quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

"A LEI DA NOITE" É UMA BOA SURPRESA


Por Eddie Van Feu

Nem todo filme que eu tenho visto está conseguindo prender minha atenção. Ou são bobos, ou são rasos, ou são cheios de furos. A Lei da Noite foi uma interessante exceção e uma boa surpresa.

Para começar, deixa eu falar umas coisas. Eu não gosto do Ben Afleck. Não gosto de filme de gangster. Não gosto de filme dos anos 1920. Isso posto, apesar de ter ido ver o filme com boa vontade, não estava na melhor das expectativas.

E eis que começo a me surpreender pela fotografia, linda da primeira à última cena. Em poucos minutos, eu já estava envolvida nos dilemas morais dos personagens, rindo com o texto inteligente e me prendendo na cadeira nas perseguições de carro. Admito que não via uma corrida de carros velhos tão empolgante desde Os Intocáveis.



A história
Filho de um comissário de polícia desgostoso pelas atrocidades que teve que cometer na guerra volta com a convicção de nunca mais seguir ordens. E aí vira um ladrão. Não bastasse ficar contra a lei, continua em seu caminho de autodestruição tendo um caso com a peguete do chefão. É claro que em algum momento um roubo dá errado, o namoro dá errado e tudo dá errado, levando o personagem a um plano de vingança. Porém, no decorrer do plano, ele conhece pessoas, se apaixona de novo e percebe que a vida é mais do que isso.

Efeito Manada?
Fiquei muito surpresa com as críticas negativas que o filme recebeu nos Estados Unidos. Não entendi. Das poucas críticas que ouvi, nenhuma fez sentido. Por exemplo, houve quem reclamou que o filme começa como um filme de gangster, vira filme de vingança e de repente vira romance. Isso me parece uma visão limitada de que um filme precisa se encaixar num único gênero. Se é aventura, não pode ter romance. Se é romance, não pode ter violência. E por aí vai. A outra coisa que vi foi sobre as interpretações, que eu achei boas – e isso vindo de alguém que não é grande admiradora do Ben Afleck, que estava muito bem, diga-se de passagem. Sinceramente, acho muito provável que esteja ocorrendo o efeito manada. Um pequeno grupo fala mal e todo mundo se determina a não gostar do filme para não ficar de fora.

O texto é bem legal, com boas sacadas de humor nos momentos certos. A história é bem amarrada, do início ao fim, não deixando nada sem desfecho. A trilha sonora é bem discreta e talvez pudesse ter mais personalidade. O que mais gostei de A Lei da Noite foi ver a jornada do herói, que é um bandido. Joe Coughlin, personagem de Ben Afleck, tem um amadurecimento muito bacana. Ele cresce, evolui e vai aprendendo a fazer escolhas melhores. Isso faz com que fiquemos ao lado dele, mesmo que ele seja um gangster. O paralelo entre relacionamentos foi bem interessante também. Um chefe de polícia tem um filho escroque. O pai o ama, mas não o protege de suas próprias escolhas. No entanto, faz o possível para ajudá-lo, dentro de suas possibilidades. Esse relacionamento encontra um espelho distorcido no relacionamento do mafioso Maso Pescatori (Remo Girone) e seu filho imbecil. As três mulheres do filme são fundamentais para a evolução do personagem e contribuem muito com a trama.

O filme toca em assuntos como preconceito, fanatismo religioso, a indústria do crime e a violência como um meio burro de se chegar aonde se quer. Ótimo filme e estou quase aprendendo a gostar do Ben Afleck.

A Lei da Noite

Genero: Ação
Titulo original: Live By Night
Ano: 2016
Pais: EUA
Duracao: 2h 09min
Diretor: Ben Affleck
Elenco: Ben Affleck, Zoe Saldana, Elle Fanning, Sienna Miller, Brendan Gleeson, Scott Eastwood, Chris Cooper e Anthony Michael Hall.

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