais que dão medo, algo que eu amei foi como eles redesenharam Pennywise.