segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

Os filmes do Oscar: SPOTLIGHT – SEGREDOS REVELADOS (seis indicações)


Por Ricky Nobre



Os feitos do jornalismo investigativo costumam dar bom cinema, seja partindo de histórias reais como em Todos os Homens do Presidente ou ficcionais, como em A Montanha dos Sete Abutres. Para mostrar a investigação que durou um ano feita pelos repórteres da equipe do Spotlight do jornal Boston Globe, o diretor e ator Tom McCarthy disse ter se inspirado nos filmes citados e também em JFK, Cidadão Kane, O Informante, Rede de Intrigas e Boa Noite e Boa Sorte. Bom, na cabeça dele, pelo menos.


Apesar da entrega e comprometimento dos atores, Spotlight não é, de forma alguma, um filme elaborado. Ele demonstra com muita precisão e detalhamento a longa investigação que a equipe de jornalistas fazem sobre um caso específico de um padre abusador de crianças. Conforme o trabalho se desenrola, eles acabam descobrindo não apenas mais casos com mais padres, mas todo um esquema de acobertamento por parte da Igreja Católica num período de décadas, com anuência de autoridades na cidade de Boston, a metrópole mais católica dos protestantes EUA. 


Talvez o único detalhe que escape dos limites restritos da investigação são parcas cenas onde os personagens de Ruffalo e McAdams falam sobre os efeitos da investigação em sua fé. Fora isso o filme é absolutamente linear e limita-se a detalhar a investigação sem nenhuma criatividade na linguagem, na construção dos personagens ou construção de suspense ou inquietação. De fato, o filme lembra produções para a TV, não a TV de hoje, que anda muito melhor do que o cinema, mas seria facilmente um bom filme de TV da década de 90. 


Para quem quer saber como tudo aconteceu, o filme é indispensável. Não é o tipo de filme que faça a cadeira “dar formiga”. A proposta documental do filme é bem realizada o suficiente para manter o espectador interessado na investigação durante seus 128 minutos. Mas, se indicação a melhor filme é um enorme exagero, o de direção e montagem só se explica por uma Academia que se permitiu confundir a extrema importância do tema com bom cinema.

INDICAÇÕES AO OSCAR:
Melhor filme
Direção: Tom McCarthy
Ator coadjuvante: Mark Ruffalo
Atriz coadjuvante: Rachel McAdams
Roteiro Original: Josh Singer e Tom McCarthy
Montagem: Tom McArdle

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